Novo ano de novo

| sexta-feira, 31 de dezembro de 2010 | 0 comentários |
       É um novo ano, mas a continuação dos mesmos sabores já experimentados. São os mesmos olhos, as mesmas nuvens. Os mesmos pedidos e as mesmas esperanças que as coisas ruins irão mudar e que as boas crescerão. Luzes explodem sobre nossas cabeças tentando afastar o que tememos. Cores são usadas para trazer o que desejamos. Mas nossas tristezas ainda existem e o que queremos não virá sozinho. Mãos que ajudaram a contruir o que está indo e que agora não nos pertence. O passado é amigo de tudo e somos filhos do mesmo. Presenças nos acompanham e talvez apenas nos acompanhe. Sons quebram o silêncio do céu, que em um dia comum estaria escuro. Lembranças de pessoas distantes suspiram em nossas almas, mesmo que elas desconheçam o que é a saudade.
       Hoje as dores descansam e as lágrimas sorriem, se despedindo dos caminhos que nos ensinaram a tentar. Se conseguimos ou não, o que o importa é que sobrevivemos. E mesmo mortos nada será esquecido. As feridas de hoje serão as marcas de amanhã e o que respira em nós será eterno. O dia nasceu anoitecido para que a noite amanhecesse clara como a certeza do segundo que nos separaria do que fomos e do que seremos. Por mais que tentem derrubar as estrelas, elas serão as mesmas quando guardarmos os velhos pesadelos.
      Para mim tudo isso não deveria acontecer hoje. Há algo lá fora que não é o mesmo de sempre. E apesar dos meus dias serem os mesmos, a solidão é uma boa companheira.

Feliz Natal

| domingo, 26 de dezembro de 2010 | 0 comentários |
Eu te desejo todos os sonhos que uma noite pode entregar
Os sorrisos daqueles que te amam e que você também ama
E apesar de você não me amar, eu sorrio para você
Que sua mesa esteja cheia de amor e risadas
E sua vida seja colorida de vermelho e verde
Porque minha alma já está inocente por você
Que os abraços que te sentem aqueçam o seu coração
Que as vozes que te querem bem sejam as tantas que explodem no céu
Iluminando todos os pesadelos que queiram pertencer a você
Que sob a sua árvore nasçam verdades esperadas
E que ela seja enfeitada como a beleza da sua alma
Que a estrela que dela brilha guie sempre os seus caminhos
Feliz Natal.

Máscara de mim mesmo

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       No início era como se tudo pudesse ser visto. Meu rosto por meio das palavras trêmulas, uma respiração pesada para o coração surpreso. Eu cheguei sem nenhuma personagem, sem voz e a noite estava nascendo. E enquanto as estrelas se tornavam nítidas em uma nova vida para mim, eu não estava preparado para receber, nem entregar, tudo que aquele lugar pretendia. Não era necessário ter uma alma, um rosto, uma verdade. O que importava era apenas as letras que formavam a sua mentira; se juntas elas falassem algo prazeroso e se separadas fizessem coisas que agradassem.
       Com um nome anoitecido comecei jogando duas letras, as mais sem importância e conhecidas por todos. Talvez para não chamar atenção para a minha inocência, mas eu sei que não seria diferente. Um silêncio separava os minutos e eu observava como os sussurros ganhavam caminhos. Não se podia ver todos, era como se a brisa os amassem. Eu sabia disso quando me sentia sozinho. Existia a música e eu não sabia dançar.
       Não se via a lua, mas acho que ela me entregou um pouco de seu disfarce. Deixando o som dos seus passos chegararem até mim, as palavras me invadiam de uma maneira silenciosa. Eu já não podia dizer era o mesmo de quando cheguei. Perdendo a meu rosto sobre uma alma caída, uma máscara nascia de mim mesmo. Dela saia uma voz quente. E apesar de não existir música, silêncio e nada que me tornasse inocente, eu aprendi a dançar. E no fim era como se nada pudesse ser visto. Nem a mim mesmo.

Inteiramente você

| terça-feira, 21 de dezembro de 2010 | 0 comentários |












Você não seria o primeiro apresentado às minhas saudações
Nem o último que eu entregaria as minhas despedidas
Histórias que nunca contei para prender os seus olhos
Sonhos não acordados para você crescer
E você está ficando mais perto das nuvens
Eu sorrio por isso

Amanhecer que se agarrou em você
Esperando que suas mãos o segurassem
Que o levassem para além do horizonte que não se pode alcançar
E apesar das horas do relógio, você tem uma vida inteira
Mas por hoje, as vidas são inteiramente você

Não é preciso temer a sombra do dia
Ela respira muito longe do brilho do seu sorriso
Adormecidas estrelas solitárias deitam sobre a janela de sua alma
E brincando de furar o céu os pesadelos podem existir
Mas nenhum deles te fazem tremer
Não quando o mundo se desfaz pelos seus pensamentos

Nessas primaveras que nos torna tão próximos
Minhas flores podem ser apenas ilusões
Mas os seus jardins são tão reais como a verdade
Ouvidas nas músicas que sua voz reflete
Vistas na sua maneira de amar
E em todos os dias que choveram
Apenas os nossos dias são iguais.

Desde ontem

| domingo, 19 de dezembro de 2010 | 0 comentários |
Sentimentos que meu coração sussurra
Palavras que não consigo desenhar
Porque elas existem, mas não sei o que querem dizer
Se sobre você, sobre mim
Ou simplesmente sobre o dia que envelhece lá fora
Nublando aquilo que está claro
Ainda é dia, por pouco tempo

E todas essas coisas que caminham sobre algum lugar
Chamando para que eu seja uma estrela
Porque elas existem, mas não sei por quem vou ser amado
Se por você, por mim
Ou simplesmente pela noite que nasce lá fora
Desde ontem esperando aquilo que é claro
Ainda é dia, por pouco tempo

Sonhos que meus olhos fechados trazem
Pensamentos que não consigo agarrar
Porque eles existem, mas não sei se me levarão para mais perto
De você, de mim
Ou simplesmente desse mundo que vive lá fora
Ainda procurando aquilo que era claro
Já é noite, por muito tempo.

Quatro dias depois

| sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 | 0 comentários |
       Dias atrás eu me tornaria um pouco mais velho, estaria com a imagem um pouco mais cansada ao me olhar no espelho. Se o que está no passado não fosse apenas dias comuns, eu poderia ser forte; quebrar corações e guardar os pedaços mais brilhantes. Elas seriam minhas palavras quando o valor estivesse nas atitudes. Eu teria os olhos acostumados com a claridade e o meu sono poderia ser mais longo nos dias de confusão. Passos menos apressados e pesados iriam me pertencer, talvez eu chegaria em casa depois que a chuva caísse. Meus caminhos seriam feitos com outros pensamentos escuros e as mãos que segurariam os meus prazeres seriam delicadas. Talvez seria tudo uma maldosa brincadeira, mas eu realmente estaria gostando de ser parte dessa diversão. Almas sairiam feridas e vitórias expostas nos lábios; logo eu teria outras para carregar no peito. Eu iria me alimentar delas e nada mais do que isso.
       Minhas dores viriam das guerras de ódios sólidos, aquelas em que os corpos se machucam para provarem o que são. Todo sangue que surgisse seria apenas para mostrar que eu poderia viver sem ele. Veias que pediriam por mais uso e pedras que nasceriam de mim mesmo. As noites não seriam perigosas, porque o perigo seria um pouco de mim. Ou totalmente.
       Mas alguém não quis que as coisas fossem assim; um alguém que não sei se foi eu ou outro. Então os raios que faziam amanhecer acordaram depois dos pesadelos da espera e me trouxeram para onde estou agora. As coisas que eles disseram a mim sem que me lembrasse das perguntas ou se realmente as fiz; isso me faz olhar esses dias como se tudo pudesse ser diferente. E restando apenas dois dias para uma nova vida, eu procuro nos últimos dois dias passados esse alguém que não me deixou existir antes. Eu poderia ser diferente.

Tu se ajoelhas apenas

| quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 | 0 comentários |

















Tu se ajoelhas para uma igreja construída por homens
Para um santo que não tem vida
Tu carregas uma cruz sem peso
Sem nenhum corpo preso
Tu escondes uma alma de pecados
Um corpo de prazeres
Tu sorris para as janelas coloridas
E para as palavras que formam aquele homem
Tu me vês quando meus olhos se fecham
Pelas minhas costas enche-me de blasfêmias
Como elas, tu me humilhas
Junto a elas, tu gargalhas de mim
Com elas, eu olho para trás
E tu se ajoelhas fazendo um sinal sem estigmas
Tu jogastes todas sobre mim.

Por dentro

| segunda-feira, 13 de dezembro de 2010 | 1 comentários |


 Meus olhos guardam duas lágrimas
Separadas por pensamentos confusos
Perdidas entre os medos de uma criança
Refletidas por um espelho interno
Vistas pelas fendas de uma realidade externa
Elas caem dentro de mim
Escorrem pela minha alma
Assombram a minha sombra
E meu peito tem um coração apertado
Sem respostas.

Em uma tarde de domingo

| domingo, 12 de dezembro de 2010 | 0 comentários |
       Era um véu azul com nuvens cor de amor. Uma tarde de domingo sem muitas expectativas. Eu queria apenas que os trovões não me trouxessem segredos. Eles podem molhar os meus pensamentos; levá-los para longe desse meu coração. Assim eu estaria desarmado por completo e o silêncio de uma mente vazia suspiraria por você. Todos os pássaros que voltavam avisando que o dia estava terminando e as brisas que me chamavam pelo ombro... As cores naquelas posições eram mais bonitas. Mas talvez não seja elas que mudaram, apenas sou eu lembrando de alguém ao olhá-las.
      Aos poucos as luzes começaram a se desfazer de uma maneira silenciosa. Elas abandonavam todas as olhos sozinhos. Mas era esperado que no lugar delas nascessem uma falta que brilhasse e nos protegesse até a volta dos nossos jardins. Era inevitável que as coisas decidissem adormecer. Até você fecha os olhos e isso não me impede de te fazer vivo em meus sonhos.
      As nuvens que tinham cor de amor, agora choram; o véu que era azul, agora escureceu e está rasgado. E nos lugares onde estão minhas incertezas se ouvem vozes brilhantes. Elas não me deixam adormecer. Mas eu te tenho aqui vivo em meus sonhos.

Seríamos três

| sábado, 11 de dezembro de 2010 | 0 comentários |
       Dois meses te fazem mais velho no mundo em que meu coração não bate. E abandonar os meus sonhos não é o bastante para me levar até você. Se eu pudesse simplesmente encontrar respostas em seus olhos para os meus medos sem explicação. Quando você foi embora, deixou a vontade de uma vida pela frente. Não sei se tinha escolha, mas eu tive que continuar por você. E os planos que criaram, o amor que guardaram e tudo que aconteceria se as suas lágrimas fossem as primeiras a caírem aqui, me abraçaram de uma maneira um pouco sufocante. Perder o sabor da primeira existência fora deles, talvez os tenha feito amar demais. Não os culpo, apenas queria que você estivesse aqui.
       Desconhecer o seu sono não fez eu me sentir menos sozinho. Por todas as noites que gritei pedindo a você que viesse ou me sussurrasse um sinal. Eu saberia se estaria olhando por mim. Oito anos me fizeram crescer e eu pude ver o seu sorriso nos lábios dela. Então eu soube que poderia descansar.
       Não havia data e o pedido que me fazia esperar se perdeu em uma escuridão vermelha que não era minha, mas que também me pertencia. Foram nesses dias que eu chorei em um lugar inocente, que adormeci ao meio-dia, que fui alimentado e consolado por outras mãos. Com os mesmos passos esse me deixou como você, mas agora era diferente. Eu estava lá.
       Eu sei que têm um ao outro e que onde estão é preciso apenas disso para não sentirem falta daquilo que não respiraram. Isso me faz lembrar de como poderia ser as coisas se os silêncios não existissem. Mas eles existem e eu não os tenho. Para vocês, os caminhos podem ser mais claros e as noites um pouco mais que eternas. Horas que não os consomem, mas consomem a mim, me fazendo sorrir. E eu sempre serei apenas Um querendo tê-los comigo.

Últimos dias de um amanhecer não completo

| quinta-feira, 9 de dezembro de 2010 | 0 comentários |
       Não é sexta-feira, tampouco o fim do mundo. Apesar disso, os corredores já não têm o mesmo ar de Janeiro. As cadeiras vazias guardam um passado não muito distante, onde mentiras, alegrias e verdades eram vistas caminhando entre os números de um relógio de cinco horas. Há tantos lugares onde o silêncio pode ficar que um simples vento apaga as letras que um dia nos ensinou a aprender. As sementes já foram plantadas, as rosas colhidas e os espinhos cortados. Ou simplesmente deixados no único lugar dentro de mim onde minhas mãos conseguem alcançar. O que tinha que ser feito já foi feito e eu ainda estou aqui, tentando salvar as maças que nunca entreguei com o mesmo sorriso. Folhas que enfeitei com pedaços de céu de nada vão valer, porque ao anoitecer elas se tornaram escuras demais para entendê-las. E ainda é noite. Feche os olhos e você verá que o sol não brilha por trás de seus olhos. As coisas que iríamos proteger com os livros, as respostas que tiraríamos deles, tudo isso será devolvido às presas, porque alguns não precisam deles e os que precisam não podem levá-los em seus bolsos. Esse é o momento que as pernas cansadas e as mentes agitadas podem descansar, mas eu não posso adormecer. As palavras são mais altas formando conversas mais próximas e eu consigo acreditar que isso não terá fim, por um pequeno tempo. E eu sei que esses dias vão desaparecer e que os ecos de incertezas vão amanhecer sendo os meus próximos dias.

Boa noite

| terça-feira, 7 de dezembro de 2010 | 2 comentários |
A noite não foi feita para todos
E quando dizemos para essas pessoas
"Boa noite"
Tudo o que elas fazem é fechar os olhos
Se elas sonham, eu não sei
Mas sei que elas guardam nosso "Boa noite"
Como um "Adeus"
Boa noite.

Apenas sorrir

| segunda-feira, 6 de dezembro de 2010 | 2 comentários |
Eu posso brincar perigosamente com o destino
Carinhosamente com o seu coração
Eu posso te contar a verdade em algumas palavras
E te perder para sempre dentro de mim
Ou me esconder perto de você em algum escuro
E te encontrar eternamente em tudo o que me rodeia
Eu posso escolher te deixar tudo
Ou te guardar em um imaginário nada
Mas se eu não te tenho em minhas mãos
Eu te terei diante dos meus olhos

E ouvindo essa música eu consigo sorrir
Eu não sei o que fazer
Se pulo dessa altura, mesmo não desperto se você estaria no fim
Ou se permaneço vendo as estrelas
Mesmo não adormecido se você gostaria ou precisaria de saber que eu escrevo seu nome com elas

Eu posso fazer você me odiar, mas mostrando que terá sempre alguém ao seu lado
Ou te conquistar com a incerteza se eu estarei ou não aqui

Eu posso decidir te fazer sonhar que alguém te amou algum dia
Ou te enganar com sorrisos passageiros
E não sabendo o que fazer
Apenas sorrir.

Vidas íntimas

| domingo, 5 de dezembro de 2010 | 0 comentários |
       Eu nunca me importei muito. A vontade de algo mais divertido, a procura de algo mais arriscado, não faz as minhas veias pedirem por mais sangue. Não quando envolve duas pessoas. Talvez eu tenha passado muito tempo me preocupando com as palavras e esquecido de brincar com os corpos.
       Eu me sinto sozinho entre tudo isso. Enquanto todos procuravam silenciar as suas bocas, colecionar línguas, eu tentava aprender a não ultrapassar a margem das páginas. A cada linha os dias se perdiam atrás das folhas já escritas e as noites me distraiam em um profundo sonho de olhos fechados e perfeição. E ao caminhar para um lugar que me levaria a outro lugar, eu via conversas baixas e prazeres silenciosos. Era um ótimo começo juvenil e eu me perguntava a razão de não fazer o mesmo. Talvez as minhas letras eram redondas demais em uma vida que o mais importante é a ação.
       Depois de as todas luzes e sombras que respiraram sobre nós, todas essas vidas se tornaram mais íntimas. Eu posso sentir o cheiro dessa proximidade nas risadas dos garotos e nos sussurros das garotas. Solidão crescendo comigo em uma frágil tentativa de eu me tornar aceitável.
       A incerteza sobre mim mesmo escorrendo pelas minhas mãos. A minha imagem que vejo refletida nas minhas próprias palavras. O medo de falar mais alto que o céu e parecer um pouco mais inocente que as nuvens. E todas essas primaveras que não me importei com as flores, mas com o desenho que a lua fazia nas poças de chuva. Talvez seja nisso que se construa o meu nome e todas as coisas que nele se agarram.

Não posso

| quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 | 0 comentários |












Como posso viver
Se eu perdi todos os dias de um ano?

Como posso sonhar
Se eu acordei todos os sonhos de uma noite?

Como posso sorrir
Se eu matei todas as chances de me alegrar?

Como posso saber
Se nem ao menos eu tentei ser o melhor em meu fracasso?

Eu não posso caminhar
Os passos que já usei não servem para caminhos desconhecidos
E a escuridão se tornou meu próprio passado

Eu não posso amar
Um coração é pedido para isso
E há muito tempo o meu foi parado pelo medo.

Dia inteiro

| quarta-feira, 1 de dezembro de 2010 | 0 comentários |

















Se me perguntassem o que é a vida eu diria:

"A vida é como um dia inteiro
Que nasce, vive, morre e renasce
A manhã sorri como uma criança pronta para descobrir o mundo
Tirando e chamando as cores de algum lugar que nossos olhos não tocam
Para que juntas caminhem em um futuro incerto, mas esperado
A tarde, crescendo um pouco de cada vez, não sorri como antes
Ela simplesmente vem para nos avisar que essa é a última vez para percebermos o quanto
                                                                                           [nosso coração está escuro
Ela não nos entrega uma segunda chance
Se não olhou o bastante, olhe para cima, porque é a única luz que você terá agora
E a noite chega sem avisar, no mesmo silêncio dos nossos desejos
Ela é tão longa como é uma surpresa
Não sabemos se veremos estrelas, lua ou se ela jogará nuvens em nossos sonhos
Mas ela é sempre linda
Porque poucos sabem amá-la com o amor que ela merece
Poucos sabem como ver as cores pelas mãos
E enquanto estamos cegos, ela nos sussurra histórias fantásticas
E mesmo fantásticas, nós as sentimos tão reais
Por que elas não são reais?
E quando acordamos e vemos todas as cores, abraçamos a certeza
É real... Dentro de nós"

O que é o dia se não a vida?
Se nós não dormíssemos, o que seria o dia?
Um vida sem interrupções
Mas se nós não morrêssemos nesse curto tempo
Não sentiríamos seguros para acompanharmos a manhã.

Meu presente para você

| segunda-feira, 29 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       Eu não me lembro de quando você entrou na minha vida. Você sabe que tenho dificuldades para essas formalidades, mas mesmo assim te peço desculpas.
       Todo garoto precisa de uma amiga, talvez para que nunca esqueçamos que, além de tudo, somos humanos. Para não perdemos o sorriso que a aparência rude impõe em nos tirar a cada dia. Mas você não faz apenas isso por mim. De mãos dadas com a sua companhia, vem sempre a certeza de algo novo. Com você nada é certo, nada é previsível. A alegria que você entrega é inesperada, como o amanhecer que nasce sem avisar. E mesmo que o dia escureça ainda existe as estrelas. Você existe para mim.
       É comum você adormecer os meus medos. Eu admito, não me curo, mas com você ao meu lado eles parecem pequenos. E realmente são e eu consigo voar.
       Nesses tempos de chuva, não se pode jogar palavras ao vento, porque ele pode levá-las. O silêncio é seguro. E meu silêncio é você. Você sabe os segredos que guardo atrás do Sol.
       Em seus olhos tão doces quanto mel, os seus mistérios são guardados. Um jeito meigo que faz as pessoas esquecerem sua força. E você insiste em lembrá-los e eles obedecem. Junto a isso sua alma e sua beleza se confundem em uma só aparência. Já percebeu que a lua aparece apenas quando você está sonhando? E você é minha Ártemis; minha e de todos os mortais que aqui respiram. Todos os suspiros são para você.
       Todos esses dias que passamos juntos, conversamos e descansamos sentados no chão e nos refugiamos na sombra de alguma árvore, eu descobri uma coisa. Mesmo podendo descobrir todos os seus mistérios, eu escolheria não saber. Porque é isso que te faz especial. Que me faz aprender, atráves de você, a ser um pouco de mim. É isso, a cada dia descobrir um sorriso novo seu, um jeito novo de encarar a vida, um abraço único. Porque o seu abraço me traz tudo que eu preciso no mundo. Eu te amo, minha pequenina.

Garoto triste

| sexta-feira, 26 de novembro de 2010 | 1 comentários |

















Meu amor, já percebeu como as árvores secas são lindas?
Se não, olhe para o meu coração seco e você verá muitas delas
Todas perderam as folhas por causa das minhas lágrimas
E todas elas descansam sob os meus tristes sonhos
Mas não posso mentir que sem eles eu seria simplesmente nada
Mas com eles, eu sou um garoto triste
Eu vou enfeitar cada galho seco com uma estrela do céu
Eu acho que posso viver sem elas

Eu sofri tempo demais para saber que nada disso irá acontecer
Nem rosto, nem corpo, apenas olhos
Esses olhos que um dia perderão a cor
Ela que me permitiu ver a entrada do paraíso
Mas eu nunca pude entrar, você não vê?

Um lindo coração não bate fora do corpo
Uma bela atitude não te faz forte
Um bom perfume não faz de você um desejo
Eles não dizem isso, mas eu sei
Eu posso respirar o ar que um anjo caído deixou
Eu posso vê-lo na frente desse espelho que estou
Ele chora, mas anjos não choram
E eu nunca serei um anjo
Todos nós sabemos disso
Apenas fiquem em silêncio, é mais seguro
Para mim e para todos

As batidas do coração não são vistas pelos olhos
E o vermelho do sangue é encontrado apenas porque o procuramos
Eu quero apenas te ver e te encontrar
Porque eu sei que esse garoto sempre será triste.

Origem

| quinta-feira, 25 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       Eu nunca vi um ser tão perfeito quanto você. Da sua alma se originou Deus e tudo se criou. Porque se Deus fosse perfeito, ele seria como você. Seus traços, seu corpo, parece ser a respiração dos anjos que ganhou vida. Qualquer paraíso, seja ele divino ou terreno, é apenas lembranças daqueles olhos que um dia te viram caminhando sobre o mundo. E toda bondade é o seu reflexo ao descansar olhando para as flores, essas que são pequenos pedaços dos desenhos que se espalham por você. Em algum dia de distração dos seus olhos, por um pedido não ouvido, o céu levou um pouco da noite que neles moravam. E ao devolver, lhe deu as estrelas para que elas nunca parecem de brilhar. Talvez essa seja a razão de eu me sentir seguro quando lembro de você. Porque sei que mesmo que o céu se apague, eu terei a estrela de seus olhos chamando a minha vida para continuar. As tristezas que formam o mar são apenas pesadelos seus que esqueceram de te encontrar. Mas saiba que até os pesadelos preferem a solidão para te admirar. Imaginando a sua voz, eu penso que seja como os pássaros que cantam depois de uma chuva. E o vento tentando procurar uma maneira de te prender, descobriu que a liberdade é sua amiga. Porque você voa e nisso os Homens te invejam. Eles desejam as suas asas e o que tenha o seu sabor, porque tudo em você os encanta, me encanta. Sua existência me entrega sonhos que juntos formam uma vida. Essa minha vida.

Caminhos novos conhecidos por muitos

| quarta-feira, 24 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       O dia amanheceu como de costume. Como as estrelas que se escondem pela vergonha de aparecerem por serem pequenas. E eu me sinto muito pequeno quando vejo a extensão de uma descoberta. Porque todas às vezes que tento sonhar sobre um caminho, parece que nele já houve vida. Marcas de passos guardados sobre uma história sólida. Elas têm vozes. Algumas conhecidas, outras vistas enquanto eu caminho cuidadosamente para não tropeçar. Mas todas sussurram em minha alma risadas que dizem que aquele lugar não é meu. Que todas aquelas folhas e pedras que adormecem junto a elas, as pertencem. Que o azul do céu é simplesmente assim, porque assim elas desejam. Todas brincam como se minha reação fosse inocente demais para que eu carregasse uma culpa. E dentro dessas mesmas brincadeiras, se pode perceber que a verdade aponta para os meus olhos. E nas vezes que as cores refletem uma escuridão noturna, eu já não posso mais voltar com a mesma sensação de encontrar um caminho novo. De estar em um caminho meu. As palmas, as batidas do coração, os sorrisos e tudo, são imitações daquilo que as árvores presenciaram antes da minha chegada. Fazendo de mim o eco de onde todos os outros já deixaram partes daquilo que os fazem únicos. Meu bolso, pulsando o peso das nuvens, conhece o desconforto que é uma chuva de mãos. Eu queria apenas poder me orgulhar como os outros. Sorrir e viver como outros. Eles amaram primeiro e, quando isso acontece, todo o resto parece perder um pouco desse amor que os primeiros tem por completo. E eu sou o último daqueles que ainda amam. Se é que ainda posso amar. Eu queria crescer nesse mundo de caminhos bonitos, flores tranquilas e sonhos distantes. Eles me fazem voar. O que eu consigo ao permanecer aqui, é roubar aquilo que não tem dono. Aquilo que pertence apenas a eles mesmos.

Quando eu não te vi

| domingo, 21 de novembro de 2010 | 0 comentários |
 
Perto das lembranças de um passado que você viveu
Seu fantasma permanece parado no mesmo lugar de quando te vi
Mas parece mais verdadeiro agora que estou onde você respirava
Eu posso te ver no vazio
Eu posso te sentir no silêncio
Você está do meu lado
Por muito tempo não te vejo mais aqui
E talvez todos tenham esquecido de você
Mas saiba que eu nunca irei te esquecer
Porque meu coração respira o seu fantasma

Fechando os olhos, eu consigo te ter
Com toda a perfeição ao seu lado
Mas não posso te tocar
Porque eu sei que não vou conseguir te guardar
E te trazer para a realidade, te tornar real
Quando você precisar, eu serei real ao seu lado
Apenas me faça vivo o bastante para isso
E isso você já faz.

Apesar do mundo que não posso mudar

| sábado, 20 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       Você pode ver o que está acontecendo lá fora? Olhe, a criança ainda troca risadas pelas diversões do palhaço. E ele mancha o rosto com um sorriso que não é dele. Os dias continuam caminhando em um horizonte que nunca conhecerá nossas mãos. A morte nasce quando as vidas adormecem. As pessoas acordam cedo e algumas tem objetivos de vida, mas todas sabem o que devem fazer. Os sons continuam acompanhando os movimentos, até aqueles mais discretos. Os alunos carregam as preocupações de fim de ano, mas se alegram ao saber que estão acompanhados pelos amigos. As mães insistem em segurar as almas dos filhos, mesmo crescidos, e os pais querem que eles se libertem. Os garotos disputam quem colhe mais flores, para ter um buquê que sobrevive apenas de aparências. As garotas tentam conquistar os cravos de todos os jardins. Os irmãos gritam ódios que cobrem carinhos. E quando algum deles se fere, protegem um ao outro como se fossem as últimas pessoas que se pertencem. As nuvens choram, fazendo os amantes continuarem se amando.
       Eu não consigo pegar todas essas coisas e te entregar. Mudar e desaparecer com tudo o que você não gosta no mundo. Com tudo o que apaga a alegria em seu rosto. Não consigo impedir que te façam conhecer a tristeza. A escuridão te acompanhando nas noites em que não consegue dormir, porque não consigo desenhar uma estrela no céu para você. Mas apesar de não ser muito, nós estamos aqui. Eu e meu coração. Tudo o que posso dedicar a você.

E outras vidas

| sexta-feira, 19 de novembro de 2010 | 0 comentários |

















Pele colorida pela luz
Sorriso lembrado pelo esquecimento
Olhos claros não salvam pecadores
Cabelos fracos não são vistos no espelho
E você nunca vai ter nada disso para te condenar
Perfeição brilha em seus olhos

Rosto destruído pelo tempo
Respirar demais é a única escolha
Corpo sem nenhum sabor
Ele nunca precisou de muito para se tornar nada
E você nunca vai ter nada disso para te assombrar
Beleza brilha em seus olhos

Fantasias baratas escondem a vergonha
Todas sujas pelo sangue de outros
Desejos que rejeitam a falta
Que devoram a alma
Sonhar não torna o vão, sagrado
E você nunca vai ter nada disso para se importar
Realização brilha em seus olhos

Mente não cultivada em linha reta
Gostos afastados pelo que é habitual
Reações cegas no mundo dos que possuem olhos
Gestos denunciam o que é incerto
Voz alta para pensamentos baixos
E você nunca vai ter nada disso para te reprovar
Liberdade brilha em seus olhos.

Espelho colorido

| quinta-feira, 18 de novembro de 2010 | 1 comentários |
       Eu tentei me construir no espelho. Primeiro eu colori as minhas roupas, minhas mentiras e meus desejos. Eu cortei meus cabelos, sorri e permaneci sorrindo, ao mesmo tempo em que minha alma chorava em algum lugar esquecido. Eu limpei a terra da minha pele, desenhei novos traços, novas formas. Eu cultivei um pouco de neve nesse novo boneco. Ele era tão leve, tão lindo. Se não fosse eu na frente do espelho, não acreditaria que aquele era o meu reflexo.
       Eu me afastei para andar sobre as nuvens, escorregar sobre os raios de Sol, brincar com o vento, porque nada poderia me quebrar... Não com aquele reflexo. Mas quando fui me alimentar do mar, eu vi - mais destruído que a própria imperfeição, mais imperfeito que a própria destruição - o meu reflexo antigo. Onde estão as cores? O sorriso, a neve, a leveza e a beleza, onde está? Eu os fiz no meu espelho e agora eles não estão comigo. Onde estão as mudanças?
       Eu voltei para o meu espelho. Elas estavam lá, todas as mudanças, e me perguntei se eu era o reflexo ou o refletido; se eu era o reflexo do meu próprio reflexo; se eu era uma criação minha ou daquilo que eu encontrei no céu, e enquanto não sei, vou continuar na frente do meu espelho. Porque nele eu estou leve, inteiro, bem desenhado. Pelo menos o meu reflexo ou o que eu sei e acho dele.

Sua falta ao me deixar aqui

| domingo, 14 de novembro de 2010 | 0 comentários |












Eu me lembro da sua promessa
Você disse que me levaria contigo, quando você se fosse
Não sei realmente se você disse isso para me enganar
Mas você conseguiu, me mergulhar em uma ilusão
E agora afogado em você, ela acabou

Você foi embora e não me disse adeus
Eu fui silenciosamente sentindo a sua falta
Falta das suas palavras, das suas conversas
Das suas brincadeiras, das suas risadas
Mesmo elas não sendo ouvidas, apenas escritas
Eu sinto falta de quando você me chamava de amigo
E eu te chamava de irmão, sem que você ouvisse

Como posso sentir falta de algo que nunca foi meu?
E você não é meu, nunca foi meu

Eu tentei seguir seus passos, te salvar do mal
Mas percebi que eu era o mal, o seu mal
Por favor, agora que você levou meu coração com você
Você não precisa fazê-lo bater
Apenas o esconda naquilo que todos chamam de esquecimento
Se isso te fazer sorrir

Talvez você não tenha ido embora
Apenas não chegou o dia de você me levar para longe daqui
Com você.

Lembranças, Histórias e Belezas

| terça-feira, 9 de novembro de 2010 | 0 comentários |
Lembranças de você respiram dentro de mim
Elas brincam com a minha mente sem se importar em me iludir
Onde estão as estrelas agora?
Nos seus olhos sorrindo para alguém
Alguém que não tem a minha alma, sequer o meu azar
Rindo ao ouvir a sua presença
Depois de todos os caminhos que escrevi
O que nunca ouvi foi o som de sua voz

Histórias de você são criadas dentro de mim
Imaginadas sem nenhuma força pelos meus sonhos
Levadas por um amanhecer que ainda te traz a mim
Leve como a brisa que nasce das asas de uma borboleta
E caminhando eu podia não estar sozinho
Naqueles dias andávamos juntos e você nunca soube disso

Belezas de você são desenhadas dentro de mim
E coloridas pelas mãos de sua perfeição
Todas elas são sombras incertas de você
Todas elas são fantasmas para te ter ao meu lado
Algumas são vistas perto de seu coração
Na mais bela maneira de tornar o mundo bonito
Invernos imitam a inocência de sua pele
Noites rezam para ter a escuridão de seus olhos.

Novas palavras

| segunda-feira, 8 de novembro de 2010 | 1 comentários |
       Eu não quero ver os seus olhos, seus cabelos, sua vida escrita por mim. Eu não quero te ver, por completo, em minhas palavras. As coisas sempre parecem mais tristes quando são contadas pelos que estão distantes. E eu estou muito distante de você, ao ponto de não saber o que é eu e a distância. Não sei o que pertence a você e a mim aqui dentro e isso me deixa um pouco tonto. Eu me lembro de quando os dias sussurravam seu nome em cada respirar da minha alma. As coisas eram ecos das batidas do meu coração. Meus pensamentos, oferecidos a você. E mesmo existindo as feridas, essas tinham a sensação de flores. Mas alguma coisa anoiteceu em mim e como uma mentira jogada aos famintos, minha essência escureceu todo o resto. Você estava em um lugar que não sei mais como encontrar. E não consigo sentir com as antigas palavras, porque sozinho eu não acredito mais no amor. Talvez por isso eu não consiga olhar suas inicias sozinhas, acompanhadas nessas páginas guardadas. As novas palavras pedem para serem escritas, mas eu não sei o que elas querem dizer. Não sei o que elas querem dizer sobre você e meus sentimentos continuam caminhando por aí em algum lugar sem mim. Eles estão com você, mas não posso te acompanhar. Meus olhos não conseguem te tocar onde a realidade se faz vivente. Mas eu ainda tenho os sonos e os sonhos para tentar me enganar. Encontrar você com meu coração enfeitado com meus sentimentos perdidos. E quando acontecer, eu poderei adormecer sem medo e te abraçar com minhas novas palavras. Porque saberei, não que você está de volta, mas que apenas meus olhos não conseguiam te enxergar nessa noite que vive um pouco mais que o ontem.

Sob a noite

| sábado, 6 de novembro de 2010 | 0 comentários |
Sozinho e sem ninguém para me sentir
A Lua pode ver o que eu estou fazendo por você
Fazendo do meu coração palavras
E talvez você nunca leia nenhuma delas

A noite que está aqui é a mesma que está te cobrindo?
Peça e talvez ela te diga
Tudo o que escrevo e sinto por você
Eu não precisaria te olhar
Apenas ouvir sua música preferida
E te amar

Eu entendo se você se afastar
Mas saiba que aqui sob a noite
Sempre existirá alguém te amando
Eu estarei te amando
Mesmo distante, como o céu e a Lua.

Quando se é guardado

| sexta-feira, 5 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       Era como uma caixa. Ele ouvia olhares, via pensamentos e sentia risadas. O pouco que mudava em seu rosto era o sorriso que aparecia quando ele percebia tudo aquilo. Uma gargalhada disfarçada de sorriso, tudo para não chamar atenção. Ela estava tão firme em seu rosto que parecia não se importar com aquilo. Mais uma nova piada para ser usada quando não tivesse mais assunto para discutir. Não era necessário, mas ele escondia os mais pesados no fundo e cobria com os sons risonhos. Quando abria se via palavras, ideias, histórias e alegrias. O cheiro de medo e dor acompanhava e deixada marca nos objetos que ali descansavam. Ele enfeitava tudo com nobres mentiras. Todas brilhantes, diferentes das lembranças que viviam na escuridão. O passado brincava com aqueles que não moravam na caixa, os sussurros os divertiam. Mas dentro, eles assombravam. As coisas ficavam quietas, deixavam de existir na mente dele, do seu próprio dono por pouco tempo. Ele permanecia fechado e nas vezes que tentava pegar sua solidão, ele perdia o controle. Nunca o pertenceu e mesmo sabendo que não ficaria muito tempo aberto, ele poderia tentar. Porque tudo aquilo estava guardado dentro de si.

Mal do mundo, inocentes e alguma emoção de matar

| quinta-feira, 4 de novembro de 2010 | 0 comentários |

















Nós somos inocentes daquilo que eles nos julgam
Mas tudo que o mundo lhes mostram é contra nós
Mas alguém tem que pagar
Alguém sempre tem que pagar
E nós fomos os escolhidos
Culpados por não serem iguais

E o mal triunfa quando bons homens nada fazem
Mas se você me amar tão dolorosamente como agora
Eu poderia pintar meu coração com crime e culpa até que a próxima chuva leve essas mentiras
Porque alguém tem que pagar
Alguém sempre tem que pagar
E nós fomos os escolhidos
Culpados por não serem iguais

Porque a emoção de matar é essa
Em sua mão direita você guarda o bom
E na mão esquerda você esconde o mau
Eu sei, isso não passa de palavras
Mas eles não sentem assim
Eu acredito em vocês
Mas alguém tem que pagar
Alguém sempre tem que pagar
E nos fomos os escolhidos
Culpados por não serem iguais

E mesmo com os olhos vendados
Você sonha que eles ainda estão vivos
Porque eles eram crianças como vocês
E crianças não tem todo o mal do mundo nos olhos
Mas alguém tem que pagar
Alguém sempre tem que pagar
E nos fomos os escolhidos
Culpados por não serem iguais

E como se ele estivesse dormindo
Ele protege o seu único amigo vivo
Porque os outros estão frios, apesar de estarem perto
E ao seu lado vocês ainda acreditam
Que nunca serão julgados por algo que não fizeram
Porque eu não o tenho e ele não sabe disso
Mas alguém tem que pagar
Alguém sempre tem que pagar
E nós fomos os escolhidos
Culpados por não serem iguais.

Dias de chuva

| segunda-feira, 1 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       Esses dias mostram que você poderia estar aqui, me aquecendo enquanto o frio cresce lá fora. E nos momentos em que os gritos de algum anjo alcançasse nossa casa, me fazendo tremer, você me abraçaria forte. E eu teria a certeza de que nenhum mal e nenhuma lágrima conseguiria passar os seus braços e chegar ao meu coração. Você me faria companhia justamente quando a solidão estava disfarçada de cinza sobre nós. E de repente, quando tudo se tornasse o silêncio, você o quebraria com uma risada sincera, de mim ou de qualquer lembrança que eu não soubesse, mas eu te acompanharia. Nós poderíamos nos conhecer melhor; eu fingindo ser mais velho e você voltando a ser mais novo. Nós brincaríamos, ficaríamos alegres, desvendaríamos segredos que eram feitos apenas para duas pessoas: você e eu. Eu contaria histórias, reais e mentirosas, somente para te impressionar. Assim você poderia escolher me achar menos chato. Eu deitaria em seu colo e você acariciaria meus cabelos. E em qualquer instante, eu te abraçaria o peito, para ouvir o seu coração bater. Você me empurraria e nos divertiríamos com isso. Eu diria que te amo, nos olharíamos e depois nos abraçaríamos. Você diria que também me ama. E quando tudo voltasse ao normal, o frio morrendo e a solidão se clareando, nós voltaríamos para nossas vidas sem chuva. Mas teríamos sempre um ao outro, porque você estava aqui. E nós pensaríamos que em nenhum lugar fosse possível tudo aquilo. Mas nunca foi real. Eu sempre estivesse aqui e você não.

Nossa tarde

| sábado, 30 de outubro de 2010 | 0 comentários |

Algumas coisas são filhas do acaso
Constroem-se sobre um tempo que parece lindamente bobo
Mas nada permanece o mesmo como no início
Nem aquilo que nos uniu, as estrelas e a Lua

Nossa única testemunha eram as palavras
Elas vagavam no silêncio em um caminho de dez nuvens
Cada uma iluminando aquilo que as mãos não podem ver
Tudo aquilo que o coração podia sentir
Mas que à distância o tornava cego

Linhas e linhas consumiam meu relógio
Indo e vindo como um sonho em um balaço infantil
Lendo emoções, escrevendo pensamentos
O que não se abraça com os olhos, talvez seja real à alma

Quando eu despertei desse sono que é não te ver
Eu percebi que lá fora brilha um Sol
Ele cobrava duas horas e uma espera para viver
Eu ainda posso respirar essa tarde como se fosse minha vida

Até nos perdemos em lutas desarmadas
E no fim não há vitória, nem derrota
Certo, nem errado
Apenas você e eu
Separados pelo orgulho de nos darem as mãos
Mas nos tornando Um pela vontade de estarmos juntos

Mas nada que tenha início permanece o mesmo
Depois que todo brilho adormeceu sob uma noite branca
Eu posso sentir a falta daquilo que o dia me tomou dos olhos
Tudo o que eu peço essa noite é que me traga você
E se não puder, que me traga a sua voz.

Querido diário

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       Parece que a noite sabe o que aconteceu comigo. Ela está tão silenciosa, muito quieta. Apenas as gotas lá de cima caindo no chão. Ele grita como se sentisse dor.
       Não sei como começo a contar esse meu dia que parece não existir no calendário. Ou eu não queira vê-lo. Talvez ele exista agora, novamente...
       Um novo dia começou e eu tinha que ir à aula. Não sei o que me acordou, se foram os empurrões rotineiros da minha mãe ou o sorriso que estava desenhado em meu rosto ainda preguiçoso. Eu não me lembrava do que sonhei, sabia apenas que tinha sido com ele. Ele poderia saber disso quando eu o visse. Não com esse sorriso inteiro no rosto, mas com um certo brilho no olhar. Somente o cheiro daquilo que eu guardava para ele.
       Então fui tomar banho e me arrumei depressa. Não comi nada, tomei o suco entre a cozinha e a sala. Deixei o copo com a minha mãe, a abracei e corri para o carro. Entrei e o olhar serio do meu pai me fez rir por dentro, era sempre assim, apesar da finalidade dele ser uma advertência para o meu atraso.
       O céu estava calmo. As nuvens vestidas de branco e cinza pareciam querer chorar. Não sei a razão. Elas ficavam tão lindas vestidas daquele jeito. Elas me acompanharam até a chegada. E foi mais rápido do que eu esperava; acho que olhar as nuvens me distraiu um pouco.
       Eu corri direto para o lugar onde sempre nos encontrávamos. Ele ainda não tinha chegado e eu tentava não ouvir as infinitas explicações para um "desaparecimento". O Sol já estava aparecendo tímido detrás das nuvens quando não pude mais esperar. Tive que entrar para a sala de aula.
       Quando entrei fui perguntando para os meus amigos se não tinham visto ele mais cedo, antes de eu chegar. Todos negaram e voltaram para a suas vidas. Como eles não achavam isso estranho? Como?
       Esperei até o intervalo. Nada dele. Voltei para a sala, já preocupada. Tentei prestar atenção nas aulas e nada adiantou. E finalmente tocou o sinal para ir embora. Quem sabe assim ele não apareceria, me libertando dessa angústia.
       Ao sair da sala, as pressas, senti uma mão um tanto nervosa segurar o meu ombro. A diretora me pediu que a acompanhasse até a sua sala.
       Ela começou com perguntas comuns de uma pessoa educada. Depois passou para as mais intimas, todas envolviam ele. Qual era a minha relação com ele. Como eu o tinha conhecido. Respondi todas, com um medo irracional dela ler a minha mente. Dela ver, não o primeiro sonho, mas a primeira sensação de sonho que tive com ele.
       Como aconteceu com as nuvens, me distrai com os livros que repousavam atrás dela. Eles eram menos perigosos do que as palavras dela. Era como se eu soubesse o que ela ia me dizer. Eu ouvia o que ela dizia, mas não compreendia por completo. Até que ouvi duas palavras que ela jogou sobre mim: "ele" e "morto". Ao ouvir essas duas palavras, perdi o sentido de mim mesma. Eu sentia apenas algo escorrendo em meu rosto e minhas pernas fazendo o caminho de volta para casa. Hoje eu percebi que decorrei esse caminho não por tê-lo feito repetidas vezes, mas porque ele me acompanhava o tempo inteiro ao percorrê-lo.
       Não sei o que aconteceu depois que cheguei em casa. Acordei agora, nessa madrugada, e senti vontade de dizer a você que sonhei com ele, mesmo você sendo apenas um diário. Ele nunca saberá disso. E eu nunca vou saber se algum dia ele sonhou comigo. Ou se ele teve alguma sensação de sonho dedicada a mim. Porque todos os dias que passei com ele, eu estive sonhando. E agora estou desperta sem ele.

Novos amigos inseparáveis

| sexta-feira, 29 de outubro de 2010 | 0 comentários |

Era tão real
Ao ponto de eu achar que estava ao seu lado
De me enganar, como se fôssemos os mais novos amigos inseparáveis
Eu surgi de um escuro silêncio
E no meio de uma confusão conhecida por mim
Naturalmente você estava lá, sem nenhuma razão aparente
Não me lembro, não sei se você me pegou pelo braço, me chamou
Eu lembro apenas de seus braços e os meus nos carregando
Minha presença respirando o mesmo ar que o seu
Nossos sorrisos eram filhos da mesma alegria
Ali parecia que poderíamos construir uma realidade em que eu e você viveríamos

Você me levou aonde parecia ser o seu lugar naquela confusão
Existia um pouco de você e alguns amigos
Era como se vocês fizessem parte do meu mundo
E fizeram, por mais mentiroso que tenha sido esse fechar dos olhos
Brincamos como se aquilo pudesse acontecer em qualquer dia do mês de Outubro
Eu falei aquilo que me veio à cabeça
E todos riram
E eu ri por estar perto de vocês

Então de uma maneira simples, eu me perdi em meio a um esquecimento
Quando voltei, você e nada do que me fez sorrir estavam lá
Tudo perdido.

Na terceira vez

| quinta-feira, 28 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Eu respirei duas vezes, na terceira já não sabia quem eu era
Eu sorri duas vezes, na terceira já era uma lágrima
Eu me olhei duas vezes, na terceira fiquei cego
Eu brilhei duas vezes, na terceira já não tinha luz
Eles me perguntaram duas vezes, na terceira já não tinha certeza
Eu rezei duas vezes, na terceira já não tinha fé
Meu coração bateu duas vezes, na terceira já não tinha sangue
Eu vivi duas vezes, na terceira morri
Eu tentei duas vezes, na terceira não tinha mais chance
Nem escolha.

Onde eu irei te encontrar

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       Eu não lembro das brincadeiras de uma noite de olhos fechados, mas estou pensando em dormir. Não para descansar e depois deixar o Sol cegar os meus olhos por alguns segundos de uma manhã clara. Mas para, ao menos, tentar te encontrar onde podemos dar as mãos. Lá eu posso sorrir. Lá você tem uma voz própria, um olhar próprio, um sorriso e uma presença própria. Todos criados por mim pela necessidade de querer seus abraços, de não estar sozinho ao chamar o seu nome. De escrever com minha voz tudo aquilo que meu coração me conta sobre você. Não sei se ao apagar as luzes eu te encontrarei atrás de minha mente. Ao fechar os olhos, espero que o seu sorriso comece a brilhar dentro de mim. Eu amo o seu sorriso.

Limitação humana

| quarta-feira, 27 de outubro de 2010 | 0 comentários |
       Às vezes minha integridade se derrama pelas palavras de algo raivoso. E como se me atingisse corretamente. Falam daquilo que gosto, daquilo que me cerca. Daquilo que somos. Limita-me a gostos e palavras. Os livros que aprendi e guardei na minha cabeça desaparecem como se não existissem. Eu sei, não foram muitos os literários e muitas pessoas acham que sou inteligente por isso. Mas é como se por alguma diversão tudo perdesse a valia. Como se as pessoas não pudessem transitar sobre duas ou mais ideias. Se você é isso não pode fazer o que aquilo faz. E se você é aquilo não pode fazer o que isso faz. Porque se você em alguma vez, de alguma maneira, transgredir essa linha você já não é visto com bons olhos . E criamos um novo nome onde essas pessoas possam morar. Sempre que um ou outro indivíduo ultrapassa linhas e mais linhas tênuais de identidades pré-determinadas, ele é jogado lá, sozinho. Deixado para que paguem pela sua audácia de não se limitar. O novo não pode caminhar com o velho, porque se não o imita; não pode rejeitá-lo se não assombra, nem ser inerte a ele, porque estaria insensível a ele mesmo. Não temos mais saída, a não ser o julgamento. A maioria das pessoas se delimitam a coisas e param por aí. São as intocáveis mentes que não podem gostar de algo mais ordinário, porque deixarão de ser serias. Filósofos que se acham superiores, porque pensam compreender o Ser mais que os meros mortais incapazes de pensar. Matemáticos, Físicos e Químicos que acham que nada mais importa a não ser suas fórmulas e os conceitos. E mais uma infinidades de grupos que se evitam. Um se achando mais importante que o outro. Um desdenhando aquilo que não lhe é compreendido, aquilo que não lhe é saboroso aos lábios. E quando um deles tenta experimentar aquilo que não é comum em seu mundo, todos os outros olhos o condenam por tamanho pecado. Uma espécie de traição da própria natureza. Por que eles ao invés de arregalarem os olhos e de uma maneira dramática dizer que se decepcionaram com aquela atitude, eles não fazem o mesmo? Talvez o medo. O medo de ser comum. Porque nós somos, apenas não aceitamos isso.

Se eu não estivesse longe

| terça-feira, 26 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Já se passou da meia noite
Agora eu tenho a certeza que o dia é inteiramente seu
Apenas sonhe, hoje é o seu dia
Eu poderia escrever o seu nome no céu e dizer que ele é seu
Eu poderia fazer crianças sorrirem, guardar o sorriso delas e te entregar
Eu poderia fazer com as estrelas um caminho
Que te levasse para onde você conseguisse rir
Eu tenho certeza que a felicidade te acompanharia
Ela ama o seu sorriso
Eu poderia sussurrar para a noite te dar bons sonhos
E também para que os bons sonhos te dessem Boa Noite
Eu poderia brincar com a Lua e rezar a ela que te cobrisse com a inocência dela
Eu sei, ela se tornaria escura e sentiria frio
Mas eu posso guardá-la em meu coração enquanto você dorme, não se preocupe
Eu poderia chamar dezenove estrelas cadentes para darem as mãos e fazer do seu dia um pouco mais longo
Para que você sorrisse mais, sonhasse mais
E no fim, você poderia apagá-las e fazer das nuvens um doce para as suas palavras
Eu poderia pedir o vento que te abraçasse e fizesse cócegas em você
Também pedir ao Sol que tocasse carinhosamente em seus olhos
Dessa maneira eles nunca parariam de brilhar
Porque o mundo precisa dessa luz

Se eu respirasse perto de você, eu poderia fazer tudo isso
Mas como a distância é minha amiga
Tudo o que posso é te dedicar esses versos
Desse ninguém desconhecido que te admira

Se você sentiu rosas e um vermelho por esses versos
Setecentas e setenta e sete vezes sete desculpas eu te peço
Mas se você apenas as encontrou
Desculpe pela estranheza e não se preocupe
Eu as deixei cair enquanto escrevia
Elas pertencem a mim.

Apenas a procura

| segunda-feira, 25 de outubro de 2010 | 0 comentários |
       Somos criaturas. Nada mais do que isso. Tentamos nos agarrar a tudo, para termos razão de viver. Porque sim, nós não temos nada. Nem inspiração, razão de viver e muito menos amor. Porque tudo isso são sonhos nossos. E o que são sonhos? Não sei se são reais, fantásticos ou simplesmente existentes. Ou inexistentes. Porque lá eu posso voar, mas da mesma forma sinto dor. Como algo que não existe pode ser tão real? E como algo tão real pode não existir? Viver pode ser muito menos que isso. Respirar. Talvez isso resuma tudo que diferencia o que está vivo e o que está morto. Mas o que está morto pode existir, em algum lugar. Seja ele palpável as mãos ou aos pensamentos. Mas está lá grudado, confundido até mesmo com o cenário daquela confusão. Porque respirar não justifica a existência de algo. Muitos de nós vivemos apenas respirando. Outros vivem sem respirar. Poucos até não existem e ainda respiram. Alguns não respiram, não existem e estão vivos. Nada não pode justificar tudo. Como tudo não pode justificar nada. Caminhamos procurando motivos, sorrisos, lágrimas em tudo. Porque é assim, e somente assim que trilhamos esses sonhos. Esperamos ganhar sempre algo de alguma coisa. Seja uma ferida, uma alegria, um prazer. Não estamos preparados ao não receber. Fomos feitos, criados, crescemos para o único fim de dar e receber coisas. Boas ou más. Tristes ou felizes. Mas também podemos fazer isso sem termos escolhas. Porque não conhecemos nada além disso. Nada além disso tudo. Porque até a vida quer uma coisa de nós: a nossa morte. Se queremos algo, é porque aqui já não temos mais isso. Mas durante todos os tempos que os Homens vagam solitariamente acompanhados, eles buscam algo. E nunca acharam. Foi o amor para a vida inteira, a estabilidade financeira, a felicidade. Onde está tudo isso? Onde está pelo menos um pouco do caminho para essas conquistas? Não existe. Não respira. Não vive. Porque nada disso nos pertence de verdade. Nada disso foi feito para ser encontrado. E sim, procurado.

Como um rio

| domingo, 24 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Não precisei fechar os olhos para sentir a dor da escolha
Talvez porque a sua ausência me lembra uma ausência minha
Que eu criei em um passado não tão inocente quanto as suas asas, anjo
Seu sono será uma eterna noite para a vida dos que te amam
Boa noite

Não sei a razão de coisas assim acontecerem
Estrelas esquecerem de brincar com o céu
Mas eu sei, você não esqueceu de brilhar, apenas adormeceu tempo demais
Agora você não consegue voltar
Seu sonho será um lindo pesadelo para os que sorriram com você
Bons sonhos

Ela ainda procura uma maneira de te salvar
Mas por dentro o seu ar é tão vivo quanto o coração dela
E apesar de suas mãos estarem tão frias como um rio
Sua alma pode ser vista caminhando por essas palavras
Sua lembrança será um doloroso conforto para os que aqui ficaram
Adeus.

Vinhos e vinagre

| quarta-feira, 20 de outubro de 2010 | 0 comentários |
        Eu vejo o mundo se movimentando a minha volta e não tenho nada a fazer. Nenhuma palavra a dizer, só sentimentos a sentir. Eu vejo sonhos sendo construídos, histórias sendo escritas, mas não tenho tijolo algum desse livro, não tenho sono desse enredo. Uma mochila de risadas e conversas caminhando por um estrada triste. Eu não sou o dono de nada disso; não posso vender nada além de incertezas. Não posso comprar nada. O dinheiro aqui é a ousadia e eu não consigo dar o primeiro passo. A mente se torna o vinho, que a cada segundo se torna mais saboroso. E eu sou o vinagre; conhecimentos estragados pelo erro de conservação. Minha direção presa por muitos passos não escritos, por papéis não caminhados, que me fazem ver coisas muito além das nuvens. Porque as escolhas colocadas cronologicamente abaixo dos pés permite isso. Mas o ver não é o mesmo que tocar e minhas mãos presas por um veneno cômodo me obrigam a adormecer assombrado comigo mesmo. A diversão está em desenhar coragem no medo de errar, mas não tenho estrela para traçar um destino, muito menos lápis para criar um sorte. Algumas solidões fazem tropeçar e eu não posso negar que algumas pedras são minhas únicas companhias aqui. Uma chuva de mãos dadas, bocas que se interrompem, vidas que se entregam, seja para outras ou para si mesmas. Tudo isso é o que tenho visto durante um tempo que eu não sei quando nasceu. Sequer sei quando isso vai morrer.

Dezoito rosas para você

| domingo, 17 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Se eu pudesse te dar um presente, nesse seu dia
Eu te daria dezoito rosas brancas
Cada uma significando os Invernos que você sobreviveu
Nos corações dos que te amam
Eu as pintaria com o meu sangue
Dezoito gotas para dezoito Primaveras
Eu as enterraria na Terra do Nunca
Para que o Outono nunca as fizessem crescer e perder as folhas
Lembrando sempre de regá-las com as minhas lágrimas
Então não precisa sofrer, nem chorar, eu farei isso por você
Porque esse é o seu dia, o seu mundo
E eu pertenço a você, apenas a você

E quando você ver uma rosa vermelha
Lembre sempre que ela é um presente meu para você
E que eu sempre estarei ao seu lado
Mesmo você não sabendo quem sou
E nesses versos eu trago o seu presente
Dezoito rosas para você
Mesmo elas nunca sentindo o sabor de suas mãos
E a leitura de seus olhos.

O que eu fiz desde o início

| sábado, 16 de outubro de 2010 | 0 comentários |
       Não preciso de previsões, nem de esperanças, porque sei o que me falta e o que eu deveria ter feito desde o início. Não peço palavras que me animem, não peço sorrisos, muito menos verdades. Porque além delas estarem diante dos meus olhos, elas estão em um lugar onde o barulho mais alto não pode disfarçar e o silêncio mais profundo não pode calar. Estão dentro de mim.
       Manhãs, tardes e noites escondidas em um lugar que não consigo encontrar. Não tenho certeza, mas acho que naqueles dias eu fiz o meu melhor. Mas não foi o bastante para me deixar livre. E eu sei, tentar consertar pode me fazer continuar, mas nada do que perdi nesse tempo vai vim com o mesmo sabor. As brincadeiras poderiam ter sido feitas depois de uma dose de responsabilidade. Mas sempre achei que teria mais um minuto antes da meia noite. Então brinquei até me confundir as risadas, até não ter mais ar para dizer o meu nome. Esqueci de tudo, por isso, e mais algumas coisas, perdi a hora. Quando percebi já era um novo ano, uma nova estação. De nada mais adiantava fazer o pedido para que tudo desse certo, porque o minuto que separava o Novo do Velho não foi sentido. Assim permaneci o mesmo em uma nova cama de neves, flores, folhas e calores. Sempre caminhando um passo atrás daqueles que decidiram guardar o sorriso e comemorá-lo quando o ano já estivesse passado. Acho que todos somos assim um pouco.
       Agora posso ver isso, porque onde eu estou tudo é necessário. E o pouco que guardo em meus bolsos não é o bastante para preencher minha mente. Tentarei sobreviver a isso, quem sabe eu consiga preencher os cadernos em branco, terminar a borracha e resumir a vida em apenas algumas fórmulas.

Abraços, beijos, silêncio e tragédia

| quarta-feira, 13 de outubro de 2010 | 0 comentários |
        Era certo. Tudo estava diariamente no mesmo lugar; as coisas aconteciam da mesma maneira como todos os dias. Ele e seus sonhos rudes eram trazidos à vida com a ajuda de sua amada. Sempre assim: as mãos carinhosas dela acariciavam os seus pensamentos e depois que a vida abria os olhos dele, beijava em sua boca e dizia que o amava. E com uma rapidez preguiçosa,  ele colocava os pés no chão frio, sorria para ela e ia direto para o banho. Ela havia se acostumado com isso...
        Depois de toda a casa ser preparada para a saída dos dois, a separação era inevitável. Ela trancava a porta, olhava para ele acreditando que aquele dia seria diferente. Ele tomaria a atitude. Não, ele não tomaria a atitude. Então ela de um jeito tímido, mas confiante, o abraçava com muita força. Não ao ponto de deixá-lo sem ar, mas para sentir o coração dele bater perto do seu. De início ela sempre fechava os olhos, mas era forte de mais - e até prazeroso - a curiosidade de ver os braços dele pesando em sua frágil estrutura. Qualquer cansaço era plausível naquela situação. E para terminar, um beijo e um novo "te amo" eram entregues a ele. Ele retribuía com um silêncio.
        Passos separados e estavam todos ocupados. Ela sempre chegava no trabalho atrasada, os abraços e beijos distribuídos pela casa até a entrada lhe ocupava muito tempo. Mas era para o bem dele... Ela já não tinha certeza disso. Sentava às presas em sua solitária mesa e resolvia o que os papéis lhe pediam. E o relógio parecia querer que ela saísse logo dali, mas antes disso tinha que escrever o que suas lágrimas queriam; elas não podiam sorrir ali. Então quando seus amigos vieram chamá-la para mais um almoço de conversas engraçadas, ela disse que podiam ir. Ela precisava apenas de um tempo e depois os alcançaria.
        Pegou papel, caneta, alguns sentimentos e começou a escrever para o portador de seus abraços e declarações. Não sei ao certo o que ela escreveu, lembro apenas das seguintes palavras, que eram as finais de uma folha completa: "Não sei se o que faço para você é o bastante, mas faço o meu melhor. Eu queria apenas que você me beijasse como te beijo e dissesse que me ama como te digo. Mesmo sendo uma mentira, queria ouvir isso de você. Ao menos uma vez; uma vez antes de tudo isso ter um fim. Deixo aqui mais um Te amo não respondido. Te amo". Terminado de escrever, deixou a marca de sua boca no papel. O batom tinha cheiro de verdade.
        O engraçado era que ela nunca pegava a sua agenda, muito menos antes de ir almoçar. Mas assim ela fez, colocando dentro a carta dobrada. Ela segurava a agenda perto do seu coração.
        Tentou conter a sua leveza atual, estava andando um pouco apressada demais para ela. Deixou a sua atenção e um pouco de tristeza em sua mesa. Talvez por isso ela foi atropelada sem menor piedade por um carro mais leve que ela. Quem sabe ele não tenha deixado um pouco mais de atenção e tristeza em sua mesa... Com a mesma espontaneidade que o sangue surgia de seu descanso, uma multidão descontrolada se formava em volta da agenda lindamente colocada ao lado dela. E apesar da carta sentir vergonha de aparecer, metade de sua alma estava exposta. Um grande espetáculo onde só existia uma artista...
        Em meio a multidão, sem entender o que estava acontecendo, surge o segundo artista. O portador de todo o amor dela. Ele correu para tentar salvá-la daquele pesadelo; era visível lágrimas em seus olhos. E contra a vontade dele, mas a pedido dela, ele leu, clara e velozmente, a carta. Era lindo o sorriso no rosto dela. Uma mistura de amor e orgulho por conseguir aguentar o tempo que ele precisava.
        Quando a mente dele decifrou a última palavra daquela sincera carta, ela já estava adormecida. Com um sorriso no rosto. E tudo que ele conseguia fazer era abraçá-la e dizer "Eu te amo"...

Tardes e noites sem você

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       Queria mais um dia daqueles, onde eu não precisava sentir sua falta. Eu encarava como uma provocação. Uma vontade, a minha, de te ver de novo lutando com mais uma tarde e uma noite sem o seu rosto. E quando o dia seguinte nascia de uma escuridão demorada, acordava sem entender como eu conseguia sobreviver a mais uma noite sem sonhos. Todos esses pertenciam a você. É, o mais difícil era que mesmo aguentando cada noite como uma nova vida, eu não podia mandar nada para você. Sonhos não podem ser escritos, mas sim sentidos. Eu não conseguiria fazer o papel te dizer tudo aquilo que a noite me contou, os lugares onde as nuvens me levaram. E na falta delas, as estrelas me faziam sorrir apenas para que eu não sorrisse sozinho.
       Eu não me lembro do dia. Você foi se tornando real na minha vida ao ponto de não me lembrar de quando não existia aqui, dentro de mim. Mas lembro os dias que eu chegava em uma manhã ainda calma, passava pela porta que te escondia - às vezes sim, às vezes não - para tentar te olhar. Ver o seu rosto silencioso, quieto. Eu poderia fingir que ele estava lá para mim, por mim. Simplesmente me esperando.
       Naqueles dias eu não tinha você para abraçar, para sorrir, contar histórias, nem para ouvir sua voz. Mas eu tinha você ao alcance dos meus olhos. Isso já me acalmava muito, saber que você estava a salvo, mesmo o mundo não sendo um ar tão bom de se respirar. Agora que eu não te tenho de frente aos meus olhos, faço do branco de sua ausência a cor da minha alma.

Quando crescemos

| terça-feira, 12 de outubro de 2010 | 0 comentários |
        Nosso céu não é mais azul. As nuvens não são mais de algodão-doce, nem um buraco no chão nos faz querer ir para o outro lado do mundo. A Lua não pode mais ser comida, porque descobrimos que ela não é de queijo. A segurança que a mão de uma mãe nos dava já não faz mais sentido. As vontades de sermos um cavaleiro que adormece monstros ou uma princesa que espera pelo seu amado com um vestido rosa se vai na água de algum banho sozinho. Os amigos se tornam diferenças, nossos iguais, e deixam de ser pessoas. Desconhecidos não são mais gigantes, e sim estranhos. O espelho deixa de ser mágico e se torna tudo o que nos preocupa.
        Não sabemos quando ou como isso acontece, porque não somos avisados, sequer preparados. É tudo muito rápido, tão de repente. Um piscar de olhos. Uma batida do coração. E já estamos em um mundo que tudo parece um tanto mais cansativo. Correr em um chão que suja os nossos pés descalços, manchar as roupas com risadas lamasentas.Tudo isso já não é mais diversão, mas inquietação. Porque temos que mostrar nossos tênis e nossas roupas mais caras que a nossa própria alma. Chorar deixa de ser uma coisa comum a todos para se  transformar em fraqueza, porque meninos não choram e meninas o fazem o tempo inteiro. Ignoramos o colo do outro, porque somos fracos demais para admitir que um dia já fizemos isso. Fazer de uma caixa de papelão uma nave espacial, um galho de árvore uma espada ou até mesmo falar o nome do seu personagem favorito como se fosse o seu é proibido. Imaginar, sonhar, são atitudes simplesmente escondidas dentro dos bolsos para que não nos envergonhe na frente da roda de pessoas.
        Deixamos a inocência infantil de fazer cócegas, de nos dar as mãos, de nos colocar no peito do outro apenas para ouvir um coração que não seja o nosso. Tudo isso se tornou incômodo, o abraço um ato assombroso. Talvez pensamos que por trás disso exista um desejo maior, onde nossas mãos não podem tocar, mas nossa mente se divertir. Porque nos importamos com o que vão falar se nos verem abraçados a outra pessoa, seja ela ou ele. Porque há um bom tempo perdemos a nossa linguagem infantil e incompreendida por aqueles que estão mais perto do céu para vivermos em um lugar onde nossas palavras podem levar para mais de um caminho.

Duas horas, uma vida e tudo perdido

| segunda-feira, 11 de outubro de 2010 | 0 comentários |
      Duas horas perdidas com conversas desnecessárias, brincadeiras infantis, ciúmes e provocações tão exageradas que chegavam a riducularidade. Foi assim que me senti o tempo inteiro, enquanto as horas do rélogio corriam contra algo que sempre me fugia aos olhos. Eu tinha planejado como colocaria cada coisa em cada lugar do tempo. Primeiro iria abrir os olhos como de costume, jogar palavras ao vento. E depois de quebrar a minha rotina caminhando sobre um chão solidamente quente, eu poderia voltar ao meu mundo que os outros diziam ser juvenil. Mas nada disso aconteceu. Perdi o controle daquilo que eu já sabia nunca ter tido nas mãos. Encantar-se com as vozes, as risadas, o divertimento que não pertence a você. Tudo nos encanta e talvez por isso, somente por isso, perdemos duas horas desse dia. E mesmo sabendo, mesmo repetindo muitas e muitas vezes, eu ainda me deixei calar, me fiz levar por um caminho que não tinha pedido. Um caminho que não era inteiramente meu. Sim, porque eu me guardei, me fiz mais criança do que meu rosto permite. Eu segui passos invisíveis e por isso me acharam menos perigoso. No começo achei que seria fácil, rápido. Mas o tempo foi me afogando em uma necessidade imensa de me controlar. De controlar tudo que pertencia a mim, ou, o que eu achava pertencer a mim. Porque para mim estava claro, nada daquilo deveria estar acontecendo. Eu deveria me manter comigo e não me perder nos outros. Eu não deveria ter perdido duas horas e uma vida. Não daquela maneira.

Finja estar aqui

| domingo, 10 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Você pode fazer o que está em minha mente real?
Não estou pedindo o seu amor
Eu quero apenas que você faça existir as nossas conversas
Que você me dê mais uma chance para te decepcionar mais uma vez

Não espere até depois da meia-noite para isso
Não espere um novo ano para me dar a mão
Você sabe a ajuda que eu preciso
Então feche os olhos e finja estar aqui

Você ouviu os gritos das minhas lágrimas?
Eu quero fingir acreditar em você mais uma vez
Talvez eu aprenda a acreditar nas minhas mentiras
Eu e você

Enquanto eu não adormecer ao seu lado
Eu sei que tudo estará respirando a salvo
E acordado, não consigo sonhar
Suas palavras me tiram o sono
E de tudo que eu nunca tive.

Estrelas azuis

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Desde muito cedo eu tentei me igualar a eles
Nunca consegui, mas cheguei perto
As estrelas azuis eram sempre minhas
Mas eu nunca consegui realmente

No silêncio eu me machucava e eles me gritavam por outro nome
E quando eu chegava em casa, em um dia sem asas
Tudo o que eles queriam era o céu que não completei
E a única estrela em minhas mãos perdia o brilho que tanto me encantou

Quando se é muito diferente
Tudo pelo o qual você respira é a recompensa desse mal

E crescendo nada mudou
Apenas as noites ficaram mais longas
E a escuridão um pouco mais escura
E quando se passavam cinco minutos da meia-noite
Nenhuma luz podia resgatar o que me foi perdido

E por saber que eu nada poderia fazer para resgatar o amanhecer
Eles gritavam e me faziam sangrar
Com os olhos fechados, eu procurava a recompensa desse mal.