Epicentro

| sábado, 21 de novembro de 2015 | 2 comentários |













Por um curto e também longo período,
Sou o umbigo do mundo
E sinto as ansiosas ondas cavalgando sobre mim.
Um animal selvagem me consome: –– É o perigo chegando!
Mas eu não sei o quem, nem o que, apenas o agora.
Torna-me vassalo de um senhor que não é outro,
Mas é todo e limite; uma matéria que não é pedra, mas carne.
Surjo, então, como hipocentro do meu próprio corpo e, de repente, a Pangeia se divide
Entre o desespero e a vergonha, a luta e o medo, a queda e o vexame.

Este não sou eu: os gritos que escapam se emprestam do meu organismo, mas não sou eu quem 
[grita          
Apesar de estarem próximos, ninguém acredita em mim,
Oferecendo uma ou duas gargalhadas pontiagudas em silêncio.
É nesses ensejos que eu queria ser um passarinho singelo
Abrir as asas sem causar muitas tempestades nos outros lados da vida...
Não sou... E mesmo com o desejo de escapar, desviar sem ver a quem,
São os pequenos pesos dos sonhos futuros, frágeis como a promessa do amanhã,
Que permitem que a destruição me volva o solo para os dolorosos tremores.