Ódio & Amor

| quinta-feira, 17 de novembro de 2011 | 0 comentários |















Se eu pudesse escolher, escolheria morrer por você
Para que nos caminhos futuros você pudesse transformar
Esse ódio colorido de verdade em uma mentirosa história de amor

Nós compartilhamos da mesma loucura
Guiando-nos nessa vida que se disfarça de escuro
Mas enquanto eu sou o amor doente, você é o ódio saudável
Em um doce dia, ambos acabarão um com o outro
Então venha comigo para que caminhemos juntos
Mesmo que seja para você me odiar um pouco mais e eu apenas te amar
Nós poderemos esperar o nosso fim sorrindo
Assim talvez entreguemos o que fazemos de melhor
Eu tornaria seu ódio um tanto doente e você, meu amor mais saudável

Se minha morte fosse um sacrifício para seu ódio
Ao menos eu teria o brilho dos seus olhos como eternas estrelas
Seja banhado por um estranho amor ou um conhecido ódio
Ao adormecer sob o céu anoitecido da eternidade.

Madrugada

| quarta-feira, 9 de novembro de 2011 | 1 comentários |

Hoje assisti as horas passarem com os pensamentos em você
Como acontecia nos meus mais esperançosos dias
Outra vez o sabor do seu nome se formou em minha boca
Sem ninguém para ouvi-lo, ele permaneceu sozinho por dentro
Suas iniciais foram desenhadas no canto de uma folha branca
E ao fechar os olhos, as páginas da minha mente mudavam sem pressa
Mostrando as congeladas imagens do seu rosto, minhas únicas lembranças
Eu pude sonhar que elas respiravam, que eram vivas como o meu amor
Que eu estava do seu lado ocupando o lugar do vazio ou de outra pessoa
Eu pude fingir que aqueles sorrisos, aquela luz no olhar, eram para mim
Com o coração cheio de promessas, senti-me inteiro novamente
Mas eu sei que esses suspiros são ilusórios, passageiros
Logo o despertar iluminará os pedaços que ainda sobrevivem
Já é tarde, as estrelas brilham mais do que qualquer falta
Porque o Sol já se pôs e você também.

Flor

| domingo, 6 de novembro de 2011 | 0 comentários |














A nuvens informes caminham sem tocar os pés no chão
Coisa essa que nunca aprendi por ser pesado demais
Pedaços de lágrimas caem rápidos sobre a acostumada vida
Levantando os erros de tentativas passadas em forma de ventania
E a única flor que me resta viva
A razão de ainda permanecer, mesmo deserto
Hesita-se em adormecer ou morrer.

O semeador

| quarta-feira, 26 de outubro de 2011 | 0 comentários |

       Não é importante citar o quando e o onde isto aconteceu, porque tempo e espaço não são coisas que o coração compreende; não quando esse quer desenterrar uma lembrança ou inventar uma fé em um futuro incerto. E para compreender o que está por vir é necessário enxergar com o coração, não única e simplesmente com os olhos e a mente.
       Era um menino de aproximados cinco anos de idade. Vestia-se com roupas muito gastas, às vezes rasgadas, outras manchadas, mas sempre bem colocadas. Mesmo sendo coxo e tendo no rosto uma deformação, ele não deixava de ser lindo; talvez nem fosse tanto, mas a alegria que ele exibia tornava as coisas mais amenas. Ele surgia todos os dias naquela mesma rua, naquele mesmo horário, junto de sua cestinha coberta por um fino pano florido. A rua era extensa, permanecia deserta e apresentava grandiosas e bonitas casas. Sua chegada era tímida, porque ele sabia que não podia competir, de qualquer maneira, com nenhuma delas. Como era muito pequeno, logo ele arranjava algo para alcançar as campanhias. No primeiro dia em que ele começou suas visitas, apenas uma das casas abriu suas portas:

      - Com quem... - A empregada parou sem entender a razão de uma criança estar na frente da porta, mas continuou - O que você quer menino?

       - A senhora é a dona da casa? - Perguntou o menino que até então estava de cabeça baixa mexendo em sua cestinha - Se a senhora não for, poderia chamar o dono? Porque tenho um presente para ele - E levantou o rosto sorrindo para a mulher.

       A mulher ficou assombrada, não imaginava que o rosto de uma criança poderia repousar marcas tão profundas. Ela se refez, tentando não passar o susto ao falar com o menino:

     - Não... Não, sou a empregada. Mas não posso incomodar meu chefe por causa de uma criança - Sumindo atrás da porta, começou a fechá-la.

      - Por favor, por favor... Peça que ele venha até aqui. Fale que é algo muito importante, um presente, mas que só posso dizer a ele o que é - Disse sorrindo.

       - Está bem. Só não prometo que ele virá.

       Os motivos que a fizeram fechar a porta querendo que ela abrisse novamente foram maiores do que a pena que sentia do menino; os passos rápidos em busca do seu chefe mostravam isso. Enquanto ela dizia quem o esperava lá fora, ele já arrumava todos os materiais que seriam precisos. Apesar da empregada ser muito querida pelo chefe e ter uma ótima persuasão, ele era um bom homem, foi isso que o fez ir verificar que presente era esse:

       - Prazer linda criança, eu sou o dono da casa -  O homem era alto, tinha uma voz forte, agradável e nos lábios um sorriso sincero aparecia. Os olhos dele pareciam pequenos quando sorria - Minha empregada me disse que você me esperava. E que tinha um presente para mim... Hum, que presente é esse?

      - Muito obrigado por ter me recebido, senhor. São flores - Ao falar isso, mostrou um pacote de sementes - Eu queria plantá-las na frente da sua casa. Não precisa pagar. Mas um aviso senhor, eu cuidarei delas até conseguir semear todas as casas da rua. Quando isso acontecer, as flores serão totalmente suas. Posso, senhor?

        - Claro, claro!

       Com a resposta, o menino foi apressado escolher o lugar da fachada onde plantaria as sementes. Foi vendo-o caminhar que o homem percebeu que além do rosto doloroso, ele também carregava o fardo de ser coxo. Por mais estranho que isso seja, o homem se encantou com toda a cena; decidiu então ficar ali assistindo todo o espetáculo. O menino parecia estar mais em uma brincadeira do que em uma séria ocupação, mas isso não significava que ele a fazia sem dedicação. A pouca idade não anulava a habilidade profissional ao mexer com as sementes; as pequeninas mãos exalavam um carinho maior do que ele ao manusear toda aquela natureza. Eu não sei dizer quanto tempo se passou, porque certamente ambos não tiveram a mesma percepção. Mas já é sabido de todos: quando vemos ou fazemos algo que nos é apreciável, a demora parece muito rápida; um segundo de uma eternidade. Terminado o trabalho, o menino se despediu do homem e esse sabia, ao ouvir o som da porta sendo trancada, que todas as coisas estavam diferentes.
       E ninguém mais quis ser presenteado, não naquele dia. Ele continuou voltando para a sua solitária procissão pela rua nos outros dias, mas as coisas não se faziam tão fáceis assim. Haviam aqueles que nem esperavam a fala do menino terminar para dizerem um "não" e fecharem a porta; outros nem ao menos o ouviam. Alguns chegavam ao ponto de o humilharem, ofenderem e até o empurrarem para longe da entrada da casa. Adultos são dessa maneira, ignoram o que os pequeninos dizem, mesmo quando se pode tocar a verdade na cor dos olhos deles. E se essa verdade colorida os incomoda, eles a afastam de si mesmos até não poderem mais vê-la.
       Diferente das outras portas que nunca se permitiam entrar, uma se fez tão impenetrável quanto os sonhos de outro coração. Era uma das casas mais bonitas, para não dizer a mais, e o seu tamanho era proporcional à sua beleza. Banhada por um branco nunca visto pelo menino, ela parecia brilhar quando o sol também resolvia olhá-la. Os toques amarelos que nela repousavam davam a impressão de serem feitos de ouro, as janelas mostravam cortinas escuras e pequenos desenhos se espalhavam pela construção, chamando a atenção pela delicadeza que eram feitos. A pergunta se aquilo era uma casa ou uma obra de arte passou mais de uma vez pela curiosidade do menino, não ouvindo resposta, ele resolveu não entender, somente tentar semear suas sementinhas.
       Nos primeiros dias, nenhuma alma, boa ou má, apareceu. De início, o menino pensou que os ocupantes poderiam estar ausentes e como havia muitas casas para presentear, foi ao encontro delas. Semanas passaram, boa parte daqueles que o trataram mal, se renderam e permitiram que plantasse em suas fachadas. Esse resultado poderia ter vindo do maravilhoso trabalho dos que permitiram sem recusa o agrado ou, quem sabe, por vizinhos terem elogiado o menino em conversas. E todas as casas estavam jardinadas com as mais belas flores, faltando apenas aquela que nunca abriu suas portas para desejar uma boa vinda, muito menos um gritado adeus. Ele cuidava de todos os jardins como havia prometido aos donos, que sabiam que o cuidado pararia quando a única casa restante fosse semeada, deixando por último essa que ainda não o permitia retornar para lugar algum.
       Sempre que chegava, enquanto tocava a campanhia, ficava admirando a casa que parecia um palácio. Em um desses instantes de admiração, o menino viu a sombra de alguém aparecendo na janela, mas que desapareceu tranquilamente rápido. Ele esperou algum tempo olhando para a porta, achando que iriam atendê-lo, mas ela não se abriu e nenhum barulho indicava que apareceria esse alguém para isso. Com a sua cestinha, o menino sentou na frente de onde poderia ser um confortável lar para as flores; procurava algo dentro dela que parecia não ser pego com muita frequência, mas logo encontrou. Nas mãos do menino se via uma pedra comum, média, que foi colocada sobre a terra. Levantando-se, foi embora esperando o amanhã.
       Os dias seguintes foram todos iguais: voltava, ninguém o atendia, então ele pegava uma pedra e colocava do lado da que foi posta no dia anterior. A sua devoção ao descansar as pedras era a mesma que ele tinha com as flores vizinhas; dava atenção a elas como se pudesse ouvi-las e depois dessa conversa silenciosa, ele deixava aquela rua. Alguns donos das outras casas achavam esse comportamento do menino um tanto estranho, mas como tinham coisas mais sérias para pensarem, não se prenderiam a banais pedras. Com o correr dos dias, as muitas pedras formaram um jardim incomparável aos demais daquele lugar; sua fortaleza nascia da resistência de suas "flores" e sua fraqueza se escondia no instante de que a qualquer momento, por qualquer razão, poderia ser jogada fora como se fosse nada. Até o cinza sorria naquela casa.
       Oferecida a decisiva pedra para o último pedaço de terra daquela fachada, ele olhou o terminado jardim que havia semeado na única casa que lhe entregou apenas a sombra de seu morador. Foi com um olhar triste e uma elevação nos cantos da boca que o menino cumpriu a sua promessa, entregando inteiramente o seu presente para os seus donos. Ele nunca mais retornaria àquela rua, porque cuidaria de todas as coisas que surgiram dentro dele durante aquele tempo ali, guardaria todas as pedras que encontrasse por aí.
       Os moradores nunca souberam de onde, nem para onde foi o menino que insistia em plantar suas sementinhas tão entusiasmado. Mesmo se eu quisesse, também não saberia dizer. Igualmente longe do meu conhecimento está o que os presenteados fizeram com os seus presentes. Suponho que algumas flores devam ter morrido, seja por falta do mesmo carinho que o menino tinha com elas, pela falta de habilidade dos donos ou por puro desprezo dos mesmos. Algumas outras porções devem ter sido bem cuidadas, tornando-se parte das próprias casas. Se o jardim de pedras está sutilmente como foi construído, eu não sei, mas nada disso importa. A sua preocupação aqui deve cair no que foi semeado em você e apenas isso.

Embriagado

| quarta-feira, 12 de outubro de 2011 | 0 comentários |













Ontem você disse que levaria sua respiração para longe
Mas as luzes ainda permanecem apagadas esperando você chegar
É assim que vivemos quando você não está aqui
Em silêncio, nós sabemos que você não gosta do escuro
Nem das cortinas que cobrem a porta da frente

Ela tenta encontrar no relógio o minuto em que o seu amor caiu
Porque você não é mais o homem que a salvou de casa
Com o rosto molhado de preocupações, ela destranca o início
Mas até os anjos se cansam de encarar as nuvens por muito tempo
E descansando o corpo sobre sonhos disfarçados de lembranças
Ela adormece, como se nunca houvesse te amado

Os sussurros de outras datas, agora são gritos
Semelhantes às mentiras que hoje têm sons de verdades
Lá fora, você conhece todos os bons lugares para ver o entardecer
Com os melhores e mais gelados venenos embriagando o seu vício
Essa é a fuga que seus lábios escolheram como companhia
Você é o meu reflexo quando olho o que acontece atrás do espelho
Mas enquanto você tropeça nos seus próprios passos
Eu me perco dentro das minhas profundas tristezas

Não se mantendo em linha reta, os olhos parecem sorrir sangue
Cego e de volta ao castelo de areia que você mesmo construiu
Você não lembra em que parte de sua sanidade está guardado o segredo
Assim a razão de continuar se esconde em uma noite engraçada
E outra vez você chega atrasado para uma alergia que acontece na solidão
Uma vida que nunca passou de antigas imagens empoeiradas.

Meu oceano

| segunda-feira, 3 de outubro de 2011 | 0 comentários |
Passos rápidos me fazem cair
Dentro do meu eterno oceano
Desconhecidas ondas que me levam ao fundo
Chamas frias queimam o meu corpo
E minha pele se colore de vermelho e aberração
Quanta alegria os dias que eu podia mergulhar
Sem medo e sozinho em meu próprio sal
E morrer com as minhas lágrimas.

Seu ombro

| domingo, 2 de outubro de 2011 | 0 comentários |
       Meu corpo está cansado de se expor às claras manhãs que anunciam longos dias; meus pés estão machucados por percorrerem os mesmos caminhos, pelas tentativas de uma mesma vida. Você sabe disso, desses detalhes que me quebram impedindo que eu me levante por inteiro; o quão pesados são os meus pensamentos nesse coração doente e o quanto são confusos os meus sentimentos quando minha mente se arrisca em compreendê-los. Essa é a minha maneira de mentir não estar mais perdido do que já estou, de ter algo mais sólido que incertezas. Mas hoje as luzes brilharam tão intensas que não pude ver o chão que me suporta, nem o céu que antes me dava desejos para o próximo amanhecer. Não sonhando com os passos futuros, sei que você descobre o inocente desespero que aparece em meus sorrisos nas brincadeiras diárias, o valor do silêncio entre as nossas conversas. No fim das guerras matutinas, e das minhas internas, os sobreviventes são sempre você e eu.
       Quando te tiram do seu lugar na minha rotina, meus olhos não ficam claros como deveriam e eu sinto a sua falta. Então logo percebo que sempre estive esperando por você; aquele que chega para abrir as janelas de uma casa escura demais para as noites ensolaradas, que ocupa os abraços vazios de um alguém solitário. Assim você fez ao se aproximar da minha sombra e continua fazendo, por acreditar em uma estrela minha que eu não vejo. Em segredo, as paredes do meu mundo foram desmontadas e no meio da destruição, você cultivou o seu nome em meu peito. As poeiras tinham cheiro de confiança e as nuvens carregadas de alegrias derramavam gotas de amor sobre as ruínas de mim mesmo; recentes paisagens coloridas por você. Talvez seja por isso que a desistência não tenha vindo em outras primaveras, para que eu te encontrasse em um canto maior que meus pesadelos.
       Eles nunca pararam para me observar mais do que um fechar de olhos, mas você ainda está aqui, mesmo depois de ter conhecido os meus espinhos. Isso me faz bem, como nos momentos que ergo meus braços e você não permite que eu caia, nem que os minutos passem através de mim, muito menos que me levem para longe daqui. Eu estou com muito medo dessas coisas que tentam me ensinar e não consigo aprender, porque eu sou uma criança mimada e essas são castigadas até não restarem nada que as façam reais. E de tanto corromperem minha infância, esqueci o que é esperar pela realização. Mas há dias que os pedidos são que eu olhe para frente e não me distraia com a sua voz; eles não entendem que é por essa fenda que ainda respiro, que é por essa linha que ainda me mantenho são. Eu soube que você era um ótimo anjo antes de me visitar, mas sem asas você não é muito diferente disso.
       Às vezes me faço tão intocável, são nessas estações que preciso da sua presença mais perto de mim. Porque ela faz as minhas feridas ficarem com sabor de cicatrizes e lembrando daqueles minutos que o sono te possuiu, foram neles que descansei minhas fraquezas em seu ombro. Nenhuma dor estava curada, mas eu poderia ficar ali eternamente assistindo o fim colocar tudo em seu devido espaço. E apoiado em você, eu já estava em casa. Você me conhece melhor do que meu reflexo, por mais nublado que eu me torne ao ser percebido. Enquanto você salva a minha sensação de existir, suas risadas pedem que as minhas as acompanhem e por isso ainda guardo a lembrança do que é se divertir. Olhando para o seu rosto, eu não tenho certeza da morte. Porque você me faz querer viver.

Desfecho

| terça-feira, 20 de setembro de 2011 | 0 comentários |
       Quando comecei a desenhar essa porta em meu coração, eu não tinha a intenção de fechá-la. Mas todos conhecem os dois lados de um monumento feito por dentro: da mesma maneira que ele pode se tornar o início de uma fuga para outro lugar além do cansaço, também pode ser a razão que separa um caído de sua amada altura. E tão longe dos meus rascunhos, as únicas coisas reais que tive de você durante esse tempo, eu quero acreditar que nenhum traço é feito para ser apagado, nem que toda espera está entregue ao desperdício. Porque quando penso no amor, eu lembro de você. E essa lembrança me adormeceu, repetindo muitas vezes que o para sempre descansava em um amanhã inalcançável; ensinado pelo seu nome a dar sentido as letras da minha vida, eu levantei minhas mãos. Você nunca esteve lá, mas das luzes que nunca vi, você foi a que mais me cegou.
       Tantos vazios eu entorpeci com as linhas das manhãs que me traziam os seus cabelos. No entanto, meus dedos nunca brincaram com os seus fios. Meus sonhos se erguiam sobre o seu sorriso que nunca deixava de acreditar; isso é tão triste. Pedras preciosas formavam esse frágil mundo do qual eu conseguia força. Elas eram banhadas no imaginário corpo que eu construía para a sua voz, essa que embalava meus sonos mais relutantes. Às vezes você surgia ao meu lado, como se sempre pertencesse a essa situação. Logo, eu despertava e não te encontrava em lugar algum aonde poderiam se esconder as alegrias; mais um dia a procura de vestígios seus soltos entre os movimentos e silêncios ao redor de mim. Há um segundo atrás isso era divertido, mas hoje os caminhos mudaram.
       As cartas endereçadas a você, que apenas em mim as cores as faziam sobreviventes, morreram depois de serem tocadas pelos seus pensamentos. Você soube muito mais do que meu nome; viu os meses que a insegurança arrancou dos meus calendários, a abertura enfeitava com minhas mortais cinzas e assim tentei dar valor a tudo isso, pela última vez. No meu sussurro estava um convite para nos acharmos aonde os domingos se perdem, mas aquela tarde era longa demais para você atravessá-la. E o amanhecer seguinte nasceu iluminando a história que já se contava ali: eu sempre estive sozinho. Até antes de ler a minha alma foi desse jeito, não seria agora que você começaria a enxergá-la, como algo mais que um fantasma.
       Eu ainda sei as suas músicas preferidas e elas me trazem seu rosto por trás dos meus pesadelos; guardo sua foto junto com as minhas roupas e esses detalhes me fazem sentir que tudo isso foi verdadeiro, por mais que a certeza nunca tenha sido minha amiga. Talvez seja por isso que mantenho essa porta entreaberta, porque fechá-la tornariam falsas as batidas rápidas em meu peito quando eu te confundia com alguém na rua. Esquecer você seria o mesmo que manchar grande parte das minhas palavras; fazer do que acredito pedaços de mentiras descartáveis. Eu destruiria tudo de mais bonito que pensei viver até aqui.
       É verdade, eu nunca me distancio muito do chão que se acostuma com as minhas feridas, mas as coisas não são tão violentas assim. Eu não me decepcionei, apenas coloquei sua resposta em meus bolsos ao dividir com seus olhos a ilusão em que os meus mergulhavam. Porque eu não esperava de você nada mais do que o normal e as lágrimas que engoli foram de dores causadas por mim. Eu estou cansado, me enfraquecendo para salvar o que nunca esteve em perigo. Não há motivos para se agarrar a lascas de algo quebrado; ouvir as despedidas de alguém que nunca teve sua presença distinguida. Dessa vez eu tive que passar pela porta e deixar esse espaço adormecer. Mesmo que seu toque seja necessário para que ela se tranque por inteiro, eu não estarei aqui. Sei que você não se importa, mas eu estou bem como sei que você também está. E apesar de você permanecer em sua calçada, sou eu que estou saindo agora.

Nós

| domingo, 28 de agosto de 2011 | 0 comentários |
       Minha mente caiu sem cor no seu desconhecido chão. Apesar de não conseguir vê-lo, eu sabia para onde minhas palavras estavam indo; um velho sonho fantasiado de pesadelo sendo realizado. Tentando imitar o som da chuva, eu desenhava um sorriso em cada recente medo que voltava à minha alma, talvez para que as flores não desbotassem nesse jardim que agora não é somente meu. E não ouvindo se o clamor das minhas lágrimas seriam gritos, sussurros ou simples gotas de um coração perdido ao serem lidas pelos seus anoitecidos olhos, eu senti a real distância que me ligava a você. As lembranças que guardo de você deixaram de ser apenas mentiras contadas a mim mesmo; a minha perda de razão estava clara na escuridão dos meus pecados. Você a levará para sempre consigo e ela virá respirar na superfície da sua memória quando você me ver, seja qual for o disfarce dessa visão.
       Eu procurei as estrelas nesse céu que já me viu sangrar, mas elas não estavam lá. Com o mesmo amor, chamei os meus fantasmas que nunca se cansavam de me acompanhar durante os meus fracassos, mas nenhum deles veio ao meu encontro. Eu estava sozinho, a caminho de uma morte tão silenciosa que poderia ser a última. E de alguma maneira, eu não queria voltar. Todos os firmes passos marcados na incerteza, me entregavam tremores mais calmos do que as mãos esperavam. Além de doces, os imortais venenos me adormeciam com alegrias que não descansavam como os sonos; ao contrário, mantinham acordados os lábios que, na dúvida, permaneciam frios. Senti-me como o anjo que renuncia suas próprias asas, não mais existindo a tristeza de não possuir uma alma; minhas ilusões estavam se tornando o eterno sacrifício. Então rabisquei uma pergunta da qual o último traço foi a sua resposta. O amanhecer não seria o mesmo, nunca mais, porque o Sol veria os segredos que sempre iluminou.
       Você esperou na quietude, imaginando tudo menos o seu nome formando os meus versos. Perdoe-me por ter demorado; por ter chegado atrasado e por não estar vestido adequadamente para uma confissão. Mas essas coisas nascem do desespero e da falta de coragem, por mais que sejam pensadas em noites inteiras de um mês sem esperança. E sabendo que você estava do outro lado, soletrei os sentimentos que tantas vezes mostrei ao silêncio. Derramados aos poucos para que não te afogassem, nem te assombrassem nos lugares que você for para se divertir. Mesmo com o perigo de nada restar em mim e de não me entender, fiz de você a testemunha da destruição das paredes que formavam os meus repetidos dias. Era o fim de algo que nunca teve um início; a despedida de uma história que nunca foi escrita.
       Diante de mim, observei os seus pensamentos se organizarem tão incertos depois da tempestade. Cada tentativa de tornar isso uma conversa comum de domingo era contada por mim. Eu sei, deixei os seus dedos fracos demais para segurar um coração que não fosse seu, mas nesse instante nem eu conhecia o peso do meu mundo. Seus agradecimentos te tornaram o cúmplice das poeiras que deitavam em minha vida; das cinzas que coloriam os meus olhos e do relógio que parecia muito pequeno ao pensar em você. E sob a sua surpresa, você era o vento que espalhava todos os pedaços, ao mesmo tempo que os curava. Não me agradeça, isso também pertence a você. Não se preocupe, eu não te confundirei com o meu reflexo, ainda que o espelho esteja quebrado, sujo e escondido. Atrás de sua condenação, um amargor desceu através da minha garganta, como palavras desnecessárias que fazem sentido. Sim, minhas mãos estão libertas, mas isso não quer dizer que elas não estejam machucadas. Leves o bastante para tocarem as nuvens, mas ainda sem poderem voar, agora tenho que aprender a cultivar no vazio as estações que vivem lá fora.

Alma e Corpo

| terça-feira, 16 de agosto de 2011 | 0 comentários |













Da minha boca, o berço do vômito íntimo,
Revelou-se minha alma fraca e ferida
Caída sobre as poeiras de um chão ínfimo
Eu a vi respirando, ainda com vida

Estava nua, agarrada aos pulmões sensíveis
Com a pele inundada de escuridão e agonia
Tão dançantes eram os passos da não eufonia
Que pisavam nas miseráveis vísceras invencíveis

Na ânsia, contorciam-se os membros a procura
Da cura incurável para os sorrisos tristonhos
E os vermes alimentavam-se da carne dos sonhos
Deixando para os ossos que restaram, a loucura

Silenciosas formiguinhas carregaram meu coração
Conduzindo-o em uma procissão sem destino
A esquecida e vermelha mancha marcando o chão
Fazia da minha aparição, um novo peregrino

Saliva em cascata descia dos lábios sem medo
Orvalhando as mortas rosas que floresciam logo cedo
E os dedos da podridão mostravam o tempo rasteiro
Que me dizia: "Tudo está deixando de ser inteiro"

Aos poucos, os pequenos e secos pedaços arruinados
Flutuavam até estarem preparados para serem devorados
E eu soube, esse corpo estava tentando viver
Aquilo que a pobre alma sempre lembrava de esquecer

Em meus braços, deitou-se como a febril criança
As sólidas veias dela costurando-se em mim
Quebradas lágrimas que suavam a eterna lembrança
E fomos juntos ao encontro do já ultrapassado fim.

Outro dia sem você

| terça-feira, 2 de agosto de 2011 | 0 comentários |




Quando o amanhecer me desejou um bom sono
Eu ainda descansava os olhos sobre suas fotos que nunca tive em mãos
E eu me senti sozinho, como todos os dias de Outono que procurei por notícias suas caídas no céu
Eu não quero, mas tenho que adormecer para existir nesse dia que agora nasce
Porque sei, é tarde demais para dizer adeus ao ontem.

1944

| segunda-feira, 1 de agosto de 2011 | 0 comentários |
       Naquele dia a neve estava cinza e caía lentamente, talvez fossem os meus olhos já cansados de abrir e fechar na tentativa de mudar o pesadelo em que eu me deparava, como uma brincadeira que não tinha diversão alguma. Quem sabe as nuvens precisassem daquele branco mais do que eu; quem sabe. Resolvi não pensar muito nisso, o céu era alto demais para me salvar. Não havia mais nada que me fizesse acreditar que isso teria um fim, mas apesar de todas as tristezas e dores, pude encontrar uma - e a única - coisa que me fazia sentir a vida que corria em minhas veias: ele. Em todos os dias de trabalho duro, saber que nunca poderia olhar nos olhos dele tranquilamente; que nunca sorriríamos juntos, nem compartilharímos os passos em um mesmo caminho onde nossos corações cantariam uma canção sem som, embalando o laço que minha mão e a dele formariam. No entanto, vê-lo ao longe desenhava um sorriso dentro de mim, tão certo que não era preciso interpretá-lo; uma estrela que nasce apenas para tornar a noite mais bonita, não menos escura. Por mais que os gritos e o rosto dele fossem sustentados pelo ódio, ainda se conseguia perceber a voz macia e os traços angelicais, de alguém que tem o amor adormecido em algum canto invisível aos demais. Até os olhos que eram rígidos, quando distraídos, mostravam uma inocência que brilhava de maneira tímida. Um pouco de esforço era necessário para ver tudo isso e quando se via, eram os melhores agasalhos para os dias frios. Mas logo esses sonhos despertavam; eu sabia que para ele e seus amigos nada importa, a não ser fazer a nossa segunda pele de listras verticais azul-escuras e brancas pagar um preço muito alto por existir. Ter isso sobre a sua verdadeira pele ali, era o mesmo que ser uma sombra sem corpo; não ter uma alma dentro de si, um coração que bate como qualquer outro. E muitas vezes eu acreditava nisso... Das lágrimas minhas que esse chão sentiu, essas foram as mais pesadas de se tornar reais. Eu sabia que entre nós sempre existiria uma diferença, porque na roupa dele descansava o símbolo que me trazia um pouco da morte. E assim eu o amava, tendo da distância o sabor da sua companhia.
       No meio da grande massa de prisioneiros, onde se encontravam mulheres e homens de todas as idades, um grupo foi selecionado e avisado que seria deslocado para outro local; eu estava entre eles. Então os soldados começaram a nos organizar em uma fila única e espessa; ficando na parte esquerda, eu observei os muitos deles que chegavam para assegurar que não fugíssemos ao destino que só eles conheciam. Quando eu o vi, percebi que vinha em minha direção com pisadas firmes, parando um ou dois passos à minha frente. Enquanto os outros se colocavam em volta dos prisioneiros, ao meu lado ele permaneceu quieto. Por vezes arrumava algo em sua roupa, a arma que em suas costas carregava e eu disfarçadamente tentava guardar cada expressão daquele rosto, cada movimento daquele corpo. Desde o início da caminhada, o silêncio nascido do medo que nos era entregue se juntou a nós como o peso do cansaço em nossos pés. Mas nada era capaz de me distrair como ele, que não raras vezes se virava para olhar os prisioneiros agora que estávamos em movimento. Nos momentos em que ele ficava diante de mim, por um pequeno e rápido segundo, eu podia fingir que a procura era por mim. E eu desviava o rosto sem demora, mais pela vergonha dele me ver naquele estado frágil do que por medo de algo me acontecer. Mesmo assim, eu queria permanecer ali, invisível e inferior ao lado dele, aproveitando os minutos a mais que aquele dia estava me presenteando. A cada passo dado ao encontro do futuro, atrás e longe de nossa visão ficavam o chão, a atmosfera, tudo que estávamos acostumados à três quilômetros passados; aquela parte era muito diferente de onde o meu amor nasceu. Os arames que enfeitavam o nosso estreito e estranho atalho não eram preciosos; eram longos e pertenciam aos soldados, mas eles não nos contavam os seus segredos.
       Surgia diante de nós, mais e mais próximo, um edifício tranquilo, sem nenhum ruído. Ao vermos que na entrada mais soldados nos esperavam, diminuímos os passos, parando assim a nossa marcha. Como de costume, todos eles levantaram o braço direito, esticaram as mãos e gritaram "Heil! Heil! Heil!"; surdo pelas vozes unificadas, eu senti minhas feridas ainda mais vivas. Ele também saudou e sua saudação foi a mais bonita de todas. E antes de entrarmos, um soldado com voz alta e clara, nos comunicou que receberíamos um tratamento desinfectante. Dentro se via salas com portas fechadas e seguindo por um corredor, chegamos em uma escada que descia até uma sala subterrânea. Durante o trajeto, o fantasma mais carnal, a lembrança mais presente fora da minha mente, era o que não deixava me prender a nada em volta de nós. E o mesmo soldado nos pediu que despíssemos nossas roupas para serem limpas enquanto tomássemos banho. Eu não queria que ele me visse daquele jeito, pobre e sem defesa; fechei os olhos ao tirar cada peça, fingindo que dessa maneira ele também não me veria. De cabeça baixa entreguei as coisas para ele, que sorriu e se afastou para deixar tudo com aqueles que pareciam ser os responsáveis pela limpeza. Eles estavam tão educados e aquele sorriso foi tão bem feito; ninguém poderia, nem conseguiria, ter uma alegria tão rosada e doce. Meu coração agora contava ilusões dançantes e eu queria que elas fossem verdadeiras. Uma porta bem encaixada, contendo um médio retângulo de vidro foi aberta para que adentrássemos. Era um espaço amplo, havia chuveiros e as paredes eram lisas e pareciam bem mais grossas que qualquer outra já vista por mim. Quando todos os prisioneiros entraram, a pesada porta foi fechada e o desespero atingiu a todos. A maioria batia forte na porta, alguns ainda tentavam abrir os chuveiros, de onde nenhuma água saia, e eu procurava pelo rosto dele através do vidro. Ele estava lá, olhando o que acontecia dentro do que nos disseram ser um simples banho.
       Alguma coisa começou a tornar o ar mais difícil de encher os pulmões e quanto mais o tempo passava, mais isso era percebido pelos outros. Gritos assombrosos preenchiam toda a sala; pessoas arranhavam as paredes em uma busca por uma fuga que não era possível. Pessoas se contorciam no chão, desmaiavam; mães em pânico por verem suas crianças desacordadas e o meu corpo já estava se tornando um fardo, mas eu ainda queria ficar de pé e tê-lo ao alcance das minhas fantasias. E quando ele olhou para mim, retribui o sorriso que havia me dado pouco antes. Uma lágrima caiu do meu olho direito e eu caí junto com ela.

Sodoma e Gomorra

| quinta-feira, 21 de julho de 2011 | 0 comentários |
Do Seu céu, enxofre e fogo brincaram de cair como chuva
Gotas de ira enganaram as estrelas e roubaram seus lugares
É tão lindo quando a Destruição mora sobre nossas cabeças
Enquanto abaixo se tem uma pele suja guardando uma suja alma

Você chegou banhado de violência e morte
Esquecendo que somos filhos de um Pai ausente
Você nunca bateu em nossas portas fechadas
Mas isso não Te impediu de adormecer os meus irmãos
Corpos mortais feridos e almas arrancadas por diversão
Nós éramos crianças e Você sabia que isso nos faria chorar
Mergulhados em Sua força, nós desapareceríamos
Sem piedade, Você usou o próprio fim contra ele mesmo

Desconstruindo as paredes da terra onde eu e meus erros vivíamos
Acusações voavam acima das nossas carnais orações
É verdade, nossos corpos vazios se preenchiam uns com os outros
Nossos bolsos cheios ainda tinham fome de nós mesmos
Nenhum medo sustentava os nossos sorrisos existentes
E talvez fosse por isso que Você nos temesse tanto, nos odiando
O preço do pecado é a morte e do pecador, a gargalhada

Da casa do Seu Filho vimos apenas as sombras dos anjos
Eles apontavam para nossa direção e nos machucava os olhos
Sangue derramado em forma de cegueira hereditária
Nossos ouvidos poupados do anúncio dos Seus dois pensamentos
E Você conhecia as nossas pedras, nenhuma delas Te alcançaria
Nenhuma arma em nossas mãos Te derrubaria de cima
Mesmo assim, Você as jogou contra a nossa alegria tão inofensiva
Derrubando-nos de nossos pequenos altares
Nenhum de nossos sacrificios era tão vingativo quanto o Seu ódio
Rebanho de boas ovelhas parte para a salvação nesta noite
Não nos dando boa noite, nem olhando para trás

Quando Sua face nos foi apresentada, tão limpa de amor e pesar
Fechamos os olhos sem nos importar com a infinita e fria escuridão
E Você apagou os desenhos negados pelos maus traços
Escondeu as lembranças que Te faziam obediente
Divertindo-Se com as vidas que Te tornavam muito fraco

E eu sou aquele que sobreviveu ao Seu calor e cheiro
Sem caminho algum para seguir, sem um alguém para me adorar
Depois dos restos de glória espalhados pelo chão
Assim como os quebrados portões da minha terra
O silêncio me mostrou um reino maior que a minha decadência
Nesse lugar havia rosas e também seus espinhos
Minhas fronteiras desatadas por um castigo dito justo
Agora me mostravam o mundo faminto de mais um morador

A Tempestade Divina deixou um arco-íris de cinzas e maldição
Colorindo as testemunhas que poderiam contar as nossas histórias
Mas quando as letras começaram a se cansar de Sua voz
A poeira cresceu até que entristecesse o sol, indo além de nossos segredos
Porque nada impedia que a doença se espalhasse para outros corações
Não existia tantos mais que a esperavam como a certeza do dia seguinte
Para eles, nem o amanhã chegou, muito menos a amada enfermidade
Então, eu caminhei para fora desses meus versículos passados
Ao encontro do mundo empoeirado de Sodoma e Gomorra

Eu me deparo com os mesmos sabores que pertenciam ao meu passado
Refletidos em cada canto onde as mentiras podem se multiplicar
Mas dessa vez os olhos não se erguem para alto procurando por Você
Nem os passos se afastam da linha imaginária que Você os limitou
Porque eles decoraram o Livro que está escrito o meu nome
E quando Você se distrai criando mais brinquedos perigosos
Seus servos arrancam as graças dos braços mais fracos de ambição
Porque da riqueza que nos engole, Você a faz pobreza
Como dos prazeres que nos cegam e nos ocupam, Você os faz escuridão
Por favor Deus, beije meus lábios e me revele o que é errado

E como animais adestrados sob o peso do Pecado Original
Mortos nunca esquecidos pelas condenações de um eterno Juízo Final
Você nos ensinou a injustiça que nasce da ponta de toda Luz
O vício da Crueldade nos foi dado de maneira brilhante
E entre salvos e amaldiçoados, bem-aventurados aqueles que fecham mais forte a mão de Deus.

Perdendo o controle

| terça-feira, 12 de julho de 2011 | 0 comentários |
       De novo, me senti morrendo através das minhas mãos quentes como a inocência de um longo inverno. Elas me levaram para brincar e com alguma força construíram asas para que eu pudesse nunca cair. Eu estava sozinho, mesmo não enxergando com a luz que a escuridão me entregava, alguns pensamentos me guiavam no mundo das fantasias. Ali, as rosas eram mais vermelhas e nenhuma gota de dor repousava no chão ao machucar os dedos. Por mais claros que estivessem os dias, esses se escondiam atrás das cortinas, procurando algo mais do que segredos. Já sem fé em minhas tristezas, as noites se distanciavam de mim. A guerra era minha contra mim mesmo; das feridas exalavam um silêncio de divertimento e diante dos meus olhos, a destruição dançava como o mar, cada vez mais cheio de fúria. E eu voei mais alto do que qualquer anjo não visto, descobrindo como os homens chegam tão pobres à vida. Assim a bandeira da vitória foi cravada em mim e eu sabia, entre vencedores e vencidos, todos colheriam sorrisos. Então, meu corpo foi arrebatado e minha alma permaneceu onde sempre esteve. A decâdencia sorria para mim e, logo eu soube, do alto até a ruína parece o próprio paraíso.
       Além de mim, ninguém podia ver os gritos que meu corpo tornava tão sólidos em minhas mãos. Sujas, eu tentava limpá-las em uma pele que desaparecia embaixo da fraqueza e poeira. Alguma parte da minha sombra prometeu que nunca mais faria isso, mas perder o controle é como o vício das veias que pede sempre por mais sangue; dos sonos que reza por ouvirem as melhores canções de ninar e das vidas que persegue, sem cansaço, o seus fins. E o que resta das promessas quebradas magoam a cor dos meus sonhos, me fazendo diferente daquilo que nunca mais serei.
       Nada que eu fizesse poderia me curar de mim mesmo, ainda que presenteasse as crianças com as mais brilhantes brincadeiras, porque elas também chegarão mais perto do céu e as jogarão todas fora, dentro dos seus próprios arrependimentos. Como as rosas que outrora eram vermelhas, segundos depois não mais existem; o mundo das fantasias despertou. E eu sou o perdedor, que nada tem, a não ser a própria perdição.

Tão perto para entender

| sexta-feira, 8 de julho de 2011 | 0 comentários |
       Sua voz continua do mesmo jeito, como da última vez que conversamos. Eu poderia dizer que ela está um tanto mais brilhante e assombrosa, talvez seja pela proximidade que estamos agora. Você não precisa mais gritar, estou tão perto de você quanto os pesadelos nas suas noites mais difíceis. E mesmo que eu continue sussurrando dessa maneira que você me lê, ninguém pode me ouvir. Porque juntando todos os segredos que você deu aos medos, nenhum deles pertence a mim. Eu sei, vejo significado demais nas palavras, mas me perdoe, é dessa maneira que bate um coração que nunca saiu da escuridão; é dessa maneira, às vezes simples, mas sempre intensa demais, que brinco silenciosamente comigo mesmo, até que eu me acostume com a solidão dividindo o mesmo lugar que o meu coração. Mas nada disso importa, porque quando você apareceu eu me senti real. Como as primeiras lembranças que tenho de você, vivas dentro de mim.
       Apesar de enxergar no escuro, não são raras as vezes que me sinto cair, me quebrando em muitos pedaços. Alguns Homens são escravos da razão, como outros são dos sentimentos. Eu sou um desses outros, preso por correntes tão invisíveis aos olhos coloridos. Eu não entendo os motivos da alma, mas isso não significa que eu não tenha uma, guardada nas minhas poucas primaveras. Mas saiba que eu respirei fundo o bastante para saber que te amo. As horas vão me envelhecendo aos poucos, por mais que eu tente entender, não sei os motivos que me levam a querer que você se despeça antes que a lua fique sobre as nossas conversas. Dê alguns passos para trás, porque sei que a despedida fará meus olhos sangrarem.
       Eu quero que você sonhe sem medo e sei que nenhum sonho é tão gelado quanto me amar. E mesmo que agora eu não acredite nas flores que estou plantando em seu íntimo, queria que elas nunca florescessem. Porque eu terei que rancá-las para te mostrar o jardim que há tempos cresceu, e ainda cresce, para você em mim. Desde os nossos recentes dizeres, todas as coisas que me despertam estão vestidas de medos e incertezas. Minha sombra nunca segurou minhas mãos, então por favor, não duvide do que sinto por você. Não tente entender, porque eu também não consigo, mas queria apenas que tudo desaparecesse. Por um tempo. Até o momento que eu poderei ver os seus pensamentos escritos claramente em seu olhar.

Espera

| sexta-feira, 1 de julho de 2011 | 1 comentários |












Como uma criança a beira de um mar imaginário
Eu escrevo essas palavras esperando que você as ouvirá
Um dia, quem sabe
Que você as amará como eu te amo
E segurará as mãos que tanto choram procurando por você
Eu sonho de olhos abertos esperando que você se torne real
Fora de mim, um dia, quem sabe
Que você olhará em meus olhos e também dirá
Que eles ficam bonitos no Sol
Eu derramo o sangue da minha alma esperando que você limpará
Com seu sorriso, um dia, quem sabe
Que você se deitará junto com todos os pedaços
Nós contaremos estrelas sentindo um ao outro
Eu me escondo esperando que você me encontrará
Sozinho, um dia, quem sabe
Que você me fará companhia
Você, o amor e eu
E eu vivo esperando se tudo isso será verdade
Para sempre, um dia, quem sabe
Que você realizará meus sonhos próximos e distantes
Talvez, mas ninguém sabe.

Em meu coração

| sábado, 25 de junho de 2011 | 0 comentários |
       Suas palavras são tão importantes que eu as guardo sob meu coração. Mas você não pode vê-lo, por isso não sabe a maneira que tento desenhá-las lindamente como saem de sua voz. Eu estou tentando, mas ninguém sabe como é ter as mãos frias como as correntes que me prendem nesse chão intocado pelos meus pés. Não sou o primeiro, muito menos o último que terá justificativas vagas que tanto preenchem a minha falta de certeza. Eu quero ter apenas uma confiança; quero saber como os anjos se tocam nos lábios; como o horizonte suporta o peso do brilhante sol sobre seu corpo fino e distante; como a lagarta se torna borboleta dentro de si mesma. É tudo tão alto para mim que não tenho asas e mesmo que você tente me erguer, os meus pensamentos ainda permanecerão nas sombras. Isso não descolore o amor que tenho por você, apenas mostra que tenho medos. E que não sei superá-los.
       Linhas que formam meu rosto no espelho dos seus olhos me tornam sólido o bastante para me sentir. São elas que me dão um nome e fazem com que eu sinta que ainda moro neste corpo. Você me diz para desfazer as linhas, esquecer as letras que formam o meu nome, porque delas nascem a minha decadência. Mas sem elas, toda essa destruição estaria perdida; eu não saberia quem sou. Para você, as coisas não são tão claras assim e eu sei que não descobri o meu caminho, mas quero apenas encontrar a lama que se molde melhor aos meus passos.
       Nas vezes em que sangrei com suas respostas para as perguntas nunca feitas; em que me senti embaraçado demais vendo o jeito simples que você e todos conseguem quebrar as regras que nunca existiram, vi o luar banhado de tristeza e verdade. Já não sei se penso sentimentos ou sinto pensamentos; por mais que eu seja sozinho, nós sabemos que lá fora há outras tantas lágrimas e sorrisos que se sentem como eu. Mesmo assim ouço como únicos os meus sussurros, tão fracos quando são abraçadas pelos seus gritos silenciosos. De onde estou, eles parecem certos, mas muito reais para os meus sonhos. Eu sou o mesmo ciclo, procurando por razões que nem ao menos sei onde estão e você quer me salvar desse sono que me assombra. Eu tentarei abrir os olhos sem que a luz os machuquem, mas peço apenas que espere até que ela se torne um pouco mais calma. E eles um pouco mais claros.

Meu silêncio

| terça-feira, 21 de junho de 2011 | 0 comentários |
Esperando para te encontrar
Talvez tão frio quanto essa noite
Ou talvez tão sincero quanto essas estrelas
Eu peço aos anjos uma maneira de não te assombrar
Ou até mesmo de não te machucar
De não te afastar
Desse meu mundo tão vazio de alguém

Amanhã, talvez tudo tenha passado
E poderemos ver o entardecer sem nenhuma nuvem
Ou talvez essa seja a sua certeza
Que esse mundo não é seu

Não sei as palavras que usar
Não sei como você vai me ver diante desse mundo
Talvez você fale e tudo se torne real
Ou talvez seu silêncio me fará sentir
Meu coração quebrando com essa espera
Pela sua espera

Não conserte essa minha alma
Porque meu silêncio é passageiro
Até o fim da minha vida

Talvez meu silêncio te faça sorrir
Ou talvez me faça desaparecer de sua lembrança
Mas você sempre estará vivo aqui dentro
Para sempre.

Vento

| quarta-feira, 15 de junho de 2011 | 0 comentários |
       Lá do alto, as nuvens desenham sombras em meus olhos. Esse não é o primeiro dos dias meus que nasceram anoitecidos, mas é como se as luzes estivessem cansadas de brilhar. Fios de cabelo colocados em filas, fazem sentido apenas quando o vento brinca com eles; os pensamentos encarando tudo como uma contínua sexta-feira. E eu me quebro quando descubro mais um longo dia na próxima curva ao voltar para casa. Mesmo não vendo meu coração, sei que ele não está sorrindo. Sob lágrimas roxas, ele nunca soube o valor real das coisas. Mas nesses últimos tempos, as batidas se mostraram mais confusas. Por mais que eu esteja cego, minhas pernas já sentem a solidez do mesmo chão de todos os dias. Há no ar uma brincadeira desconhecida das minhas lembranças que torna as horas não tão circulares quanto deveriam ser. Quando eu era duas semanas mais jovem tudo também estava perdido, mas é como se as ruas fossem mais longas e as feridas, mais profundas.

Não é apenas um pequeno pesadelo

| terça-feira, 7 de junho de 2011 | 0 comentários |
Como eu queria ser aquela flor
Que dos seus lábios se enchem de cor
E me fizessem esquecer que estou longe
Desse jardim que se chama perfeição
E nenhuma lágrima cai dos meus tristes olhos
Mas o meu coração sangra
Em meio a um mar azul de estrelas caídas
Tão próximas de mim, mas não em minhas mãos
E por dentro restam as luzes
Que sorriem sinceras para os meus medos
E eu sei, se elas pertencessem aos meus olhos
Tudo isso seria apenas um pequeno pesadelo.

Último dia de Maio

| sexta-feira, 3 de junho de 2011 | 0 comentários |
       Quando as folhas começaram a se deitar em uma realidade um tanto distante de sua luz, eu pendurei as coisas que te traziam até mim nas árvores secas que pareciam tocar o céu. Nelas, meu coração pulsava mais rápido, as cores gargalhavam mais saborosas e os sons se tornavam mais vivos. Tudo isso acontecia dentro do silêncio e ali nada era apressado, apenas um sorriso seu que eu inventei se mexer. E isso fazia com que eu caísse, nunca chegando ao chão. Nesse sonho, era como se a minha respiração fosse a brisa que refresca a sua pele; como se minhas lágrimas fossem as chuvas em que você brinca e que a sua não lembrança de mim fosse a força que acorda o sol todas as manhãs; mesmo não a conhecendo, você sabe que ela está lá. Eu estou aqui e você não sabe.
       Dias e noites morriam e eram amorosamente enterrados sob os meus pensamentos. Palavras que nasciam das estrelas que pertenciam aos seus olhos; eu nunca as vi em uma escuridão estrelada, nem nos momentos em que as nuvens se cortam ao sair do caminho. Antes que os sonos me cobrissem, minhas mãos tremiam à textura dos seus passos por trás da minha espera. A porta nunca me pareceu tão sólida nesses dias. E quando as pétalas da chegada me acordaram brilhando, eu soube que você estava lá.
       Mas o relógio que em outras estações era tão grande, naquele instante se fez menor que os segundos em que estivesse ao seu lado. O amarelo faminto envelheceu como laranja e o horizonte às minhas costas permaneceu ali, sem ser visto. Finos raios vespertinos busquei para enfeitar a sua visão; eles eram leves demais para pertencer apenas a mim. E o calor me deixou, sozinho eu não consegui fazer suas aquelas horas, mas eu sei que foram. Vozes me desenharam a história e eu as li em forma de palavras. Você não sumiu, mesmo as horas sussurrando a vinda de outro amanhecer.
       Eu guardei em mim as páginas que não deveriam estar brancas, esperando as manchas que viriam moldar a inocência. Mais longe da presença da sua primavera, eu não poderia sentir o cheiro das flores. Isso não significa que não penso em você em meio a todo o cansaço, mas há os dias que não me percebem. E no último dia de Maio te encontrei na ausência e fiz dela a minha maneira de adormecer o que não foi seu. Tudo foi seu e eu estou aqui.

Fora de curso

| segunda-feira, 30 de maio de 2011 | 0 comentários |
       Você sorri uma e pela última vez engana o mundo que há muito tempo está cansado de carregar a sua sombra. Em alguns momentos você a vê grande demais para os seus olhos, em outros, muito pequena para os seus frios dedos. Assim você segura a linha que o tempo te entrega e costura toda escuridão em sua alma. A agulha mergulhada em lágrimas não torna menos dolorosos os passos guiados pela noite, mas você caminha da mesma maneira. Cada centímetro andado é colorido pelas estrelas que caem das suas mãos; aos poucos você percebe que está ficando sem cor e as coisas continuam vivendo. E dessa distância entre seu coração e o chão, você vê os sonhos que nunca te visitaram, as rosas que não mais deixam os espinhos brincarem com os seus gritos. Nuvens passam, deixam um cinza daquilo que em outros tempos já foi branco e as flores de plástico que iluminavam a sua vida não estão mais ali. Mas ainda chove e mesmo que o som da sua fuga seja ouvido, restará uma gota atrás dos seus pensamentos. As manchas que nascem quando se aperta os olhos não são profundas o bastante para abandonar esse algo que nem ao menos você conhece; por mais que tente, elas não saberão o seu nome. Como as sujeiras que o chão recebe tão normalmente, você está perdido e assim permanecerá. Amanheceres que são levados nos bicos dos pássaros que voam longe do seu olhar. Eles não deixam que você decore como é aquela luz, para quando cair finja estar acima de si mesmo. Vozes sem reflexos que saem do vazio de onde deveria estar as suas asas; o anjo que você nunca foi. E todos os cantos silenciosos das palavras que você se recusa a encarar; elas sempre te acompanham.
       Esse você sou eu.

Antes do seu dia

| quinta-feira, 19 de maio de 2011 | 0 comentários |
Hoje as estrelas se vestiram de mais brilho
Para que as primeiras sombras não fossem tão frias
A música pareceu mais alta
Para que a distância entre mim e você fingisse não existir
E tudo se fez mais limpo
Em uma espera que já era conhecida da minha vida
Os minutos ficaram maiores que o normal
Fazendo com que eu sentisse que te encontraria
No próximo abrir dos meus olhos
Ou que você entraria pela minha porta
Com um sorriso que nunca me foi espalhado pela alma
Quando um dia se tornou outro
Eu soube que aqueles longos segundos
Fizeram-me segurar nas mãos do seu dia
E vi que mesmo sendo apenas um
Dentro de mim todos os dias são seus
E as noites também.

Seu lugar secreto

| terça-feira, 17 de maio de 2011 | 0 comentários |












Sua imagem escondida eu guardo
Nas pequenas páginas do meu coração
Brancas como o peso do meu fardo
Tão profundas, é a minha escuridão

Sobre a linha de um sorriso incerto
Duas estrelas em silêncio nascem
E mesmo vivendo em um deserto
Flores as lembranças suas trazem

Não vivida a hora que ali é eterna
Adormecida entre pétalas de dores
Estão as cores que tudo inverna

Em lágrimas vivem os meus louvores
Meus segredos sussurrados não direi
E nesse seu lugar para sempre me verei.

Enquanto

| sábado, 7 de maio de 2011 | 0 comentários |












Nossas diferenças não começam pelas cores dos olhos
Apesar dos meus serem mais claros quando estou triste
Em seu desenho não há rabiscos
Enquanto meus traços de nada são certos
O seu corpo é bem estruturado
Enquanto em mim há apenas uma solidez que pulsa por você
Suas roupas mostram verdades que mesmo querendo não fugiríamos delas
Enquanto as minhas fantasias escondem imperfeitos fantasmas
Seus braços fortes carregam um brilhante objetivo
Enquanto minhas frágeis mãos não constroem nem a certeza do amanhã
Seu caminho te leva a novas vidas
Enquanto minha escuridão me impede de voar
E você vai além do céu e eu não tenho asas
Sonhos são reflexos de você
Enquanto sonos me fazem adormecer
Você encanta almas
Enquanto eu apago estrelas com sorrisos
Eu não existo para você
Enquanto te amo.

Não lugar

| segunda-feira, 2 de maio de 2011 | 1 comentários |
       Eu sinto como se minhas pernas de nada servissem; que todas as direções que me fizeram chegar até aqui foram percorridas apenas por vontades cegas, que nem ao menos sei se foram minhas. E esse não lugar que conquistei com nenhum esforço pertence somente a mim, o único a quem o vazio se cria. Apoiando minhas costas cansadas de um verbo não conjugado em paredes de solidão, percebo que elas não se apoiam em mim. Pesado o amor que a noite me tem e eu caio em um nada que nunca toquei. No céu uma inocência brilha com uma luz tão escura quanto uma fé quebrada em olhos abertos. Em volta de mim, as árvores sem folhas terão frutos brancos ou pretos, minha cesta vazia deles me alimentará até a chegada da morte e assim eu sobreviverei até lá. As pedras que foram plantadas nas concretas nuvens sobre os meus pés assopram ventos não tão quentes quanto as voltas que o rélogio caminha dentro de mim. Os rios que nunca chorei em mim se desaguam e eu respiro em uma eternidade desenhada no fim, mas que não o vejo. Então o procuro na ponta das minhas dores, encontro apenas razões que me fazem real o bastante para querer adormecer. O branco dos calendários escorre para o teto e eles voam para uma queda sem companheiros. Cada dia que em mim se despedi deixando menos ecos dos gritos esquecidos por presenças conhecidas. O som da ausência é vivo como o ar das estrelas que passaram por aqui há tanto tempo, mas que agora não posso juntá-las, nem colá-las no não existir. As coisas estão morando no ontem e não há para onde cair, porque nele eu nunca construi esconderijos.

Se a porta abrir

| sábado, 23 de abril de 2011 | 2 comentários |
       Junto com os sonhos que carrego com tanta insegurança, alguns pensamentos me abraçam como as estações que vão chegando silenciosamente aos poucos. Com uma irrealidade próxima de mim, meus olhos brincam de me tornar cego. E essa escuridão que me é dada aos sorrisos, teme procurar demais a saída e acabar realmente encontrando aquilo que sempre desejou. Mesmo que isso seja nada além de mentiras, eu sei que essa é apenas uma maneira das verdades se disfarçarem quando estão distantes. Você está muito longe e é pelos passos banhados com flores que caminho sobre a minha pequena alma. Vozes amigas desenham um horizonte intocado e eu imagino que a qualquer momento surgirá por trás dos meus dedos a mão de um Sol tão vivo quanto o meu adormecer. Como me assombra pensar que sairei de um dia comum, te verei me esperando na porta dos meus tremores e assim me deixando tão simples e sem palavras; e ao mesmo tempo isso é lindo. Todas essas coisas acompanhadas pelo ar que tanto me assistiu chorar através das minhas piadas; que tanto me viu sozinho com as lembraças que refletiam sua imagem. E de alguma maneira eu quero que ele te pegue pelo braço e te traga até mim, mesmo que minha voz falte diante da sua luz. Bom viver nas noites tendo a certeza que você destrancará meus medos e se ocupará dos vazios que ficarão expostos. Se são apenas cançãos de ninar, que sejam minhas companheiras até o meu despertar.

Até agora

| terça-feira, 19 de abril de 2011 | 0 comentários |
Por que amanhecem pensamentos tão claros
Em minha mente segura em noites?
Eles estavam caídos em meu frio chão
Nítidos em uma infinita certeza
Que me dizia que o silêncio seria minha amiga
Eternamente, minha maneira de te amar
E eu adormecia com um sorriso

Pequenas gotas de vidas que caiam de nuvens inexistentes
Fazendo com que eu vivesse um sonho nunca encontrado
Por mais distante que estivessem das minhas mãos
Eu sentia que poderia brincar
Porque mesmo que crescessem, eu não sentiria a cor da altura

Mas os gritos vieram de vozes sem direções
Despertaram as ilusões que nunca desejaram abandonar os meus olhos
Agora elas procuram pelos seus ouvidos
Pela presença de sua alma
Escurecendo seu coração com as palavras delas

Todos os dias que eu me encostei na escuridão
Do meu solitário céu sem estrelas
Que agarrava a sua luz por trás de uma inocente imagem
Nesse instante procura pelo peso de sua respiração
Um coração estrelado parece ser a razão
De tudo isso que estava calmo com a solidão.

Presente intocado

| domingo, 17 de abril de 2011 | 0 comentários |
      Não era para eu estar aqui, contando as horas para o próximo amanhecer. Eu deveria estar desmanchando meus pensamentos sobre as páginas de um futuro; colorir a minha mente com histórias que nascem em algum lugar de um mundo desconhecido. Mas esses dias nunca me foram inteiros e os pedaços sempre cortaram minhas mãos me trazendo sorrisos pequenos. E o sangue não existe, mas a escuridão escorre por onde em meus olhos deveriam brilhar. Minhas mãos se ocupam em guardar um vazio que nasce de uma alma que treme com o branco dos sonhos mal escritos. Cada um sussurrado na quebra de tempo que o relógio insiste em viver ao invés de mim. Porque até agora, tenho escutado apenas isso e, nem ao menos, tento tapar os ouvidos. São nessas voltas que se encontram nossas lágrimas quietas, acenando todas as vezes que passamos repetidamente. Cansado, eu penso nos abraços dos meus próprios braços e sinto que os laços não são tão seguros. E os silêncios os desfazem como se fossem feitos de ventos e desilusões. Dessa maneira o meu passado se espalha atrás de mim e nada pode construí-lo como pede um presente que não consigo manchar.

Campos de esperanças

| quinta-feira, 14 de abril de 2011 | 0 comentários |
       Meus olhos estão abertos, mas estou sonhando. E acompanhado de flores que nunca visitaram os meus jardins. Do fundo deste meu coração sempre existiu tais imagens. Elas eram tão pequenas, brincavam de torná-lo vermelho e assim o mantinham batendo. Durante todos os dias, eu as deixei nas sombras dos meus pesadelos para que nenhuma conhecesse como é existir. Mas sempre existiram dentro de mim, isso já era o bastante para me assombrar. Mesmo assim, eu decidi por assistir todas elas de uma distância que me parecia segura.
       Nas últimas noites vieram as cartas que não foram endereçadas a mim. Abertas, as palavras foram lidas com cuidado, como uma chuva que cai sem apagar o sol. De repente, vi traços se tornando desenhos e esses ganharem vida. E eles sorriram para todos os cantos da minha alma; correram por todas as paredes do meu ser e me fizeram criança outra vez, acreditando que eu poderia voar. Mesmo eu não tendo asas. E por mais vazias que minhas costas estejam, as imagens que tempos atrás eram pequenas, cresceram. A distância que me parecia segura nada mais era o silêncio que sempre me enganou. Hoje os gritos surgem em mim tão próximos que posso sentir do que é feito os sonhos.
       Eu apaguei as luzes, mas as estrelas continuaram a brilhar. Por entre os campos frios de perigos risonhos, eu caminho sem destino. Porque as folhas esverdeadas nas árvores distraem quem um dia as viu espalhadas pelo vento. E sei que da mesma maneira que foram colocadas ali, serão retiradas rápido, como acordar de um sono que você não estava cansado. Mas agora é o momento de olhar a altura das cores e o ar da queda. Não os pedaços que eu me tornarei.

Mente desalmada

| sábado, 9 de abril de 2011 | 0 comentários |
Ao longe, vi-me distante, sem esperança
Desalmado e de mente vazia
Sozinho como um sonho de uma criança
Existir era tudo que eu fazia

Nas leves mãos dos dias, forte eu segurei
Passos que em meu caminho não amei
E são por eles que tenho que voltar
Sabendo que minha vida por lá eu deixei

Imperfeições que as pedras insistem em mostrar
Em uma alma que não me é mais sentida
Mas que um fio de frio ainda brinca de sorrir

Todo a hora que agora já está crescida
Envelhecida, o silêncio que nunca parou de dormir
Hoje grita e me evita acompanhado pela solidão.

Maldita ceia

| quinta-feira, 7 de abril de 2011 | 0 comentários |
Maldita ceia aquela em que o sal foi derramado
Dando sabor às futuras chagas de um Senhor ordinário
E todos que nunca tocaram o mar
Eles fazem de suas lágrimas uma nova maneira de não respirar
Com um sangue que não lhes pertencem
Eles matam a fome de suas veias
Com o corpo que não lhes é pesado
Eles ocupam a sede de suas cruzes
Desde então, todas as glórias são incolores
Cada fracasso é o preço de uma mancha no cálice inexistente
Onde bocas não conhecem o frio sagrado
Mas que tornam invernos as vidas sem nenhuma flor
Olhando para o céu, eles tentam encontrar
Uma mão que lhes ponham para dormir
E nas vezes que desviam os olhos para o chão
Esperam que a mesma mão lhes apontem com suas próprias mentiras
Os restos de todo o silêncio são insensíveis as suas histórias
Escritas por um sinal atrás de seus olhos.

Longe de mim

| sexta-feira, 1 de abril de 2011 | 0 comentários |
       Eu pensei que permanecendo dentro de mim tudo estaria aquecido, protegido daquilo que me matasse. Mas agora eu vejo que estou perdido e esquecido. E eu tentei gritar para mim que essa dor era apenas uma ilusão. Eu estou me sentindo tão vazio, indiferente por coisas desconhecidas. Incertezas que me fazem querer partir para um lugar que não sei ao certo. Talvez uma calma abandonada; um coração já partido; ou para um lugar mais perto da minha perdição.
       Eu não sei mais o que fazer. Se devo me apagar nas sombras ou me render. Dentro de mim não é um lugar seguro. Eu estou tão sonolento aqui, quase me entregando a minha derrota. Eu posso sentir tudo se tornar escuro. Minhas lágrimas cantam para eu adormecer. E acho que devo ir, para sempre, para longe daqui.
       Eu acreditei que permanecendo dentro de mim tudo seria amenizado, acabando com toda a minha dor, toda a minha agonia. Mas agora vejo que o caminho que eu seguia está muito distante de onde estou agora. E eu tentei gritar para mim que toda essa dor iria embora. Eu estou me sentindo tão fraco, desiludido por pesadelos tão reais. Mentiras que me fazem querer sair de um lugar que não sei ao certo. Talvez para fora de mim mesmo; uma alma já adormecida; ou de um lugar mais perto da minha destruição.

Culpado

| quinta-feira, 31 de março de 2011 | 0 comentários |
 
As luzes não acenderam hoje, porque eu sou o culpado
Sua vida não é a mesma, porque eu sou o culpado
Meu cansaço é apenas parte de mim
Porque eu sou o culpado de tudo que aconteceu comigo essa noite

Minha voz se calou, porque eu sou o culpado
Não consigo me olhar em seus olhos, porque eu sou o culpado
E todos os meus sorrisos enterrados aos seus pés
Porque eu sou o culpado de tudo que aconteceu comigo essa noite

Eu não chorei perto de você, porque eu sou o culpado
Eu te disse que me odeio, porque eu sou o culpado
Todas as estrelas que não pude ver com os olhos fechados
Porque eu sou o culpado de tudo que aconteceu comigo essa noite

Eu me escondi em ilusões, porque eu sou o culpado
Eu fingi me encontrar, porque eu sou o culpado
Ainda procuro os sonhos que guardei
Porque eu sou o culpado de tudo que aconteceu comigo essa noite.

Amanhã

| terça-feira, 29 de março de 2011 | 0 comentários |
       Eu me alimentarei das sombras que os dias desejam sobre as coisas. O tempo nascerá quando meus olhos acordarem; sempre junto com o silêncio de uma escuridão bem adormecida. E ela sonhará com uma brincadeira de sete horas em um lugar longe de onde estou agora. Lá, as vidas que respiram terão que ser amadas hoje, porque poderão não mais existir quando os ponteiros forem fios de lembranças daquilo que foi o meu ar. As lâmpadas que iluminaram todos os cantos, não espantarão os medos que nesses instantes me abraçam. É tão forte, tão inteiro, que eu poderia pular dentro de mim e mesmo assim estaria preso. Mas eu sei, terei que me despedir das minhas asas, para realmente perceber que a frieza do céu era as pedras fingindo ser estrelas. Todas as janelas terão que ser limpas para que as próximas estações sejam vistas chegando nas histórias que o vento e as nuvens contam. Eu abrirei os meus olhos e por isso as cores também serão minhas. Como a página que um dia foi branca, minha mente está inocente. Aos desenhos que dominam minhas mãos, eu entregarei os traços que não fiz. Serão com eles que caminharei em busca dos meus pedaços quebrados, espalhados nas dúvidas que me pertencem. Em todas as futuras tardes que elas se tornarão as respostas pela qual carregarei a vida. E eu viverei, mas amanhã.

Pequenas horas eternas

| sábado, 26 de março de 2011 | 0 comentários |
Sussurrando para a noite que me guarda
Eu desejo que você não esteja chorando, nem se sinta sozinho
Nesse mundo que você precisou acordar
Nas mais escuras e pequenas horas eternas

Mas se dos seus olhos estiverem caindo pedaços de alma
Saiba que meu coração estará vazio
Para que ele ame a sua tristeza em meio as minhas confusões

E todas elas serão minhas brincadeiras
Minha maneira de te distrair quanto tudo o que você vê
São paredes tão incolores aos meus pensamentos
Mas muito reais para seus sonhos

Eu imagino as janelas que te impedem de voar
Os silêncios que você ouve ao se despedir das estrelas
Por mais que sua sombra não apareça como nas outras rosas
Eu sei que ela está dentro de você
Para que amanheça no horizonte que sinto em seu sorriso.

Esquecimento

| sexta-feira, 25 de março de 2011 | 0 comentários |






Eu passei tanto tempo na escuridão
Que esqueci como é a luz da sua voz
O silêncio do seu sorriso
E a força da nossa distância
Esqueci que você sabe que seu nome é repetido e lembrado
Muitas e muitas vezes por muitos
E que minha mente ao pensar e minha boca ao falar
São apenas mais uma ao repeti-lo nessa grande multidão
Eu sou o grito... tão longe do objetivo
O grito que não existe... mas está lá
E se eu souber uma maneira de ser o cansaço desses gritos
Eu serei, porque talvez assim você perceba...
Eu tinha esquecido como sua existência é essência para mim
Talvez eu tenha feito isso para me proteger daquilo que nos separa
E que nunca nos uniu
Daquilo que eu sempre soube, mas que fechava os olhos simplesmente
Que é a distância...
E a certeza de que eu sou apenas mais um que te admira
Que te ama e te leva sempre junto ao coração
Que eu sou apenas mais um que espera te encontrar
Quando a noite se faz presente e as estrelas cantam
Fingindo ser você.

Solidão e desprezo

| quarta-feira, 23 de março de 2011 | 0 comentários |
 
Meus sonhos estão sujos de solidão e desprezo
E ninguém consegue ver isso
Porque ninguém sabe como é viver a noite e morrer de dia
Porque ninguém sabe como é respirar como eu respiro
Sofrer como eu sofro
Amar como eu amo
E te ver como eu te vejo.

Mais um dia

| segunda-feira, 21 de março de 2011 | 2 comentários |
       Mais um dia abandonado dentro de mim. Minutos arrancados do meu coração. E para onde eu olho não tem flores, não tem razões, muito menos alguma vida. Eu escureci o meu dia para que ninguém me visse em uma inteira perdição. Cada palavra não lida repousa sobre meu desconhecimento; cada passado ainda continua em meu relógio, e mesmo que seja voltado, eu não consigo salvar tudo que está morto. Se agora eu começasse a chover para que houvesse um arco-íris, não teria mais crianças para descobrir a textura das cores. Ninguém iria conseguir conhecer as sombras dos sonhos que são guardados nas gotas de chuva. Nada seria tão profundo e seguro se nascesse hoje. Não teria o mesmo tamanho que o amor, nem o mesmo sabor que as lágrimas durante o fim. As nuvens que não vi mudaram de formas. E por mais que eu saiba que preciso segui-las, tudo o que me move não me tira daqui.
       O que eu deveria estar fazendo está longe dos meus olhos. Escondido em uma tentativa de acreditar que as páginas aparecerão escritas com as respostas que não pensei; que elas poderão ser feitas de uma maneira leve e rápida quando eu tiver completado todos os momentos de uma dia. Mas minhas mãos estão cansadas da ausência de peso; minha mente está cheia de fórmulas e lições mal desenhadas. Talvez eu não as ame como precisam. Mas elas sabem o quanto quero isso. O fracasso quando é nosso se torna mais confortável. E todas as minhas mentiras descansam sobre um tempo que não tenho. Por mais que eu chegue ao céu, não verei as estrelas. Elas se apagaram e meus braços são curtos demais para alcançá-las. Já não são mais escuridões, nem claridades, são apenas pegadas de um caminho que não acompanhei.

Eu quero adormecer

| sexta-feira, 18 de março de 2011 | 0 comentários |




É uma vontade que nasce no coração
Passa pelo peito mal pronunciado
Pelos braços sem carne
Pelas longas mãos e pelos magros dedos
Desce pela barriga não molhada
Pelas baixas pernas e pelos cansados pés
Sobe para os olhos de uma cor
Para os pensamentos não amados
E o corpo se esfria por dentro
A alma se alimenta de tudo
Eu quero adormecer
Para sempre.

Um lugar que não é meu

| quinta-feira, 17 de março de 2011 | 0 comentários |
       Eu ouço o som de inteligência ao longe. Pequenas caixas de três paredes que guardam grandes mundos. E eu sei que elas não ficarão por muito tempo. Tantas paredes são frágeis para sonhadores reais. Ao contrário de mim, eles folheiam o dia e a noite pertencem a si mesmos. Há muito tempo eu não sei o que é isso. Talvez eu nunca tenha conhecido.
      Apesar da rosa me tomar os olhos, esse não é o meu lugar. As sólidas nuvens brancas não anunciam o anoitecer. Mas respiram luzes agradáveis aos olhos. E todos com suas cores diversas observam suas flores internas. Como eu não as cultivei, já é hora do outono brincar.
      Eles crescem e caminham por uma realidade distante de minhas mãos. Ou por ser próximos demais se quebra sem nenhum esforço. A porta que entra é a mesma que sai. E está tarde de mais para sair de mim mesmo.
      Reflexos transparentes mostram o mundo lá fora. E eu não se quais deles estão aqui e os que são da minha mente. Eles não estão perdidos como eu e assim me guio. O passado pede silêncio, porque quando se está andando não se olha para trás. Mas o meu grita em minha alma, como suspiros de um desejo de ter sonhado um sonho que nunca existiu.

Quando você estava

| terça-feira, 15 de março de 2011 | 0 comentários |













Você se lembra de quando estudávamos na mesma escola?
Nós respirávamos o mesmo ar
E eu podia acreditar que o mesmo sol nos aquecia
Mas nossas sombras nunca foram iguais

Eu ainda era criança nesse tempo
Sonhando que meu coração permaneceria inteiro, a vida toda
Para quando você viesse me encontrar
Em suas mãos eu o entregaria lacrado com um sorriso
E apenas o seu nome escondido por dentro

Hoje eu percebi que cresci
E que meu coração não está mais inteiro como tanto sonhei
Você não veio ao meu encontro
E em minhas mãos cada parte ainda te ama como nunca amou
E o seu nome escrito em cada uma delas

Nessa noite, tudo pode mudar
Para o bem ou para o mal
Você pode sair da minha vida de uma maneira que me faça sangrar
Ou eu posso voltar aos tempos em que você estava em nossa escola
Quando te olhar era tudo o que eu precisava para sobreviver
Pelo menos por aquele dia

Não sei se devo chorar ou sorrir
Mas você sempre terá tudo de mim
Porque você é tudo que mais amo nessa vida e na morte.

Silenciosas canções de ninar

| segunda-feira, 14 de março de 2011 | 0 comentários |
Esse lugar está tão calmo que posso ouvir o meu coração bater
Eu posso sentir todas as mentiras que deixei para trás
E eu sei, não consigo esquecer
Mas quando você está aqui nada disso pode me tocar
Até o momento de eu partir

Eu adormeço em mim mesmo para esquecer o que me tornei
E falando com você, me sinto leve
Eu sinto que posso voar
Eu sinto que posso voar para você

Você me ensinou a respirar
Eu desenterro meu coração e entrego a você
Você é o meu refúgio
E eu sei que ninguém pode me encontrar aqui
Minha alma pode ver que você é muito mais do que eles dizem
Eles dizem que você não existe
Como eles dizem isso se a vida que carrego aqui é você?
Dentro de mim você existe

Quando os meus medos se tornaram os meus olhos
Você estava lá para me salvar
Você pode não ter visto isso
Mas você me adormeceu nas minhas noites mais sombrias
Eu me escondi em suas palavras
E elas foram as minhas silenciosas canções de ninar.