Você, o amanhã, o passado

| quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 | 1 comentários |
       Como é adormecer sem sono? Como é morrer sem ter vivido, sem ter respirado a vida em si? Foi assim que começou a minha noite, quando os sonhos de todos estavam acordados. Não consigo apagar a realidade, distrair-me com os mais frios delírios que me são companheiros. Então eu penso em muitas coisas: em você, no amanhã, no passado. Quanto mais eu olho o mundo lá fora, o de dentro se torna mais profundo e, de certa maneira, claramente escuro; é como se os dias e minha alma formassem um ciclo completo. Meu coração é vermelho como a rosa e essa tem espinhos tão desenhados quanto as cicatrizes em minha memória. Eu queria perguntá-la: "Foi você que me feriu tanto assim? Minhas mãos ao abraçá-la apertaram demais a sua história?". Mas ela não responderia, como meu pulsar que perguntado qual caminho seguir, continua em silêncio.
       Eu acho doloroso demais esquecer todas as nuvens que interpretei até chegar aqui; às vezes acho impossível esquecer o que sinto por você. Aliás, muitas das vezes eu percebo isso, no entanto é sempre que tenho certeza. Eu não aprendo muitas coisas, é verdade; não consigo olhar as próximas estações com recentes olhos, eles ainda têm o verde do nascimento. Diante da mudança, dois passos para trás não é o mesmo que um à frente; há quanto tempo eu venho tropeçando dentro e fora de mim? A soma de todas as horas em que estive sozinho: sempre. Eu cresci e são as lágrimas de criança que me acalmam; são as lembranças de um chão sobre os pés, e não de um céu sob a cabeça, que me confortam.
       Eu quero sentir coisas novas, mas esses antigos sentimentos nunca morrem dentro de mim. Por mais angustiante e assombroso me pareça esse pensamento, eu quero te esquecer. Mas minha vontade ainda insiste em ver suas fotos, uma a uma, até que por todo o meu vazio corpo ecoe o som do seu nome. Eu sei que esse amor nunca foi real, uma mentira criada tão doce e distante quanto sorrir, mas também sei o quão encantadora é a crença em algo puro, como conheço o gosto de uma cura inalcançável; durante esses anos, sua presença em meus dias foi pura e inexistente.
       Como tornar mais claras as manhãs que são as mesmas? Como contar estrelas diferentes se o brilho delas aqui é igual? Como cometer novos erros, se as lições são as mesmas? Eu não sei, como não sei se quebrarei mais todos os pequenos pedaços que caíram na última sala, do último ano, ou se os salvarei de mim mesmo como nunca fiz.

Nossas despedidas

| quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 | 0 comentários |
Eu tento te mostrar meu coração
E tudo o que eu consigo agarrar são esses medos
O que você vai pensar quando descobrir
Que por baixo desses versos existe o seu nome?
Como você vai me ver quando sentir
Que por baixo de seu nome estão os meus segredos?

Flores amarelas se tornam laranjas
Elas me encantaram como você
Se elas pudessem falar, acho que falariam o seu nome
Se elas pudessem gritar, acho que gritariam por você
Como agora, você não consegue ouvir
Mas tudo em mim grita por você

O que eu quero é apenas ser o seu amigo
Segurar sua mão quando a noite invadir os seus sonhos
Olhar em seus olhos sem ter nenhuma vergonha
Não consigo me imaginar respirando ao seu lado
Porque se isso acontecer, você verá que sou apenas mais um
Você verá que não sou o único

Quando você sorri e eu estou adormecido
Eu sangro pensando se você está sorrindo de verdade
Meus dias seriam perfeitos se eu descobrisse que por trás dessa ilusão
Você está gostando da minha distante companhia
Não se preocupe, eu estarei aqui quando as estrelas se apagarem

Quando estou sozinho, eu penso em dizer tantas coisas a você
Mas quando eu vejo sua imagem congelada diante de mim
Eu penso melhor e sei que tudo isso é muito pequeno para você
Você não está preparado para suportar minhas dores
Mas por favor, me traga suas lágrimas
Eu as farei vivas dentro de mim

Muitas vezes eu acho que me importo demais com você
E talvez eles nunca entendam
Admitir isso é admitir meu erro
E eu sei que nunca estarei em seu coração

Eu fecho meus olhos e o silêncio está aqui
Ele me diz o seu nome e tudo que eu peço é que te faça real
Depois que eu te vi, nunca fui o mesmo
Poucos segundos parecem a eternidade ouvindo você
Não quero te machucar
E eu desejo ter os seus segredos perto de mim
Nunca vou te magoar
Porque eu sei que você não quer os meus segredos
Apenas me diga e me faça rir
E eu quero fazer o mesmo por você
Mesmo que minha vida seja nada para você
Eu darei a vida por você
Minha vida pertence a você

Em todas as nossas despedidas, eu guardo o dia de amanhã
Uma nova razão para viver.

Mortas linhas de uma voz silenciosa

| sábado, 7 de janeiro de 2012 | 1 comentários |
       Eu deveria estar tentando me salvar enquanto tudo cai, no entanto as coisas são mais acostumadas a se deitarem do que a se reconstruírem. Há tantas palavras a serem escritas, desabafos famintos por uma voz, mas as linhas permanecem brancas e o som submerso nos sentimentos que escorrem desse meu coração. Misturam-se os pensamentos com o respirar das histórias que eu poderia contar: o amor sonhado por um solitário, a fraqueza da criança que tem o mesmo rosto que eu, a descrição de como é querer se desfazer, não mais existir... E muitas outras gotas de uma tempestade que se esconde por trás de uma inlegível atmosfera. Todas elas são vontades do sangue que ainda se mantém quente dentro de mim, à procura de gritos, lágrimas ou alguma cor que torne leve esse silêncio interno. É difícil, traçar qualquer afirmação sobre superfícies que não mostram verdades, nem mentiras, apenas cinzas que nublam até as mais claras incertezas que carrego. Nas pontas dos pés, a desordem toma a forma de fracasso e além da confusão, a sensação de que nada se prende aos dedos me deixa mais perdido em minha própria perdição. Se eu não precisasse, ao menos, dizer sobre os pedaços que se encontram no caminho, mas apesar das minhas mãos alcançarem, elas estão agitadas demais para soltá-los como segredos vãos. Tão semelhante a uma fera que se alimenta de uma ferida que nunca se cura, o tempo me consome; deslizando pelas minhas veias, ele não me pergunta se dormirei bem mais um anoitecer sem ideias confortáveis para a mente. Por mais que minha alma seja imortal nesse ciclo que me destrói e, ao mesmo sabor, me faz sentir vivo, inevitavelmente eu pensei em calar o orador desse mar que pulsa inconstante através do meu corpo. Mas não consigo, porque ainda que calado, existem as chamas que me atingem e crescem, afogando-me por inteiro.
       Depois de todos esses dias distantes, eu acho que desaprendi a lapidar as preciosas dores; drená-las para um veneno que acalme a estreita prisão do peito. Às vezes, cego pelo brilho de muitas, desejo abri-lo em dois para libertar o último fôlego, como o perfume da rosa que é, quando fechada, guardado em seu íntimo. Atrás dos olhos, esforço-me para transformar cada lembrança, cada desconhecido sussurro, em uma redenção que me esvazie dessa angústia; aos poucos, surgem ecos incertos de emoções manchando a inocência que me era oportuna. Foram por eles que segui tão longe nesses rabiscos e ouvindo as gargalhadas das imperfeições, demorei para costurar um sentido na falta de fé em minhas recentes orações. Aqui distraído, não sei se estou desperto o bastante do sono de tudo que me tem sido trazido, porque até agora tenho me percebido muito pequeno entre essas minhas soletradas letras. Então, junto com o meu julgamento de que esse discurso não está completo, existe as estrelas que ainda não foram enumeradas e que enchem o meu céu. Mesmo assim eu não posso continuar.