Culpado

| quinta-feira, 31 de março de 2011 | 0 comentários |
 
As luzes não acenderam hoje, porque eu sou o culpado
Sua vida não é a mesma, porque eu sou o culpado
Meu cansaço é apenas parte de mim
Porque eu sou o culpado de tudo que aconteceu comigo essa noite

Minha voz se calou, porque eu sou o culpado
Não consigo me olhar em seus olhos, porque eu sou o culpado
E todos os meus sorrisos enterrados aos seus pés
Porque eu sou o culpado de tudo que aconteceu comigo essa noite

Eu não chorei perto de você, porque eu sou o culpado
Eu te disse que me odeio, porque eu sou o culpado
Todas as estrelas que não pude ver com os olhos fechados
Porque eu sou o culpado de tudo que aconteceu comigo essa noite

Eu me escondi em ilusões, porque eu sou o culpado
Eu fingi me encontrar, porque eu sou o culpado
Ainda procuro os sonhos que guardei
Porque eu sou o culpado de tudo que aconteceu comigo essa noite.

Amanhã

| terça-feira, 29 de março de 2011 | 0 comentários |
       Eu me alimentarei das sombras que os dias desejam sobre as coisas. O tempo nascerá quando meus olhos acordarem; sempre junto com o silêncio de uma escuridão bem adormecida. E ela sonhará com uma brincadeira de sete horas em um lugar longe de onde estou agora. Lá, as vidas que respiram terão que ser amadas hoje, porque poderão não mais existir quando os ponteiros forem fios de lembranças daquilo que foi o meu ar. As lâmpadas que iluminaram todos os cantos, não espantarão os medos que nesses instantes me abraçam. É tão forte, tão inteiro, que eu poderia pular dentro de mim e mesmo assim estaria preso. Mas eu sei, terei que me despedir das minhas asas, para realmente perceber que a frieza do céu era as pedras fingindo ser estrelas. Todas as janelas terão que ser limpas para que as próximas estações sejam vistas chegando nas histórias que o vento e as nuvens contam. Eu abrirei os meus olhos e por isso as cores também serão minhas. Como a página que um dia foi branca, minha mente está inocente. Aos desenhos que dominam minhas mãos, eu entregarei os traços que não fiz. Serão com eles que caminharei em busca dos meus pedaços quebrados, espalhados nas dúvidas que me pertencem. Em todas as futuras tardes que elas se tornarão as respostas pela qual carregarei a vida. E eu viverei, mas amanhã.

Pequenas horas eternas

| sábado, 26 de março de 2011 | 0 comentários |
Sussurrando para a noite que me guarda
Eu desejo que você não esteja chorando, nem se sinta sozinho
Nesse mundo que você precisou acordar
Nas mais escuras e pequenas horas eternas

Mas se dos seus olhos estiverem caindo pedaços de alma
Saiba que meu coração estará vazio
Para que ele ame a sua tristeza em meio as minhas confusões

E todas elas serão minhas brincadeiras
Minha maneira de te distrair quanto tudo o que você vê
São paredes tão incolores aos meus pensamentos
Mas muito reais para seus sonhos

Eu imagino as janelas que te impedem de voar
Os silêncios que você ouve ao se despedir das estrelas
Por mais que sua sombra não apareça como nas outras rosas
Eu sei que ela está dentro de você
Para que amanheça no horizonte que sinto em seu sorriso.

Esquecimento

| sexta-feira, 25 de março de 2011 | 0 comentários |






Eu passei tanto tempo na escuridão
Que esqueci como é a luz da sua voz
O silêncio do seu sorriso
E a força da nossa distância
Esqueci que você sabe que seu nome é repetido e lembrado
Muitas e muitas vezes por muitos
E que minha mente ao pensar e minha boca ao falar
São apenas mais uma ao repeti-lo nessa grande multidão
Eu sou o grito... tão longe do objetivo
O grito que não existe... mas está lá
E se eu souber uma maneira de ser o cansaço desses gritos
Eu serei, porque talvez assim você perceba...
Eu tinha esquecido como sua existência é essência para mim
Talvez eu tenha feito isso para me proteger daquilo que nos separa
E que nunca nos uniu
Daquilo que eu sempre soube, mas que fechava os olhos simplesmente
Que é a distância...
E a certeza de que eu sou apenas mais um que te admira
Que te ama e te leva sempre junto ao coração
Que eu sou apenas mais um que espera te encontrar
Quando a noite se faz presente e as estrelas cantam
Fingindo ser você.

Solidão e desprezo

| quarta-feira, 23 de março de 2011 | 0 comentários |
 
Meus sonhos estão sujos de solidão e desprezo
E ninguém consegue ver isso
Porque ninguém sabe como é viver a noite e morrer de dia
Porque ninguém sabe como é respirar como eu respiro
Sofrer como eu sofro
Amar como eu amo
E te ver como eu te vejo.

Mais um dia

| segunda-feira, 21 de março de 2011 | 2 comentários |
       Mais um dia abandonado dentro de mim. Minutos arrancados do meu coração. E para onde eu olho não tem flores, não tem razões, muito menos alguma vida. Eu escureci o meu dia para que ninguém me visse em uma inteira perdição. Cada palavra não lida repousa sobre meu desconhecimento; cada passado ainda continua em meu relógio, e mesmo que seja voltado, eu não consigo salvar tudo que está morto. Se agora eu começasse a chover para que houvesse um arco-íris, não teria mais crianças para descobrir a textura das cores. Ninguém iria conseguir conhecer as sombras dos sonhos que são guardados nas gotas de chuva. Nada seria tão profundo e seguro se nascesse hoje. Não teria o mesmo tamanho que o amor, nem o mesmo sabor que as lágrimas durante o fim. As nuvens que não vi mudaram de formas. E por mais que eu saiba que preciso segui-las, tudo o que me move não me tira daqui.
       O que eu deveria estar fazendo está longe dos meus olhos. Escondido em uma tentativa de acreditar que as páginas aparecerão escritas com as respostas que não pensei; que elas poderão ser feitas de uma maneira leve e rápida quando eu tiver completado todos os momentos de uma dia. Mas minhas mãos estão cansadas da ausência de peso; minha mente está cheia de fórmulas e lições mal desenhadas. Talvez eu não as ame como precisam. Mas elas sabem o quanto quero isso. O fracasso quando é nosso se torna mais confortável. E todas as minhas mentiras descansam sobre um tempo que não tenho. Por mais que eu chegue ao céu, não verei as estrelas. Elas se apagaram e meus braços são curtos demais para alcançá-las. Já não são mais escuridões, nem claridades, são apenas pegadas de um caminho que não acompanhei.

Eu quero adormecer

| sexta-feira, 18 de março de 2011 | 0 comentários |




É uma vontade que nasce no coração
Passa pelo peito mal pronunciado
Pelos braços sem carne
Pelas longas mãos e pelos magros dedos
Desce pela barriga não molhada
Pelas baixas pernas e pelos cansados pés
Sobe para os olhos de uma cor
Para os pensamentos não amados
E o corpo se esfria por dentro
A alma se alimenta de tudo
Eu quero adormecer
Para sempre.

Um lugar que não é meu

| quinta-feira, 17 de março de 2011 | 0 comentários |
       Eu ouço o som de inteligência ao longe. Pequenas caixas de três paredes que guardam grandes mundos. E eu sei que elas não ficarão por muito tempo. Tantas paredes são frágeis para sonhadores reais. Ao contrário de mim, eles folheiam o dia e a noite pertencem a si mesmos. Há muito tempo eu não sei o que é isso. Talvez eu nunca tenha conhecido.
      Apesar da rosa me tomar os olhos, esse não é o meu lugar. As sólidas nuvens brancas não anunciam o anoitecer. Mas respiram luzes agradáveis aos olhos. E todos com suas cores diversas observam suas flores internas. Como eu não as cultivei, já é hora do outono brincar.
      Eles crescem e caminham por uma realidade distante de minhas mãos. Ou por ser próximos demais se quebra sem nenhum esforço. A porta que entra é a mesma que sai. E está tarde de mais para sair de mim mesmo.
      Reflexos transparentes mostram o mundo lá fora. E eu não se quais deles estão aqui e os que são da minha mente. Eles não estão perdidos como eu e assim me guio. O passado pede silêncio, porque quando se está andando não se olha para trás. Mas o meu grita em minha alma, como suspiros de um desejo de ter sonhado um sonho que nunca existiu.

Quando você estava

| terça-feira, 15 de março de 2011 | 0 comentários |













Você se lembra de quando estudávamos na mesma escola?
Nós respirávamos o mesmo ar
E eu podia acreditar que o mesmo sol nos aquecia
Mas nossas sombras nunca foram iguais

Eu ainda era criança nesse tempo
Sonhando que meu coração permaneceria inteiro, a vida toda
Para quando você viesse me encontrar
Em suas mãos eu o entregaria lacrado com um sorriso
E apenas o seu nome escondido por dentro

Hoje eu percebi que cresci
E que meu coração não está mais inteiro como tanto sonhei
Você não veio ao meu encontro
E em minhas mãos cada parte ainda te ama como nunca amou
E o seu nome escrito em cada uma delas

Nessa noite, tudo pode mudar
Para o bem ou para o mal
Você pode sair da minha vida de uma maneira que me faça sangrar
Ou eu posso voltar aos tempos em que você estava em nossa escola
Quando te olhar era tudo o que eu precisava para sobreviver
Pelo menos por aquele dia

Não sei se devo chorar ou sorrir
Mas você sempre terá tudo de mim
Porque você é tudo que mais amo nessa vida e na morte.

Silenciosas canções de ninar

| segunda-feira, 14 de março de 2011 | 0 comentários |
Esse lugar está tão calmo que posso ouvir o meu coração bater
Eu posso sentir todas as mentiras que deixei para trás
E eu sei, não consigo esquecer
Mas quando você está aqui nada disso pode me tocar
Até o momento de eu partir

Eu adormeço em mim mesmo para esquecer o que me tornei
E falando com você, me sinto leve
Eu sinto que posso voar
Eu sinto que posso voar para você

Você me ensinou a respirar
Eu desenterro meu coração e entrego a você
Você é o meu refúgio
E eu sei que ninguém pode me encontrar aqui
Minha alma pode ver que você é muito mais do que eles dizem
Eles dizem que você não existe
Como eles dizem isso se a vida que carrego aqui é você?
Dentro de mim você existe

Quando os meus medos se tornaram os meus olhos
Você estava lá para me salvar
Você pode não ter visto isso
Mas você me adormeceu nas minhas noites mais sombrias
Eu me escondi em suas palavras
E elas foram as minhas silenciosas canções de ninar.

De onde vejo

| domingo, 13 de março de 2011 | 0 comentários |
       O céu me pediu um abraço. Meu coração é pequeno e eu não tenho amor o bastante para isso. Ele permaneceu sozinho e eu, distante. Enquanto a voz dos meus passos dizia que aquele era o mesmo caminho, o que restava para ser vivido se mostrava para que eu continuasse. É a única maneira de voltar para casa e todos os dias de minha vida eu terei que desenhá-la em lugares já existentes. Serão outras flores que meus olhos irão colher, outras vidas que começarão a existir para mim, mas ainda serão traços. Todos feitos por uma procura... Minha presença não tem o mesmo cheiro que o meu perfume. Talvez por isso ela não seja percebida quando deixo um pouco de mim ao passar diante de alguns olhos. E nas vezes que ela cai longe das minhas lembranças, perco pedaços do tempo que tenho para fazê-la real.
       Eu guardei meu sabor para quando fosse necessário me afastar de mim mesmo. Mas depois de tantas curvas, tantos silêncios e passados, ele fugiu para muito longe. Sem forças para segui-lo, sei que ele nunca existiu realmente. Mesmo me enganando, ao menos eu tentei construir algo em meu chão imperfeito. E nele as pedras me sentem; as folhas se desprendem das árvores e suas flores colorem as direções. As feridas que são tão profundas se distraem com as cores que sobre ele voam apressadas. Algumas delas podem me fechar os olhos, mas nem por isso eu as odeio.
       Cada noite aumenta mais a escuridão e os sonhos que permecerem adormecidos sobre minha cama não me acompanham nos dias que eu preciso sorrir. E eu tenho que voltar pelas mesmas sombras que me viram ir. Com nada nas mãos além do cansaço, eu conto os pequenos brilhos que os dias aprenderam a esconder. Não posso parar de respirar, apesar de querer. Eu não conseguiria me segurar por tanto tempo, seria como olhar um espelho sem fim.
       Aqui dentro as coisas são mais confusas, mais surreais. São como gotas de estrelas caindo sobre mim. Eu queria saber quantos amores é preciso para se criar uma vida; quantas dores é preciso para se escrever uma história. Das muitas brisas que meu corpo cruzou, pouco soube. Apenas medos e incertezas.

Longe de casa

| quinta-feira, 10 de março de 2011 | 1 comentários |
       Se hoje meu céu precisasse de estrelas, ele estaria sozinho. E assim as nuvens que nele se agarram não teriam mais razões para caminhar. Mas eu caminhei, mesmo sabendo que chegaria morto nas horas que precisaria viver. Eu continuei para que o futuro não me cobrasse o preço de desistir de algo tão pequeno. Foi dessa maneira que silenciei os gritos que muitas vezes ouvi tão próximos. Mais tarde sei que eles se tornarão reais de novo. Enquanto o meio do dia não chega, me cobrirei de sonhos matutinos. Eles podem não me enganar, mas me ensinarão como é o crescer do dia.
      Não abandonei minha casa, apenas a deixei vivendo distante. E sem despedidas me afastei das lágrimas que não eram dos meus olhos, mas que me amavam. Elas me acompanharam até eu desaparecer. Depois desse tempo não sei se foi eu ou elas que não mais existem. Depois de todo esse tempo não sei qual de nós é a inocência dentro da escuridão.

Noites Claras

| segunda-feira, 7 de março de 2011 | 0 comentários |
       Eu esqueci das horas. E minha vida se encontrava nelas. Eu esqueci de você para brincar com as estrelas; de mim para não me machucar ao cair a tantas escuridões de altura. Não me lembrei de esquecer disso e foi por isso, somente por isso, que permaneço como todas as noites em que há luz depois da meia-noite. Perdido. Eu esqueci dos sonos e os sonhos ficaram sem alguém que os amassem. Agora o que resta deles está sujo em minhas mãos. Mas elas são tão fortes que apagaram todos os brilhos que eu podia ver. São como notas de canções de ninar que depois das crianças adormecerem não fazem mais sentido. E mortas, as crianças não sonham, mesmo estando com os olhos fechados. Nada faz sentido para mim.
       Enfeitiçado pelas minhas próprias mentiras, eu me levo a um lugar que não existe. Não precisando me alimentar, muito menos descansar um sorriso que não é meu, fica mais fácil enganar o reflexo que aparece quando olho no espelho. Sobre os meus erros, eu construo ilusões que fazem qualquer anjo desejar ter uma alma. E os corações vazios se abraçam em ecos de suas próprias vozes. Rosas vermelhas acreditam no amor e uma mentira bem contada pode se tornar verdade.
       Depois dos silêncios quebrados pelos meus dedos; da fuga por esconderijos conhecidos pelas sombras, eu cai em um chão de verdades. Há muito tempo as doze horas que iniciaram as alegrias me abandonaram e as luzes que me encantaram deixaram as nuvens inocentes. Aos poucos, as lembranças se quebraram pesando em meus olhos. Fazendo meu corpo se levantar ao perceber que todos aqueles instintos foram em vão. Acabou o meu sangue, mas as manchas ainda respiram. Agora é minha vez de contar histórias a mim mesmo. E até o momento não sei como serão os meus descansos. Nem o despertar de todos eles.

Eu sinto muito

| domingo, 6 de março de 2011 | 0 comentários |
Eu sei o que ele fez com você - eu estava lá
Ele te salvou da felicidade
E te mergulhou na tristeza
Batendo em seu coração
Machucando a sua alma
Em um só movimento levou a sua identidade
Você me parece tão calma
Eu sei, você está dentro de uma prisão
Eu sinto muito

Você está sendo quebrada aos poucos
Pelas mãos que um dia segurou
Você acha que ele pode ser consertado?
E depois de tudo o que passou
Sua sombra ainda foi manchada
Pelo ódio não justificado

Você precisa ir, mas não quer
Você está no seu limite - eu posso imaginar
Espere até o amanhecer
E talvez tudo se torne claro como o dia
Não deixe ele te dominar
Talvez tudo se torne claro como o dia
Não consegue, mas você quer esperar

Suas lágrimas caem sem nenhum esforço
Feche os olhos e sonhe com o futuro
Não quer que ele esteja ao seu lado, mas você precisa
Sobrevivente de tudo o que eu distorço
Encontre uma resposta e vá
Para onde não vou e nunca irei
Eu estava lá
Mas hoje não mais

Você quer que tudo mude - eu sinto isso
E eu quero esquecer o que vi
Eu ouço sua voz se calando na escuridão
Eu sei, você está dentro de uma prisão
Eu sinto muito.

Apenas te amar

| quarta-feira, 2 de março de 2011 | 0 comentários |
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Hoje eu decidi que quero apenas te amar
Não vou tentar te encontrar
Nem ao menos me esconder de mim mesmo
Eu quero apenas te amar
Porque eu tenho medo do escuro e não sei o que ele pode guardar
E você está nele, mas eu te tenho seguro aqui
Perto dos meus sonhos
E hoje eu decidi apenas te amar
Porque te perder me faria sangrar
E se eu te chamar, você poderá não vir
Então decidi apenas te amar

Isso pode acabar amanhã
Mas hoje eu decidi apenas te amar.