Se a porta abrir

| sábado, 23 de abril de 2011 | 2 comentários |
       Junto com os sonhos que carrego com tanta insegurança, alguns pensamentos me abraçam como as estações que vão chegando silenciosamente aos poucos. Com uma irrealidade próxima de mim, meus olhos brincam de me tornar cego. E essa escuridão que me é dada aos sorrisos, teme procurar demais a saída e acabar realmente encontrando aquilo que sempre desejou. Mesmo que isso seja nada além de mentiras, eu sei que essa é apenas uma maneira das verdades se disfarçarem quando estão distantes. Você está muito longe e é pelos passos banhados com flores que caminho sobre a minha pequena alma. Vozes amigas desenham um horizonte intocado e eu imagino que a qualquer momento surgirá por trás dos meus dedos a mão de um Sol tão vivo quanto o meu adormecer. Como me assombra pensar que sairei de um dia comum, te verei me esperando na porta dos meus tremores e assim me deixando tão simples e sem palavras; e ao mesmo tempo isso é lindo. Todas essas coisas acompanhadas pelo ar que tanto me assistiu chorar através das minhas piadas; que tanto me viu sozinho com as lembraças que refletiam sua imagem. E de alguma maneira eu quero que ele te pegue pelo braço e te traga até mim, mesmo que minha voz falte diante da sua luz. Bom viver nas noites tendo a certeza que você destrancará meus medos e se ocupará dos vazios que ficarão expostos. Se são apenas cançãos de ninar, que sejam minhas companheiras até o meu despertar.

Até agora

| terça-feira, 19 de abril de 2011 | 0 comentários |
Por que amanhecem pensamentos tão claros
Em minha mente segura em noites?
Eles estavam caídos em meu frio chão
Nítidos em uma infinita certeza
Que me dizia que o silêncio seria minha amiga
Eternamente, minha maneira de te amar
E eu adormecia com um sorriso

Pequenas gotas de vidas que caiam de nuvens inexistentes
Fazendo com que eu vivesse um sonho nunca encontrado
Por mais distante que estivessem das minhas mãos
Eu sentia que poderia brincar
Porque mesmo que crescessem, eu não sentiria a cor da altura

Mas os gritos vieram de vozes sem direções
Despertaram as ilusões que nunca desejaram abandonar os meus olhos
Agora elas procuram pelos seus ouvidos
Pela presença de sua alma
Escurecendo seu coração com as palavras delas

Todos os dias que eu me encostei na escuridão
Do meu solitário céu sem estrelas
Que agarrava a sua luz por trás de uma inocente imagem
Nesse instante procura pelo peso de sua respiração
Um coração estrelado parece ser a razão
De tudo isso que estava calmo com a solidão.

Presente intocado

| domingo, 17 de abril de 2011 | 0 comentários |
      Não era para eu estar aqui, contando as horas para o próximo amanhecer. Eu deveria estar desmanchando meus pensamentos sobre as páginas de um futuro; colorir a minha mente com histórias que nascem em algum lugar de um mundo desconhecido. Mas esses dias nunca me foram inteiros e os pedaços sempre cortaram minhas mãos me trazendo sorrisos pequenos. E o sangue não existe, mas a escuridão escorre por onde em meus olhos deveriam brilhar. Minhas mãos se ocupam em guardar um vazio que nasce de uma alma que treme com o branco dos sonhos mal escritos. Cada um sussurrado na quebra de tempo que o relógio insiste em viver ao invés de mim. Porque até agora, tenho escutado apenas isso e, nem ao menos, tento tapar os ouvidos. São nessas voltas que se encontram nossas lágrimas quietas, acenando todas as vezes que passamos repetidamente. Cansado, eu penso nos abraços dos meus próprios braços e sinto que os laços não são tão seguros. E os silêncios os desfazem como se fossem feitos de ventos e desilusões. Dessa maneira o meu passado se espalha atrás de mim e nada pode construí-lo como pede um presente que não consigo manchar.

Campos de esperanças

| quinta-feira, 14 de abril de 2011 | 0 comentários |
       Meus olhos estão abertos, mas estou sonhando. E acompanhado de flores que nunca visitaram os meus jardins. Do fundo deste meu coração sempre existiu tais imagens. Elas eram tão pequenas, brincavam de torná-lo vermelho e assim o mantinham batendo. Durante todos os dias, eu as deixei nas sombras dos meus pesadelos para que nenhuma conhecesse como é existir. Mas sempre existiram dentro de mim, isso já era o bastante para me assombrar. Mesmo assim, eu decidi por assistir todas elas de uma distância que me parecia segura.
       Nas últimas noites vieram as cartas que não foram endereçadas a mim. Abertas, as palavras foram lidas com cuidado, como uma chuva que cai sem apagar o sol. De repente, vi traços se tornando desenhos e esses ganharem vida. E eles sorriram para todos os cantos da minha alma; correram por todas as paredes do meu ser e me fizeram criança outra vez, acreditando que eu poderia voar. Mesmo eu não tendo asas. E por mais vazias que minhas costas estejam, as imagens que tempos atrás eram pequenas, cresceram. A distância que me parecia segura nada mais era o silêncio que sempre me enganou. Hoje os gritos surgem em mim tão próximos que posso sentir do que é feito os sonhos.
       Eu apaguei as luzes, mas as estrelas continuaram a brilhar. Por entre os campos frios de perigos risonhos, eu caminho sem destino. Porque as folhas esverdeadas nas árvores distraem quem um dia as viu espalhadas pelo vento. E sei que da mesma maneira que foram colocadas ali, serão retiradas rápido, como acordar de um sono que você não estava cansado. Mas agora é o momento de olhar a altura das cores e o ar da queda. Não os pedaços que eu me tornarei.

Mente desalmada

| sábado, 9 de abril de 2011 | 0 comentários |
Ao longe, vi-me distante, sem esperança
Desalmado e de mente vazia
Sozinho como um sonho de uma criança
Existir era tudo que eu fazia

Nas leves mãos dos dias, forte eu segurei
Passos que em meu caminho não amei
E são por eles que tenho que voltar
Sabendo que minha vida por lá eu deixei

Imperfeições que as pedras insistem em mostrar
Em uma alma que não me é mais sentida
Mas que um fio de frio ainda brinca de sorrir

Todo a hora que agora já está crescida
Envelhecida, o silêncio que nunca parou de dormir
Hoje grita e me evita acompanhado pela solidão.

Maldita ceia

| quinta-feira, 7 de abril de 2011 | 0 comentários |
Maldita ceia aquela em que o sal foi derramado
Dando sabor às futuras chagas de um Senhor ordinário
E todos que nunca tocaram o mar
Eles fazem de suas lágrimas uma nova maneira de não respirar
Com um sangue que não lhes pertencem
Eles matam a fome de suas veias
Com o corpo que não lhes é pesado
Eles ocupam a sede de suas cruzes
Desde então, todas as glórias são incolores
Cada fracasso é o preço de uma mancha no cálice inexistente
Onde bocas não conhecem o frio sagrado
Mas que tornam invernos as vidas sem nenhuma flor
Olhando para o céu, eles tentam encontrar
Uma mão que lhes ponham para dormir
E nas vezes que desviam os olhos para o chão
Esperam que a mesma mão lhes apontem com suas próprias mentiras
Os restos de todo o silêncio são insensíveis as suas histórias
Escritas por um sinal atrás de seus olhos.

Longe de mim

| sexta-feira, 1 de abril de 2011 | 0 comentários |
       Eu pensei que permanecendo dentro de mim tudo estaria aquecido, protegido daquilo que me matasse. Mas agora eu vejo que estou perdido e esquecido. E eu tentei gritar para mim que essa dor era apenas uma ilusão. Eu estou me sentindo tão vazio, indiferente por coisas desconhecidas. Incertezas que me fazem querer partir para um lugar que não sei ao certo. Talvez uma calma abandonada; um coração já partido; ou para um lugar mais perto da minha perdição.
       Eu não sei mais o que fazer. Se devo me apagar nas sombras ou me render. Dentro de mim não é um lugar seguro. Eu estou tão sonolento aqui, quase me entregando a minha derrota. Eu posso sentir tudo se tornar escuro. Minhas lágrimas cantam para eu adormecer. E acho que devo ir, para sempre, para longe daqui.
       Eu acreditei que permanecendo dentro de mim tudo seria amenizado, acabando com toda a minha dor, toda a minha agonia. Mas agora vejo que o caminho que eu seguia está muito distante de onde estou agora. E eu tentei gritar para mim que toda essa dor iria embora. Eu estou me sentindo tão fraco, desiludido por pesadelos tão reais. Mentiras que me fazem querer sair de um lugar que não sei ao certo. Talvez para fora de mim mesmo; uma alma já adormecida; ou de um lugar mais perto da minha destruição.