Apesar do mundo que não posso mudar

| sábado, 20 de novembro de 2010 | |
       Você pode ver o que está acontecendo lá fora? Olhe, a criança ainda troca risadas pelas diversões do palhaço. E ele mancha o rosto com um sorriso que não é dele. Os dias continuam caminhando em um horizonte que nunca conhecerá nossas mãos. A morte nasce quando as vidas adormecem. As pessoas acordam cedo e algumas tem objetivos de vida, mas todas sabem o que devem fazer. Os sons continuam acompanhando os movimentos, até aqueles mais discretos. Os alunos carregam as preocupações de fim de ano, mas se alegram ao saber que estão acompanhados pelos amigos. As mães insistem em segurar as almas dos filhos, mesmo crescidos, e os pais querem que eles se libertem. Os garotos disputam quem colhe mais flores, para ter um buquê que sobrevive apenas de aparências. As garotas tentam conquistar os cravos de todos os jardins. Os irmãos gritam ódios que cobrem carinhos. E quando algum deles se fere, protegem um ao outro como se fossem as últimas pessoas que se pertencem. As nuvens choram, fazendo os amantes continuarem se amando.
       Eu não consigo pegar todas essas coisas e te entregar. Mudar e desaparecer com tudo o que você não gosta no mundo. Com tudo o que apaga a alegria em seu rosto. Não consigo impedir que te façam conhecer a tristeza. A escuridão te acompanhando nas noites em que não consegue dormir, porque não consigo desenhar uma estrela no céu para você. Mas apesar de não ser muito, nós estamos aqui. Eu e meu coração. Tudo o que posso dedicar a você.

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