Dias de chuva

| segunda-feira, 1 de novembro de 2010 | |
       Esses dias mostram que você poderia estar aqui, me aquecendo enquanto o frio cresce lá fora. E nos momentos em que os gritos de algum anjo alcançasse nossa casa, me fazendo tremer, você me abraçaria forte. E eu teria a certeza de que nenhum mal e nenhuma lágrima conseguiria passar os seus braços e chegar ao meu coração. Você me faria companhia justamente quando a solidão estava disfarçada de cinza sobre nós. E de repente, quando tudo se tornasse o silêncio, você o quebraria com uma risada sincera, de mim ou de qualquer lembrança que eu não soubesse, mas eu te acompanharia. Nós poderíamos nos conhecer melhor; eu fingindo ser mais velho e você voltando a ser mais novo. Nós brincaríamos, ficaríamos alegres, desvendaríamos segredos que eram feitos apenas para duas pessoas: você e eu. Eu contaria histórias, reais e mentirosas, somente para te impressionar. Assim você poderia escolher me achar menos chato. Eu deitaria em seu colo e você acariciaria meus cabelos. E em qualquer instante, eu te abraçaria o peito, para ouvir o seu coração bater. Você me empurraria e nos divertiríamos com isso. Eu diria que te amo, nos olharíamos e depois nos abraçaríamos. Você diria que também me ama. E quando tudo voltasse ao normal, o frio morrendo e a solidão se clareando, nós voltaríamos para nossas vidas sem chuva. Mas teríamos sempre um ao outro, porque você estava aqui. E nós pensaríamos que em nenhum lugar fosse possível tudo aquilo. Mas nunca foi real. Eu sempre estivesse aqui e você não.

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