Sodoma e Gomorra

| quinta-feira, 21 de julho de 2011 | 0 comentários |
Do Seu céu, enxofre e fogo brincaram de cair como chuva
Gotas de ira enganaram as estrelas e roubaram seus lugares
É tão lindo quando a Destruição mora sobre nossas cabeças
Enquanto abaixo se tem uma pele suja guardando uma suja alma

Você chegou banhado de violência e morte
Esquecendo que somos filhos de um Pai ausente
Você nunca bateu em nossas portas fechadas
Mas isso não Te impediu de adormecer os meus irmãos
Corpos mortais feridos e almas arrancadas por diversão
Nós éramos crianças e Você sabia que isso nos faria chorar
Mergulhados em Sua força, nós desapareceríamos
Sem piedade, Você usou o próprio fim contra ele mesmo

Desconstruindo as paredes da terra onde eu e meus erros vivíamos
Acusações voavam acima das nossas carnais orações
É verdade, nossos corpos vazios se preenchiam uns com os outros
Nossos bolsos cheios ainda tinham fome de nós mesmos
Nenhum medo sustentava os nossos sorrisos existentes
E talvez fosse por isso que Você nos temesse tanto, nos odiando
O preço do pecado é a morte e do pecador, a gargalhada

Da casa do Seu Filho vimos apenas as sombras dos anjos
Eles apontavam para nossa direção e nos machucava os olhos
Sangue derramado em forma de cegueira hereditária
Nossos ouvidos poupados do anúncio dos Seus dois pensamentos
E Você conhecia as nossas pedras, nenhuma delas Te alcançaria
Nenhuma arma em nossas mãos Te derrubaria de cima
Mesmo assim, Você as jogou contra a nossa alegria tão inofensiva
Derrubando-nos de nossos pequenos altares
Nenhum de nossos sacrificios era tão vingativo quanto o Seu ódio
Rebanho de boas ovelhas parte para a salvação nesta noite
Não nos dando boa noite, nem olhando para trás

Quando Sua face nos foi apresentada, tão limpa de amor e pesar
Fechamos os olhos sem nos importar com a infinita e fria escuridão
E Você apagou os desenhos negados pelos maus traços
Escondeu as lembranças que Te faziam obediente
Divertindo-Se com as vidas que Te tornavam muito fraco

E eu sou aquele que sobreviveu ao Seu calor e cheiro
Sem caminho algum para seguir, sem um alguém para me adorar
Depois dos restos de glória espalhados pelo chão
Assim como os quebrados portões da minha terra
O silêncio me mostrou um reino maior que a minha decadência
Nesse lugar havia rosas e também seus espinhos
Minhas fronteiras desatadas por um castigo dito justo
Agora me mostravam o mundo faminto de mais um morador

A Tempestade Divina deixou um arco-íris de cinzas e maldição
Colorindo as testemunhas que poderiam contar as nossas histórias
Mas quando as letras começaram a se cansar de Sua voz
A poeira cresceu até que entristecesse o sol, indo além de nossos segredos
Porque nada impedia que a doença se espalhasse para outros corações
Não existia tantos mais que a esperavam como a certeza do dia seguinte
Para eles, nem o amanhã chegou, muito menos a amada enfermidade
Então, eu caminhei para fora desses meus versículos passados
Ao encontro do mundo empoeirado de Sodoma e Gomorra

Eu me deparo com os mesmos sabores que pertenciam ao meu passado
Refletidos em cada canto onde as mentiras podem se multiplicar
Mas dessa vez os olhos não se erguem para alto procurando por Você
Nem os passos se afastam da linha imaginária que Você os limitou
Porque eles decoraram o Livro que está escrito o meu nome
E quando Você se distrai criando mais brinquedos perigosos
Seus servos arrancam as graças dos braços mais fracos de ambição
Porque da riqueza que nos engole, Você a faz pobreza
Como dos prazeres que nos cegam e nos ocupam, Você os faz escuridão
Por favor Deus, beije meus lábios e me revele o que é errado

E como animais adestrados sob o peso do Pecado Original
Mortos nunca esquecidos pelas condenações de um eterno Juízo Final
Você nos ensinou a injustiça que nasce da ponta de toda Luz
O vício da Crueldade nos foi dado de maneira brilhante
E entre salvos e amaldiçoados, bem-aventurados aqueles que fecham mais forte a mão de Deus.

Perdendo o controle

| terça-feira, 12 de julho de 2011 | 0 comentários |
       De novo, me senti morrendo através das minhas mãos quentes como a inocência de um longo inverno. Elas me levaram para brincar e com alguma força construíram asas para que eu pudesse nunca cair. Eu estava sozinho, mesmo não enxergando com a luz que a escuridão me entregava, alguns pensamentos me guiavam no mundo das fantasias. Ali, as rosas eram mais vermelhas e nenhuma gota de dor repousava no chão ao machucar os dedos. Por mais claros que estivessem os dias, esses se escondiam atrás das cortinas, procurando algo mais do que segredos. Já sem fé em minhas tristezas, as noites se distanciavam de mim. A guerra era minha contra mim mesmo; das feridas exalavam um silêncio de divertimento e diante dos meus olhos, a destruição dançava como o mar, cada vez mais cheio de fúria. E eu voei mais alto do que qualquer anjo não visto, descobrindo como os homens chegam tão pobres à vida. Assim a bandeira da vitória foi cravada em mim e eu sabia, entre vencedores e vencidos, todos colheriam sorrisos. Então, meu corpo foi arrebatado e minha alma permaneceu onde sempre esteve. A decâdencia sorria para mim e, logo eu soube, do alto até a ruína parece o próprio paraíso.
       Além de mim, ninguém podia ver os gritos que meu corpo tornava tão sólidos em minhas mãos. Sujas, eu tentava limpá-las em uma pele que desaparecia embaixo da fraqueza e poeira. Alguma parte da minha sombra prometeu que nunca mais faria isso, mas perder o controle é como o vício das veias que pede sempre por mais sangue; dos sonos que reza por ouvirem as melhores canções de ninar e das vidas que persegue, sem cansaço, o seus fins. E o que resta das promessas quebradas magoam a cor dos meus sonhos, me fazendo diferente daquilo que nunca mais serei.
       Nada que eu fizesse poderia me curar de mim mesmo, ainda que presenteasse as crianças com as mais brilhantes brincadeiras, porque elas também chegarão mais perto do céu e as jogarão todas fora, dentro dos seus próprios arrependimentos. Como as rosas que outrora eram vermelhas, segundos depois não mais existem; o mundo das fantasias despertou. E eu sou o perdedor, que nada tem, a não ser a própria perdição.

Tão perto para entender

| sexta-feira, 8 de julho de 2011 | 0 comentários |
       Sua voz continua do mesmo jeito, como da última vez que conversamos. Eu poderia dizer que ela está um tanto mais brilhante e assombrosa, talvez seja pela proximidade que estamos agora. Você não precisa mais gritar, estou tão perto de você quanto os pesadelos nas suas noites mais difíceis. E mesmo que eu continue sussurrando dessa maneira que você me lê, ninguém pode me ouvir. Porque juntando todos os segredos que você deu aos medos, nenhum deles pertence a mim. Eu sei, vejo significado demais nas palavras, mas me perdoe, é dessa maneira que bate um coração que nunca saiu da escuridão; é dessa maneira, às vezes simples, mas sempre intensa demais, que brinco silenciosamente comigo mesmo, até que eu me acostume com a solidão dividindo o mesmo lugar que o meu coração. Mas nada disso importa, porque quando você apareceu eu me senti real. Como as primeiras lembranças que tenho de você, vivas dentro de mim.
       Apesar de enxergar no escuro, não são raras as vezes que me sinto cair, me quebrando em muitos pedaços. Alguns Homens são escravos da razão, como outros são dos sentimentos. Eu sou um desses outros, preso por correntes tão invisíveis aos olhos coloridos. Eu não entendo os motivos da alma, mas isso não significa que eu não tenha uma, guardada nas minhas poucas primaveras. Mas saiba que eu respirei fundo o bastante para saber que te amo. As horas vão me envelhecendo aos poucos, por mais que eu tente entender, não sei os motivos que me levam a querer que você se despeça antes que a lua fique sobre as nossas conversas. Dê alguns passos para trás, porque sei que a despedida fará meus olhos sangrarem.
       Eu quero que você sonhe sem medo e sei que nenhum sonho é tão gelado quanto me amar. E mesmo que agora eu não acredite nas flores que estou plantando em seu íntimo, queria que elas nunca florescessem. Porque eu terei que rancá-las para te mostrar o jardim que há tempos cresceu, e ainda cresce, para você em mim. Desde os nossos recentes dizeres, todas as coisas que me despertam estão vestidas de medos e incertezas. Minha sombra nunca segurou minhas mãos, então por favor, não duvide do que sinto por você. Não tente entender, porque eu também não consigo, mas queria apenas que tudo desaparecesse. Por um tempo. Até o momento que eu poderei ver os seus pensamentos escritos claramente em seu olhar.

Espera

| sexta-feira, 1 de julho de 2011 | 1 comentários |












Como uma criança a beira de um mar imaginário
Eu escrevo essas palavras esperando que você as ouvirá
Um dia, quem sabe
Que você as amará como eu te amo
E segurará as mãos que tanto choram procurando por você
Eu sonho de olhos abertos esperando que você se torne real
Fora de mim, um dia, quem sabe
Que você olhará em meus olhos e também dirá
Que eles ficam bonitos no Sol
Eu derramo o sangue da minha alma esperando que você limpará
Com seu sorriso, um dia, quem sabe
Que você se deitará junto com todos os pedaços
Nós contaremos estrelas sentindo um ao outro
Eu me escondo esperando que você me encontrará
Sozinho, um dia, quem sabe
Que você me fará companhia
Você, o amor e eu
E eu vivo esperando se tudo isso será verdade
Para sempre, um dia, quem sabe
Que você realizará meus sonhos próximos e distantes
Talvez, mas ninguém sabe.