Quatro dias depois

| sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 | |
       Dias atrás eu me tornaria um pouco mais velho, estaria com a imagem um pouco mais cansada ao me olhar no espelho. Se o que está no passado não fosse apenas dias comuns, eu poderia ser forte; quebrar corações e guardar os pedaços mais brilhantes. Elas seriam minhas palavras quando o valor estivesse nas atitudes. Eu teria os olhos acostumados com a claridade e o meu sono poderia ser mais longo nos dias de confusão. Passos menos apressados e pesados iriam me pertencer, talvez eu chegaria em casa depois que a chuva caísse. Meus caminhos seriam feitos com outros pensamentos escuros e as mãos que segurariam os meus prazeres seriam delicadas. Talvez seria tudo uma maldosa brincadeira, mas eu realmente estaria gostando de ser parte dessa diversão. Almas sairiam feridas e vitórias expostas nos lábios; logo eu teria outras para carregar no peito. Eu iria me alimentar delas e nada mais do que isso.
       Minhas dores viriam das guerras de ódios sólidos, aquelas em que os corpos se machucam para provarem o que são. Todo sangue que surgisse seria apenas para mostrar que eu poderia viver sem ele. Veias que pediriam por mais uso e pedras que nasceriam de mim mesmo. As noites não seriam perigosas, porque o perigo seria um pouco de mim. Ou totalmente.
       Mas alguém não quis que as coisas fossem assim; um alguém que não sei se foi eu ou outro. Então os raios que faziam amanhecer acordaram depois dos pesadelos da espera e me trouxeram para onde estou agora. As coisas que eles disseram a mim sem que me lembrasse das perguntas ou se realmente as fiz; isso me faz olhar esses dias como se tudo pudesse ser diferente. E restando apenas dois dias para uma nova vida, eu procuro nos últimos dois dias passados esse alguém que não me deixou existir antes. Eu poderia ser diferente.

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