A borboleta

| quinta-feira, 27 de março de 2014 | 0 comentários |
No canto, a voz das paredes me prende com asas
Em um luto iniciado com a vida, certamente
Muito além de permanecer, eu pertenço ali
Sem linguagem, sem movimento, de presença silenciosa
Como um tecido sólido diante dos corpos em composição
–– Quem poderia dizer se não sou eu a sonoridade dessas formas?

Minha casa: a audição das muralhas que constroem o mundo
Mas nem todas as notas me são desvendadas
Não por isso, elas ainda moram em mim
E voo, para que, talvez, eu também more nelas.

Cosmogonia do meu eu

| sexta-feira, 14 de março de 2014 | 0 comentários |
Vejo, por toda a minha visão, os começos amontoados
Da expansão no ventre da Mãe ao alcance das copas
(Uma árvore bem construída tem dedos que arranham o céu)
Quanto tempo demora para que o novo se torne casa?
Desde quando deixei de existir no amontoado, cresço e me escureço que não mais me conheço.