Em meu coração

| sábado, 25 de junho de 2011 | 0 comentários |
       Suas palavras são tão importantes que eu as guardo sob meu coração. Mas você não pode vê-lo, por isso não sabe a maneira que tento desenhá-las lindamente como saem de sua voz. Eu estou tentando, mas ninguém sabe como é ter as mãos frias como as correntes que me prendem nesse chão intocado pelos meus pés. Não sou o primeiro, muito menos o último que terá justificativas vagas que tanto preenchem a minha falta de certeza. Eu quero ter apenas uma confiança; quero saber como os anjos se tocam nos lábios; como o horizonte suporta o peso do brilhante sol sobre seu corpo fino e distante; como a lagarta se torna borboleta dentro de si mesma. É tudo tão alto para mim que não tenho asas e mesmo que você tente me erguer, os meus pensamentos ainda permanecerão nas sombras. Isso não descolore o amor que tenho por você, apenas mostra que tenho medos. E que não sei superá-los.
       Linhas que formam meu rosto no espelho dos seus olhos me tornam sólido o bastante para me sentir. São elas que me dão um nome e fazem com que eu sinta que ainda moro neste corpo. Você me diz para desfazer as linhas, esquecer as letras que formam o meu nome, porque delas nascem a minha decadência. Mas sem elas, toda essa destruição estaria perdida; eu não saberia quem sou. Para você, as coisas não são tão claras assim e eu sei que não descobri o meu caminho, mas quero apenas encontrar a lama que se molde melhor aos meus passos.
       Nas vezes em que sangrei com suas respostas para as perguntas nunca feitas; em que me senti embaraçado demais vendo o jeito simples que você e todos conseguem quebrar as regras que nunca existiram, vi o luar banhado de tristeza e verdade. Já não sei se penso sentimentos ou sinto pensamentos; por mais que eu seja sozinho, nós sabemos que lá fora há outras tantas lágrimas e sorrisos que se sentem como eu. Mesmo assim ouço como únicos os meus sussurros, tão fracos quando são abraçadas pelos seus gritos silenciosos. De onde estou, eles parecem certos, mas muito reais para os meus sonhos. Eu sou o mesmo ciclo, procurando por razões que nem ao menos sei onde estão e você quer me salvar desse sono que me assombra. Eu tentarei abrir os olhos sem que a luz os machuquem, mas peço apenas que espere até que ela se torne um pouco mais calma. E eles um pouco mais claros.

Meu silêncio

| terça-feira, 21 de junho de 2011 | 0 comentários |
Esperando para te encontrar
Talvez tão frio quanto essa noite
Ou talvez tão sincero quanto essas estrelas
Eu peço aos anjos uma maneira de não te assombrar
Ou até mesmo de não te machucar
De não te afastar
Desse meu mundo tão vazio de alguém

Amanhã, talvez tudo tenha passado
E poderemos ver o entardecer sem nenhuma nuvem
Ou talvez essa seja a sua certeza
Que esse mundo não é seu

Não sei as palavras que usar
Não sei como você vai me ver diante desse mundo
Talvez você fale e tudo se torne real
Ou talvez seu silêncio me fará sentir
Meu coração quebrando com essa espera
Pela sua espera

Não conserte essa minha alma
Porque meu silêncio é passageiro
Até o fim da minha vida

Talvez meu silêncio te faça sorrir
Ou talvez me faça desaparecer de sua lembrança
Mas você sempre estará vivo aqui dentro
Para sempre.

Vento

| quarta-feira, 15 de junho de 2011 | 0 comentários |
       Lá do alto, as nuvens desenham sombras em meus olhos. Esse não é o primeiro dos dias meus que nasceram anoitecidos, mas é como se as luzes estivessem cansadas de brilhar. Fios de cabelo colocados em filas, fazem sentido apenas quando o vento brinca com eles; os pensamentos encarando tudo como uma contínua sexta-feira. E eu me quebro quando descubro mais um longo dia na próxima curva ao voltar para casa. Mesmo não vendo meu coração, sei que ele não está sorrindo. Sob lágrimas roxas, ele nunca soube o valor real das coisas. Mas nesses últimos tempos, as batidas se mostraram mais confusas. Por mais que eu esteja cego, minhas pernas já sentem a solidez do mesmo chão de todos os dias. Há no ar uma brincadeira desconhecida das minhas lembranças que torna as horas não tão circulares quanto deveriam ser. Quando eu era duas semanas mais jovem tudo também estava perdido, mas é como se as ruas fossem mais longas e as feridas, mais profundas.

Não é apenas um pequeno pesadelo

| terça-feira, 7 de junho de 2011 | 0 comentários |
Como eu queria ser aquela flor
Que dos seus lábios se enchem de cor
E me fizessem esquecer que estou longe
Desse jardim que se chama perfeição
E nenhuma lágrima cai dos meus tristes olhos
Mas o meu coração sangra
Em meio a um mar azul de estrelas caídas
Tão próximas de mim, mas não em minhas mãos
E por dentro restam as luzes
Que sorriem sinceras para os meus medos
E eu sei, se elas pertencessem aos meus olhos
Tudo isso seria apenas um pequeno pesadelo.

Último dia de Maio

| sexta-feira, 3 de junho de 2011 | 0 comentários |
       Quando as folhas começaram a se deitar em uma realidade um tanto distante de sua luz, eu pendurei as coisas que te traziam até mim nas árvores secas que pareciam tocar o céu. Nelas, meu coração pulsava mais rápido, as cores gargalhavam mais saborosas e os sons se tornavam mais vivos. Tudo isso acontecia dentro do silêncio e ali nada era apressado, apenas um sorriso seu que eu inventei se mexer. E isso fazia com que eu caísse, nunca chegando ao chão. Nesse sonho, era como se a minha respiração fosse a brisa que refresca a sua pele; como se minhas lágrimas fossem as chuvas em que você brinca e que a sua não lembrança de mim fosse a força que acorda o sol todas as manhãs; mesmo não a conhecendo, você sabe que ela está lá. Eu estou aqui e você não sabe.
       Dias e noites morriam e eram amorosamente enterrados sob os meus pensamentos. Palavras que nasciam das estrelas que pertenciam aos seus olhos; eu nunca as vi em uma escuridão estrelada, nem nos momentos em que as nuvens se cortam ao sair do caminho. Antes que os sonos me cobrissem, minhas mãos tremiam à textura dos seus passos por trás da minha espera. A porta nunca me pareceu tão sólida nesses dias. E quando as pétalas da chegada me acordaram brilhando, eu soube que você estava lá.
       Mas o relógio que em outras estações era tão grande, naquele instante se fez menor que os segundos em que estivesse ao seu lado. O amarelo faminto envelheceu como laranja e o horizonte às minhas costas permaneceu ali, sem ser visto. Finos raios vespertinos busquei para enfeitar a sua visão; eles eram leves demais para pertencer apenas a mim. E o calor me deixou, sozinho eu não consegui fazer suas aquelas horas, mas eu sei que foram. Vozes me desenharam a história e eu as li em forma de palavras. Você não sumiu, mesmo as horas sussurrando a vinda de outro amanhecer.
       Eu guardei em mim as páginas que não deveriam estar brancas, esperando as manchas que viriam moldar a inocência. Mais longe da presença da sua primavera, eu não poderia sentir o cheiro das flores. Isso não significa que não penso em você em meio a todo o cansaço, mas há os dias que não me percebem. E no último dia de Maio te encontrei na ausência e fiz dela a minha maneira de adormecer o que não foi seu. Tudo foi seu e eu estou aqui.