O que eu fiz desde o início

| sábado, 16 de outubro de 2010 | |
       Não preciso de previsões, nem de esperanças, porque sei o que me falta e o que eu deveria ter feito desde o início. Não peço palavras que me animem, não peço sorrisos, muito menos verdades. Porque além delas estarem diante dos meus olhos, elas estão em um lugar onde o barulho mais alto não pode disfarçar e o silêncio mais profundo não pode calar. Estão dentro de mim.
       Manhãs, tardes e noites escondidas em um lugar que não consigo encontrar. Não tenho certeza, mas acho que naqueles dias eu fiz o meu melhor. Mas não foi o bastante para me deixar livre. E eu sei, tentar consertar pode me fazer continuar, mas nada do que perdi nesse tempo vai vim com o mesmo sabor. As brincadeiras poderiam ter sido feitas depois de uma dose de responsabilidade. Mas sempre achei que teria mais um minuto antes da meia noite. Então brinquei até me confundir as risadas, até não ter mais ar para dizer o meu nome. Esqueci de tudo, por isso, e mais algumas coisas, perdi a hora. Quando percebi já era um novo ano, uma nova estação. De nada mais adiantava fazer o pedido para que tudo desse certo, porque o minuto que separava o Novo do Velho não foi sentido. Assim permaneci o mesmo em uma nova cama de neves, flores, folhas e calores. Sempre caminhando um passo atrás daqueles que decidiram guardar o sorriso e comemorá-lo quando o ano já estivesse passado. Acho que todos somos assim um pouco.
       Agora posso ver isso, porque onde eu estou tudo é necessário. E o pouco que guardo em meus bolsos não é o bastante para preencher minha mente. Tentarei sobreviver a isso, quem sabe eu consiga preencher os cadernos em branco, terminar a borracha e resumir a vida em apenas algumas fórmulas.

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