Últimos dias de um amanhecer não completo

| quinta-feira, 9 de dezembro de 2010 | |
       Não é sexta-feira, tampouco o fim do mundo. Apesar disso, os corredores já não têm o mesmo ar de Janeiro. As cadeiras vazias guardam um passado não muito distante, onde mentiras, alegrias e verdades eram vistas caminhando entre os números de um relógio de cinco horas. Há tantos lugares onde o silêncio pode ficar que um simples vento apaga as letras que um dia nos ensinou a aprender. As sementes já foram plantadas, as rosas colhidas e os espinhos cortados. Ou simplesmente deixados no único lugar dentro de mim onde minhas mãos conseguem alcançar. O que tinha que ser feito já foi feito e eu ainda estou aqui, tentando salvar as maças que nunca entreguei com o mesmo sorriso. Folhas que enfeitei com pedaços de céu de nada vão valer, porque ao anoitecer elas se tornaram escuras demais para entendê-las. E ainda é noite. Feche os olhos e você verá que o sol não brilha por trás de seus olhos. As coisas que iríamos proteger com os livros, as respostas que tiraríamos deles, tudo isso será devolvido às presas, porque alguns não precisam deles e os que precisam não podem levá-los em seus bolsos. Esse é o momento que as pernas cansadas e as mentes agitadas podem descansar, mas eu não posso adormecer. As palavras são mais altas formando conversas mais próximas e eu consigo acreditar que isso não terá fim, por um pequeno tempo. E eu sei que esses dias vão desaparecer e que os ecos de incertezas vão amanhecer sendo os meus próximos dias.

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