Meu presente para você

| segunda-feira, 29 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       Eu não me lembro de quando você entrou na minha vida. Você sabe que tenho dificuldades para essas formalidades, mas mesmo assim te peço desculpas.
       Todo garoto precisa de uma amiga, talvez para que nunca esqueçamos que, além de tudo, somos humanos. Para não perdemos o sorriso que a aparência rude impõe em nos tirar a cada dia. Mas você não faz apenas isso por mim. De mãos dadas com a sua companhia, vem sempre a certeza de algo novo. Com você nada é certo, nada é previsível. A alegria que você entrega é inesperada, como o amanhecer que nasce sem avisar. E mesmo que o dia escureça ainda existe as estrelas. Você existe para mim.
       É comum você adormecer os meus medos. Eu admito, não me curo, mas com você ao meu lado eles parecem pequenos. E realmente são e eu consigo voar.
       Nesses tempos de chuva, não se pode jogar palavras ao vento, porque ele pode levá-las. O silêncio é seguro. E meu silêncio é você. Você sabe os segredos que guardo atrás do Sol.
       Em seus olhos tão doces quanto mel, os seus mistérios são guardados. Um jeito meigo que faz as pessoas esquecerem sua força. E você insiste em lembrá-los e eles obedecem. Junto a isso sua alma e sua beleza se confundem em uma só aparência. Já percebeu que a lua aparece apenas quando você está sonhando? E você é minha Ártemis; minha e de todos os mortais que aqui respiram. Todos os suspiros são para você.
       Todos esses dias que passamos juntos, conversamos e descansamos sentados no chão e nos refugiamos na sombra de alguma árvore, eu descobri uma coisa. Mesmo podendo descobrir todos os seus mistérios, eu escolheria não saber. Porque é isso que te faz especial. Que me faz aprender, atráves de você, a ser um pouco de mim. É isso, a cada dia descobrir um sorriso novo seu, um jeito novo de encarar a vida, um abraço único. Porque o seu abraço me traz tudo que eu preciso no mundo. Eu te amo, minha pequenina.

Garoto triste

| sexta-feira, 26 de novembro de 2010 | 1 comentários |

















Meu amor, já percebeu como as árvores secas são lindas?
Se não, olhe para o meu coração seco e você verá muitas delas
Todas perderam as folhas por causa das minhas lágrimas
E todas elas descansam sob os meus tristes sonhos
Mas não posso mentir que sem eles eu seria simplesmente nada
Mas com eles, eu sou um garoto triste
Eu vou enfeitar cada galho seco com uma estrela do céu
Eu acho que posso viver sem elas

Eu sofri tempo demais para saber que nada disso irá acontecer
Nem rosto, nem corpo, apenas olhos
Esses olhos que um dia perderão a cor
Ela que me permitiu ver a entrada do paraíso
Mas eu nunca pude entrar, você não vê?

Um lindo coração não bate fora do corpo
Uma bela atitude não te faz forte
Um bom perfume não faz de você um desejo
Eles não dizem isso, mas eu sei
Eu posso respirar o ar que um anjo caído deixou
Eu posso vê-lo na frente desse espelho que estou
Ele chora, mas anjos não choram
E eu nunca serei um anjo
Todos nós sabemos disso
Apenas fiquem em silêncio, é mais seguro
Para mim e para todos

As batidas do coração não são vistas pelos olhos
E o vermelho do sangue é encontrado apenas porque o procuramos
Eu quero apenas te ver e te encontrar
Porque eu sei que esse garoto sempre será triste.

Origem

| quinta-feira, 25 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       Eu nunca vi um ser tão perfeito quanto você. Da sua alma se originou Deus e tudo se criou. Porque se Deus fosse perfeito, ele seria como você. Seus traços, seu corpo, parece ser a respiração dos anjos que ganhou vida. Qualquer paraíso, seja ele divino ou terreno, é apenas lembranças daqueles olhos que um dia te viram caminhando sobre o mundo. E toda bondade é o seu reflexo ao descansar olhando para as flores, essas que são pequenos pedaços dos desenhos que se espalham por você. Em algum dia de distração dos seus olhos, por um pedido não ouvido, o céu levou um pouco da noite que neles moravam. E ao devolver, lhe deu as estrelas para que elas nunca parecem de brilhar. Talvez essa seja a razão de eu me sentir seguro quando lembro de você. Porque sei que mesmo que o céu se apague, eu terei a estrela de seus olhos chamando a minha vida para continuar. As tristezas que formam o mar são apenas pesadelos seus que esqueceram de te encontrar. Mas saiba que até os pesadelos preferem a solidão para te admirar. Imaginando a sua voz, eu penso que seja como os pássaros que cantam depois de uma chuva. E o vento tentando procurar uma maneira de te prender, descobriu que a liberdade é sua amiga. Porque você voa e nisso os Homens te invejam. Eles desejam as suas asas e o que tenha o seu sabor, porque tudo em você os encanta, me encanta. Sua existência me entrega sonhos que juntos formam uma vida. Essa minha vida.

Caminhos novos conhecidos por muitos

| quarta-feira, 24 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       O dia amanheceu como de costume. Como as estrelas que se escondem pela vergonha de aparecerem por serem pequenas. E eu me sinto muito pequeno quando vejo a extensão de uma descoberta. Porque todas às vezes que tento sonhar sobre um caminho, parece que nele já houve vida. Marcas de passos guardados sobre uma história sólida. Elas têm vozes. Algumas conhecidas, outras vistas enquanto eu caminho cuidadosamente para não tropeçar. Mas todas sussurram em minha alma risadas que dizem que aquele lugar não é meu. Que todas aquelas folhas e pedras que adormecem junto a elas, as pertencem. Que o azul do céu é simplesmente assim, porque assim elas desejam. Todas brincam como se minha reação fosse inocente demais para que eu carregasse uma culpa. E dentro dessas mesmas brincadeiras, se pode perceber que a verdade aponta para os meus olhos. E nas vezes que as cores refletem uma escuridão noturna, eu já não posso mais voltar com a mesma sensação de encontrar um caminho novo. De estar em um caminho meu. As palmas, as batidas do coração, os sorrisos e tudo, são imitações daquilo que as árvores presenciaram antes da minha chegada. Fazendo de mim o eco de onde todos os outros já deixaram partes daquilo que os fazem únicos. Meu bolso, pulsando o peso das nuvens, conhece o desconforto que é uma chuva de mãos. Eu queria apenas poder me orgulhar como os outros. Sorrir e viver como outros. Eles amaram primeiro e, quando isso acontece, todo o resto parece perder um pouco desse amor que os primeiros tem por completo. E eu sou o último daqueles que ainda amam. Se é que ainda posso amar. Eu queria crescer nesse mundo de caminhos bonitos, flores tranquilas e sonhos distantes. Eles me fazem voar. O que eu consigo ao permanecer aqui, é roubar aquilo que não tem dono. Aquilo que pertence apenas a eles mesmos.

Quando eu não te vi

| domingo, 21 de novembro de 2010 | 0 comentários |
 
Perto das lembranças de um passado que você viveu
Seu fantasma permanece parado no mesmo lugar de quando te vi
Mas parece mais verdadeiro agora que estou onde você respirava
Eu posso te ver no vazio
Eu posso te sentir no silêncio
Você está do meu lado
Por muito tempo não te vejo mais aqui
E talvez todos tenham esquecido de você
Mas saiba que eu nunca irei te esquecer
Porque meu coração respira o seu fantasma

Fechando os olhos, eu consigo te ter
Com toda a perfeição ao seu lado
Mas não posso te tocar
Porque eu sei que não vou conseguir te guardar
E te trazer para a realidade, te tornar real
Quando você precisar, eu serei real ao seu lado
Apenas me faça vivo o bastante para isso
E isso você já faz.

Apesar do mundo que não posso mudar

| sábado, 20 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       Você pode ver o que está acontecendo lá fora? Olhe, a criança ainda troca risadas pelas diversões do palhaço. E ele mancha o rosto com um sorriso que não é dele. Os dias continuam caminhando em um horizonte que nunca conhecerá nossas mãos. A morte nasce quando as vidas adormecem. As pessoas acordam cedo e algumas tem objetivos de vida, mas todas sabem o que devem fazer. Os sons continuam acompanhando os movimentos, até aqueles mais discretos. Os alunos carregam as preocupações de fim de ano, mas se alegram ao saber que estão acompanhados pelos amigos. As mães insistem em segurar as almas dos filhos, mesmo crescidos, e os pais querem que eles se libertem. Os garotos disputam quem colhe mais flores, para ter um buquê que sobrevive apenas de aparências. As garotas tentam conquistar os cravos de todos os jardins. Os irmãos gritam ódios que cobrem carinhos. E quando algum deles se fere, protegem um ao outro como se fossem as últimas pessoas que se pertencem. As nuvens choram, fazendo os amantes continuarem se amando.
       Eu não consigo pegar todas essas coisas e te entregar. Mudar e desaparecer com tudo o que você não gosta no mundo. Com tudo o que apaga a alegria em seu rosto. Não consigo impedir que te façam conhecer a tristeza. A escuridão te acompanhando nas noites em que não consegue dormir, porque não consigo desenhar uma estrela no céu para você. Mas apesar de não ser muito, nós estamos aqui. Eu e meu coração. Tudo o que posso dedicar a você.

E outras vidas

| sexta-feira, 19 de novembro de 2010 | 0 comentários |

















Pele colorida pela luz
Sorriso lembrado pelo esquecimento
Olhos claros não salvam pecadores
Cabelos fracos não são vistos no espelho
E você nunca vai ter nada disso para te condenar
Perfeição brilha em seus olhos

Rosto destruído pelo tempo
Respirar demais é a única escolha
Corpo sem nenhum sabor
Ele nunca precisou de muito para se tornar nada
E você nunca vai ter nada disso para te assombrar
Beleza brilha em seus olhos

Fantasias baratas escondem a vergonha
Todas sujas pelo sangue de outros
Desejos que rejeitam a falta
Que devoram a alma
Sonhar não torna o vão, sagrado
E você nunca vai ter nada disso para se importar
Realização brilha em seus olhos

Mente não cultivada em linha reta
Gostos afastados pelo que é habitual
Reações cegas no mundo dos que possuem olhos
Gestos denunciam o que é incerto
Voz alta para pensamentos baixos
E você nunca vai ter nada disso para te reprovar
Liberdade brilha em seus olhos.

Espelho colorido

| quinta-feira, 18 de novembro de 2010 | 1 comentários |
       Eu tentei me construir no espelho. Primeiro eu colori as minhas roupas, minhas mentiras e meus desejos. Eu cortei meus cabelos, sorri e permaneci sorrindo, ao mesmo tempo em que minha alma chorava em algum lugar esquecido. Eu limpei a terra da minha pele, desenhei novos traços, novas formas. Eu cultivei um pouco de neve nesse novo boneco. Ele era tão leve, tão lindo. Se não fosse eu na frente do espelho, não acreditaria que aquele era o meu reflexo.
       Eu me afastei para andar sobre as nuvens, escorregar sobre os raios de Sol, brincar com o vento, porque nada poderia me quebrar... Não com aquele reflexo. Mas quando fui me alimentar do mar, eu vi - mais destruído que a própria imperfeição, mais imperfeito que a própria destruição - o meu reflexo antigo. Onde estão as cores? O sorriso, a neve, a leveza e a beleza, onde está? Eu os fiz no meu espelho e agora eles não estão comigo. Onde estão as mudanças?
       Eu voltei para o meu espelho. Elas estavam lá, todas as mudanças, e me perguntei se eu era o reflexo ou o refletido; se eu era o reflexo do meu próprio reflexo; se eu era uma criação minha ou daquilo que eu encontrei no céu, e enquanto não sei, vou continuar na frente do meu espelho. Porque nele eu estou leve, inteiro, bem desenhado. Pelo menos o meu reflexo ou o que eu sei e acho dele.

Sua falta ao me deixar aqui

| domingo, 14 de novembro de 2010 | 0 comentários |












Eu me lembro da sua promessa
Você disse que me levaria contigo, quando você se fosse
Não sei realmente se você disse isso para me enganar
Mas você conseguiu, me mergulhar em uma ilusão
E agora afogado em você, ela acabou

Você foi embora e não me disse adeus
Eu fui silenciosamente sentindo a sua falta
Falta das suas palavras, das suas conversas
Das suas brincadeiras, das suas risadas
Mesmo elas não sendo ouvidas, apenas escritas
Eu sinto falta de quando você me chamava de amigo
E eu te chamava de irmão, sem que você ouvisse

Como posso sentir falta de algo que nunca foi meu?
E você não é meu, nunca foi meu

Eu tentei seguir seus passos, te salvar do mal
Mas percebi que eu era o mal, o seu mal
Por favor, agora que você levou meu coração com você
Você não precisa fazê-lo bater
Apenas o esconda naquilo que todos chamam de esquecimento
Se isso te fazer sorrir

Talvez você não tenha ido embora
Apenas não chegou o dia de você me levar para longe daqui
Com você.

Lembranças, Histórias e Belezas

| terça-feira, 9 de novembro de 2010 | 0 comentários |
Lembranças de você respiram dentro de mim
Elas brincam com a minha mente sem se importar em me iludir
Onde estão as estrelas agora?
Nos seus olhos sorrindo para alguém
Alguém que não tem a minha alma, sequer o meu azar
Rindo ao ouvir a sua presença
Depois de todos os caminhos que escrevi
O que nunca ouvi foi o som de sua voz

Histórias de você são criadas dentro de mim
Imaginadas sem nenhuma força pelos meus sonhos
Levadas por um amanhecer que ainda te traz a mim
Leve como a brisa que nasce das asas de uma borboleta
E caminhando eu podia não estar sozinho
Naqueles dias andávamos juntos e você nunca soube disso

Belezas de você são desenhadas dentro de mim
E coloridas pelas mãos de sua perfeição
Todas elas são sombras incertas de você
Todas elas são fantasmas para te ter ao meu lado
Algumas são vistas perto de seu coração
Na mais bela maneira de tornar o mundo bonito
Invernos imitam a inocência de sua pele
Noites rezam para ter a escuridão de seus olhos.

Novas palavras

| segunda-feira, 8 de novembro de 2010 | 1 comentários |
       Eu não quero ver os seus olhos, seus cabelos, sua vida escrita por mim. Eu não quero te ver, por completo, em minhas palavras. As coisas sempre parecem mais tristes quando são contadas pelos que estão distantes. E eu estou muito distante de você, ao ponto de não saber o que é eu e a distância. Não sei o que pertence a você e a mim aqui dentro e isso me deixa um pouco tonto. Eu me lembro de quando os dias sussurravam seu nome em cada respirar da minha alma. As coisas eram ecos das batidas do meu coração. Meus pensamentos, oferecidos a você. E mesmo existindo as feridas, essas tinham a sensação de flores. Mas alguma coisa anoiteceu em mim e como uma mentira jogada aos famintos, minha essência escureceu todo o resto. Você estava em um lugar que não sei mais como encontrar. E não consigo sentir com as antigas palavras, porque sozinho eu não acredito mais no amor. Talvez por isso eu não consiga olhar suas inicias sozinhas, acompanhadas nessas páginas guardadas. As novas palavras pedem para serem escritas, mas eu não sei o que elas querem dizer. Não sei o que elas querem dizer sobre você e meus sentimentos continuam caminhando por aí em algum lugar sem mim. Eles estão com você, mas não posso te acompanhar. Meus olhos não conseguem te tocar onde a realidade se faz vivente. Mas eu ainda tenho os sonos e os sonhos para tentar me enganar. Encontrar você com meu coração enfeitado com meus sentimentos perdidos. E quando acontecer, eu poderei adormecer sem medo e te abraçar com minhas novas palavras. Porque saberei, não que você está de volta, mas que apenas meus olhos não conseguiam te enxergar nessa noite que vive um pouco mais que o ontem.

Sob a noite

| sábado, 6 de novembro de 2010 | 0 comentários |
Sozinho e sem ninguém para me sentir
A Lua pode ver o que eu estou fazendo por você
Fazendo do meu coração palavras
E talvez você nunca leia nenhuma delas

A noite que está aqui é a mesma que está te cobrindo?
Peça e talvez ela te diga
Tudo o que escrevo e sinto por você
Eu não precisaria te olhar
Apenas ouvir sua música preferida
E te amar

Eu entendo se você se afastar
Mas saiba que aqui sob a noite
Sempre existirá alguém te amando
Eu estarei te amando
Mesmo distante, como o céu e a Lua.

Quando se é guardado

| sexta-feira, 5 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       Era como uma caixa. Ele ouvia olhares, via pensamentos e sentia risadas. O pouco que mudava em seu rosto era o sorriso que aparecia quando ele percebia tudo aquilo. Uma gargalhada disfarçada de sorriso, tudo para não chamar atenção. Ela estava tão firme em seu rosto que parecia não se importar com aquilo. Mais uma nova piada para ser usada quando não tivesse mais assunto para discutir. Não era necessário, mas ele escondia os mais pesados no fundo e cobria com os sons risonhos. Quando abria se via palavras, ideias, histórias e alegrias. O cheiro de medo e dor acompanhava e deixada marca nos objetos que ali descansavam. Ele enfeitava tudo com nobres mentiras. Todas brilhantes, diferentes das lembranças que viviam na escuridão. O passado brincava com aqueles que não moravam na caixa, os sussurros os divertiam. Mas dentro, eles assombravam. As coisas ficavam quietas, deixavam de existir na mente dele, do seu próprio dono por pouco tempo. Ele permanecia fechado e nas vezes que tentava pegar sua solidão, ele perdia o controle. Nunca o pertenceu e mesmo sabendo que não ficaria muito tempo aberto, ele poderia tentar. Porque tudo aquilo estava guardado dentro de si.

Mal do mundo, inocentes e alguma emoção de matar

| quinta-feira, 4 de novembro de 2010 | 0 comentários |

















Nós somos inocentes daquilo que eles nos julgam
Mas tudo que o mundo lhes mostram é contra nós
Mas alguém tem que pagar
Alguém sempre tem que pagar
E nós fomos os escolhidos
Culpados por não serem iguais

E o mal triunfa quando bons homens nada fazem
Mas se você me amar tão dolorosamente como agora
Eu poderia pintar meu coração com crime e culpa até que a próxima chuva leve essas mentiras
Porque alguém tem que pagar
Alguém sempre tem que pagar
E nós fomos os escolhidos
Culpados por não serem iguais

Porque a emoção de matar é essa
Em sua mão direita você guarda o bom
E na mão esquerda você esconde o mau
Eu sei, isso não passa de palavras
Mas eles não sentem assim
Eu acredito em vocês
Mas alguém tem que pagar
Alguém sempre tem que pagar
E nos fomos os escolhidos
Culpados por não serem iguais

E mesmo com os olhos vendados
Você sonha que eles ainda estão vivos
Porque eles eram crianças como vocês
E crianças não tem todo o mal do mundo nos olhos
Mas alguém tem que pagar
Alguém sempre tem que pagar
E nos fomos os escolhidos
Culpados por não serem iguais

E como se ele estivesse dormindo
Ele protege o seu único amigo vivo
Porque os outros estão frios, apesar de estarem perto
E ao seu lado vocês ainda acreditam
Que nunca serão julgados por algo que não fizeram
Porque eu não o tenho e ele não sabe disso
Mas alguém tem que pagar
Alguém sempre tem que pagar
E nós fomos os escolhidos
Culpados por não serem iguais.

Dias de chuva

| segunda-feira, 1 de novembro de 2010 | 0 comentários |
       Esses dias mostram que você poderia estar aqui, me aquecendo enquanto o frio cresce lá fora. E nos momentos em que os gritos de algum anjo alcançasse nossa casa, me fazendo tremer, você me abraçaria forte. E eu teria a certeza de que nenhum mal e nenhuma lágrima conseguiria passar os seus braços e chegar ao meu coração. Você me faria companhia justamente quando a solidão estava disfarçada de cinza sobre nós. E de repente, quando tudo se tornasse o silêncio, você o quebraria com uma risada sincera, de mim ou de qualquer lembrança que eu não soubesse, mas eu te acompanharia. Nós poderíamos nos conhecer melhor; eu fingindo ser mais velho e você voltando a ser mais novo. Nós brincaríamos, ficaríamos alegres, desvendaríamos segredos que eram feitos apenas para duas pessoas: você e eu. Eu contaria histórias, reais e mentirosas, somente para te impressionar. Assim você poderia escolher me achar menos chato. Eu deitaria em seu colo e você acariciaria meus cabelos. E em qualquer instante, eu te abraçaria o peito, para ouvir o seu coração bater. Você me empurraria e nos divertiríamos com isso. Eu diria que te amo, nos olharíamos e depois nos abraçaríamos. Você diria que também me ama. E quando tudo voltasse ao normal, o frio morrendo e a solidão se clareando, nós voltaríamos para nossas vidas sem chuva. Mas teríamos sempre um ao outro, porque você estava aqui. E nós pensaríamos que em nenhum lugar fosse possível tudo aquilo. Mas nunca foi real. Eu sempre estivesse aqui e você não.