Seríamos três

| sábado, 11 de dezembro de 2010 | |
       Dois meses te fazem mais velho no mundo em que meu coração não bate. E abandonar os meus sonhos não é o bastante para me levar até você. Se eu pudesse simplesmente encontrar respostas em seus olhos para os meus medos sem explicação. Quando você foi embora, deixou a vontade de uma vida pela frente. Não sei se tinha escolha, mas eu tive que continuar por você. E os planos que criaram, o amor que guardaram e tudo que aconteceria se as suas lágrimas fossem as primeiras a caírem aqui, me abraçaram de uma maneira um pouco sufocante. Perder o sabor da primeira existência fora deles, talvez os tenha feito amar demais. Não os culpo, apenas queria que você estivesse aqui.
       Desconhecer o seu sono não fez eu me sentir menos sozinho. Por todas as noites que gritei pedindo a você que viesse ou me sussurrasse um sinal. Eu saberia se estaria olhando por mim. Oito anos me fizeram crescer e eu pude ver o seu sorriso nos lábios dela. Então eu soube que poderia descansar.
       Não havia data e o pedido que me fazia esperar se perdeu em uma escuridão vermelha que não era minha, mas que também me pertencia. Foram nesses dias que eu chorei em um lugar inocente, que adormeci ao meio-dia, que fui alimentado e consolado por outras mãos. Com os mesmos passos esse me deixou como você, mas agora era diferente. Eu estava lá.
       Eu sei que têm um ao outro e que onde estão é preciso apenas disso para não sentirem falta daquilo que não respiraram. Isso me faz lembrar de como poderia ser as coisas se os silêncios não existissem. Mas eles existem e eu não os tenho. Para vocês, os caminhos podem ser mais claros e as noites um pouco mais que eternas. Horas que não os consomem, mas consomem a mim, me fazendo sorrir. E eu sempre serei apenas Um querendo tê-los comigo.

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