Nossa tarde

| sábado, 30 de outubro de 2010 | 0 comentários |

Algumas coisas são filhas do acaso
Constroem-se sobre um tempo que parece lindamente bobo
Mas nada permanece o mesmo como no início
Nem aquilo que nos uniu, as estrelas e a Lua

Nossa única testemunha eram as palavras
Elas vagavam no silêncio em um caminho de dez nuvens
Cada uma iluminando aquilo que as mãos não podem ver
Tudo aquilo que o coração podia sentir
Mas que à distância o tornava cego

Linhas e linhas consumiam meu relógio
Indo e vindo como um sonho em um balaço infantil
Lendo emoções, escrevendo pensamentos
O que não se abraça com os olhos, talvez seja real à alma

Quando eu despertei desse sono que é não te ver
Eu percebi que lá fora brilha um Sol
Ele cobrava duas horas e uma espera para viver
Eu ainda posso respirar essa tarde como se fosse minha vida

Até nos perdemos em lutas desarmadas
E no fim não há vitória, nem derrota
Certo, nem errado
Apenas você e eu
Separados pelo orgulho de nos darem as mãos
Mas nos tornando Um pela vontade de estarmos juntos

Mas nada que tenha início permanece o mesmo
Depois que todo brilho adormeceu sob uma noite branca
Eu posso sentir a falta daquilo que o dia me tomou dos olhos
Tudo o que eu peço essa noite é que me traga você
E se não puder, que me traga a sua voz.

Querido diário

| | 0 comentários |
       Parece que a noite sabe o que aconteceu comigo. Ela está tão silenciosa, muito quieta. Apenas as gotas lá de cima caindo no chão. Ele grita como se sentisse dor.
       Não sei como começo a contar esse meu dia que parece não existir no calendário. Ou eu não queira vê-lo. Talvez ele exista agora, novamente...
       Um novo dia começou e eu tinha que ir à aula. Não sei o que me acordou, se foram os empurrões rotineiros da minha mãe ou o sorriso que estava desenhado em meu rosto ainda preguiçoso. Eu não me lembrava do que sonhei, sabia apenas que tinha sido com ele. Ele poderia saber disso quando eu o visse. Não com esse sorriso inteiro no rosto, mas com um certo brilho no olhar. Somente o cheiro daquilo que eu guardava para ele.
       Então fui tomar banho e me arrumei depressa. Não comi nada, tomei o suco entre a cozinha e a sala. Deixei o copo com a minha mãe, a abracei e corri para o carro. Entrei e o olhar serio do meu pai me fez rir por dentro, era sempre assim, apesar da finalidade dele ser uma advertência para o meu atraso.
       O céu estava calmo. As nuvens vestidas de branco e cinza pareciam querer chorar. Não sei a razão. Elas ficavam tão lindas vestidas daquele jeito. Elas me acompanharam até a chegada. E foi mais rápido do que eu esperava; acho que olhar as nuvens me distraiu um pouco.
       Eu corri direto para o lugar onde sempre nos encontrávamos. Ele ainda não tinha chegado e eu tentava não ouvir as infinitas explicações para um "desaparecimento". O Sol já estava aparecendo tímido detrás das nuvens quando não pude mais esperar. Tive que entrar para a sala de aula.
       Quando entrei fui perguntando para os meus amigos se não tinham visto ele mais cedo, antes de eu chegar. Todos negaram e voltaram para a suas vidas. Como eles não achavam isso estranho? Como?
       Esperei até o intervalo. Nada dele. Voltei para a sala, já preocupada. Tentei prestar atenção nas aulas e nada adiantou. E finalmente tocou o sinal para ir embora. Quem sabe assim ele não apareceria, me libertando dessa angústia.
       Ao sair da sala, as pressas, senti uma mão um tanto nervosa segurar o meu ombro. A diretora me pediu que a acompanhasse até a sua sala.
       Ela começou com perguntas comuns de uma pessoa educada. Depois passou para as mais intimas, todas envolviam ele. Qual era a minha relação com ele. Como eu o tinha conhecido. Respondi todas, com um medo irracional dela ler a minha mente. Dela ver, não o primeiro sonho, mas a primeira sensação de sonho que tive com ele.
       Como aconteceu com as nuvens, me distrai com os livros que repousavam atrás dela. Eles eram menos perigosos do que as palavras dela. Era como se eu soubesse o que ela ia me dizer. Eu ouvia o que ela dizia, mas não compreendia por completo. Até que ouvi duas palavras que ela jogou sobre mim: "ele" e "morto". Ao ouvir essas duas palavras, perdi o sentido de mim mesma. Eu sentia apenas algo escorrendo em meu rosto e minhas pernas fazendo o caminho de volta para casa. Hoje eu percebi que decorrei esse caminho não por tê-lo feito repetidas vezes, mas porque ele me acompanhava o tempo inteiro ao percorrê-lo.
       Não sei o que aconteceu depois que cheguei em casa. Acordei agora, nessa madrugada, e senti vontade de dizer a você que sonhei com ele, mesmo você sendo apenas um diário. Ele nunca saberá disso. E eu nunca vou saber se algum dia ele sonhou comigo. Ou se ele teve alguma sensação de sonho dedicada a mim. Porque todos os dias que passei com ele, eu estive sonhando. E agora estou desperta sem ele.

Novos amigos inseparáveis

| sexta-feira, 29 de outubro de 2010 | 0 comentários |

Era tão real
Ao ponto de eu achar que estava ao seu lado
De me enganar, como se fôssemos os mais novos amigos inseparáveis
Eu surgi de um escuro silêncio
E no meio de uma confusão conhecida por mim
Naturalmente você estava lá, sem nenhuma razão aparente
Não me lembro, não sei se você me pegou pelo braço, me chamou
Eu lembro apenas de seus braços e os meus nos carregando
Minha presença respirando o mesmo ar que o seu
Nossos sorrisos eram filhos da mesma alegria
Ali parecia que poderíamos construir uma realidade em que eu e você viveríamos

Você me levou aonde parecia ser o seu lugar naquela confusão
Existia um pouco de você e alguns amigos
Era como se vocês fizessem parte do meu mundo
E fizeram, por mais mentiroso que tenha sido esse fechar dos olhos
Brincamos como se aquilo pudesse acontecer em qualquer dia do mês de Outubro
Eu falei aquilo que me veio à cabeça
E todos riram
E eu ri por estar perto de vocês

Então de uma maneira simples, eu me perdi em meio a um esquecimento
Quando voltei, você e nada do que me fez sorrir estavam lá
Tudo perdido.

Na terceira vez

| quinta-feira, 28 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Eu respirei duas vezes, na terceira já não sabia quem eu era
Eu sorri duas vezes, na terceira já era uma lágrima
Eu me olhei duas vezes, na terceira fiquei cego
Eu brilhei duas vezes, na terceira já não tinha luz
Eles me perguntaram duas vezes, na terceira já não tinha certeza
Eu rezei duas vezes, na terceira já não tinha fé
Meu coração bateu duas vezes, na terceira já não tinha sangue
Eu vivi duas vezes, na terceira morri
Eu tentei duas vezes, na terceira não tinha mais chance
Nem escolha.

Onde eu irei te encontrar

| | 0 comentários |
       Eu não lembro das brincadeiras de uma noite de olhos fechados, mas estou pensando em dormir. Não para descansar e depois deixar o Sol cegar os meus olhos por alguns segundos de uma manhã clara. Mas para, ao menos, tentar te encontrar onde podemos dar as mãos. Lá eu posso sorrir. Lá você tem uma voz própria, um olhar próprio, um sorriso e uma presença própria. Todos criados por mim pela necessidade de querer seus abraços, de não estar sozinho ao chamar o seu nome. De escrever com minha voz tudo aquilo que meu coração me conta sobre você. Não sei se ao apagar as luzes eu te encontrarei atrás de minha mente. Ao fechar os olhos, espero que o seu sorriso comece a brilhar dentro de mim. Eu amo o seu sorriso.

Limitação humana

| quarta-feira, 27 de outubro de 2010 | 0 comentários |
       Às vezes minha integridade se derrama pelas palavras de algo raivoso. E como se me atingisse corretamente. Falam daquilo que gosto, daquilo que me cerca. Daquilo que somos. Limita-me a gostos e palavras. Os livros que aprendi e guardei na minha cabeça desaparecem como se não existissem. Eu sei, não foram muitos os literários e muitas pessoas acham que sou inteligente por isso. Mas é como se por alguma diversão tudo perdesse a valia. Como se as pessoas não pudessem transitar sobre duas ou mais ideias. Se você é isso não pode fazer o que aquilo faz. E se você é aquilo não pode fazer o que isso faz. Porque se você em alguma vez, de alguma maneira, transgredir essa linha você já não é visto com bons olhos . E criamos um novo nome onde essas pessoas possam morar. Sempre que um ou outro indivíduo ultrapassa linhas e mais linhas tênuais de identidades pré-determinadas, ele é jogado lá, sozinho. Deixado para que paguem pela sua audácia de não se limitar. O novo não pode caminhar com o velho, porque se não o imita; não pode rejeitá-lo se não assombra, nem ser inerte a ele, porque estaria insensível a ele mesmo. Não temos mais saída, a não ser o julgamento. A maioria das pessoas se delimitam a coisas e param por aí. São as intocáveis mentes que não podem gostar de algo mais ordinário, porque deixarão de ser serias. Filósofos que se acham superiores, porque pensam compreender o Ser mais que os meros mortais incapazes de pensar. Matemáticos, Físicos e Químicos que acham que nada mais importa a não ser suas fórmulas e os conceitos. E mais uma infinidades de grupos que se evitam. Um se achando mais importante que o outro. Um desdenhando aquilo que não lhe é compreendido, aquilo que não lhe é saboroso aos lábios. E quando um deles tenta experimentar aquilo que não é comum em seu mundo, todos os outros olhos o condenam por tamanho pecado. Uma espécie de traição da própria natureza. Por que eles ao invés de arregalarem os olhos e de uma maneira dramática dizer que se decepcionaram com aquela atitude, eles não fazem o mesmo? Talvez o medo. O medo de ser comum. Porque nós somos, apenas não aceitamos isso.

Se eu não estivesse longe

| terça-feira, 26 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Já se passou da meia noite
Agora eu tenho a certeza que o dia é inteiramente seu
Apenas sonhe, hoje é o seu dia
Eu poderia escrever o seu nome no céu e dizer que ele é seu
Eu poderia fazer crianças sorrirem, guardar o sorriso delas e te entregar
Eu poderia fazer com as estrelas um caminho
Que te levasse para onde você conseguisse rir
Eu tenho certeza que a felicidade te acompanharia
Ela ama o seu sorriso
Eu poderia sussurrar para a noite te dar bons sonhos
E também para que os bons sonhos te dessem Boa Noite
Eu poderia brincar com a Lua e rezar a ela que te cobrisse com a inocência dela
Eu sei, ela se tornaria escura e sentiria frio
Mas eu posso guardá-la em meu coração enquanto você dorme, não se preocupe
Eu poderia chamar dezenove estrelas cadentes para darem as mãos e fazer do seu dia um pouco mais longo
Para que você sorrisse mais, sonhasse mais
E no fim, você poderia apagá-las e fazer das nuvens um doce para as suas palavras
Eu poderia pedir o vento que te abraçasse e fizesse cócegas em você
Também pedir ao Sol que tocasse carinhosamente em seus olhos
Dessa maneira eles nunca parariam de brilhar
Porque o mundo precisa dessa luz

Se eu respirasse perto de você, eu poderia fazer tudo isso
Mas como a distância é minha amiga
Tudo o que posso é te dedicar esses versos
Desse ninguém desconhecido que te admira

Se você sentiu rosas e um vermelho por esses versos
Setecentas e setenta e sete vezes sete desculpas eu te peço
Mas se você apenas as encontrou
Desculpe pela estranheza e não se preocupe
Eu as deixei cair enquanto escrevia
Elas pertencem a mim.

Apenas a procura

| segunda-feira, 25 de outubro de 2010 | 0 comentários |
       Somos criaturas. Nada mais do que isso. Tentamos nos agarrar a tudo, para termos razão de viver. Porque sim, nós não temos nada. Nem inspiração, razão de viver e muito menos amor. Porque tudo isso são sonhos nossos. E o que são sonhos? Não sei se são reais, fantásticos ou simplesmente existentes. Ou inexistentes. Porque lá eu posso voar, mas da mesma forma sinto dor. Como algo que não existe pode ser tão real? E como algo tão real pode não existir? Viver pode ser muito menos que isso. Respirar. Talvez isso resuma tudo que diferencia o que está vivo e o que está morto. Mas o que está morto pode existir, em algum lugar. Seja ele palpável as mãos ou aos pensamentos. Mas está lá grudado, confundido até mesmo com o cenário daquela confusão. Porque respirar não justifica a existência de algo. Muitos de nós vivemos apenas respirando. Outros vivem sem respirar. Poucos até não existem e ainda respiram. Alguns não respiram, não existem e estão vivos. Nada não pode justificar tudo. Como tudo não pode justificar nada. Caminhamos procurando motivos, sorrisos, lágrimas em tudo. Porque é assim, e somente assim que trilhamos esses sonhos. Esperamos ganhar sempre algo de alguma coisa. Seja uma ferida, uma alegria, um prazer. Não estamos preparados ao não receber. Fomos feitos, criados, crescemos para o único fim de dar e receber coisas. Boas ou más. Tristes ou felizes. Mas também podemos fazer isso sem termos escolhas. Porque não conhecemos nada além disso. Nada além disso tudo. Porque até a vida quer uma coisa de nós: a nossa morte. Se queremos algo, é porque aqui já não temos mais isso. Mas durante todos os tempos que os Homens vagam solitariamente acompanhados, eles buscam algo. E nunca acharam. Foi o amor para a vida inteira, a estabilidade financeira, a felicidade. Onde está tudo isso? Onde está pelo menos um pouco do caminho para essas conquistas? Não existe. Não respira. Não vive. Porque nada disso nos pertence de verdade. Nada disso foi feito para ser encontrado. E sim, procurado.

Como um rio

| domingo, 24 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Não precisei fechar os olhos para sentir a dor da escolha
Talvez porque a sua ausência me lembra uma ausência minha
Que eu criei em um passado não tão inocente quanto as suas asas, anjo
Seu sono será uma eterna noite para a vida dos que te amam
Boa noite

Não sei a razão de coisas assim acontecerem
Estrelas esquecerem de brincar com o céu
Mas eu sei, você não esqueceu de brilhar, apenas adormeceu tempo demais
Agora você não consegue voltar
Seu sonho será um lindo pesadelo para os que sorriram com você
Bons sonhos

Ela ainda procura uma maneira de te salvar
Mas por dentro o seu ar é tão vivo quanto o coração dela
E apesar de suas mãos estarem tão frias como um rio
Sua alma pode ser vista caminhando por essas palavras
Sua lembrança será um doloroso conforto para os que aqui ficaram
Adeus.

Vinhos e vinagre

| quarta-feira, 20 de outubro de 2010 | 0 comentários |
        Eu vejo o mundo se movimentando a minha volta e não tenho nada a fazer. Nenhuma palavra a dizer, só sentimentos a sentir. Eu vejo sonhos sendo construídos, histórias sendo escritas, mas não tenho tijolo algum desse livro, não tenho sono desse enredo. Uma mochila de risadas e conversas caminhando por um estrada triste. Eu não sou o dono de nada disso; não posso vender nada além de incertezas. Não posso comprar nada. O dinheiro aqui é a ousadia e eu não consigo dar o primeiro passo. A mente se torna o vinho, que a cada segundo se torna mais saboroso. E eu sou o vinagre; conhecimentos estragados pelo erro de conservação. Minha direção presa por muitos passos não escritos, por papéis não caminhados, que me fazem ver coisas muito além das nuvens. Porque as escolhas colocadas cronologicamente abaixo dos pés permite isso. Mas o ver não é o mesmo que tocar e minhas mãos presas por um veneno cômodo me obrigam a adormecer assombrado comigo mesmo. A diversão está em desenhar coragem no medo de errar, mas não tenho estrela para traçar um destino, muito menos lápis para criar um sorte. Algumas solidões fazem tropeçar e eu não posso negar que algumas pedras são minhas únicas companhias aqui. Uma chuva de mãos dadas, bocas que se interrompem, vidas que se entregam, seja para outras ou para si mesmas. Tudo isso é o que tenho visto durante um tempo que eu não sei quando nasceu. Sequer sei quando isso vai morrer.

Dezoito rosas para você

| domingo, 17 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Se eu pudesse te dar um presente, nesse seu dia
Eu te daria dezoito rosas brancas
Cada uma significando os Invernos que você sobreviveu
Nos corações dos que te amam
Eu as pintaria com o meu sangue
Dezoito gotas para dezoito Primaveras
Eu as enterraria na Terra do Nunca
Para que o Outono nunca as fizessem crescer e perder as folhas
Lembrando sempre de regá-las com as minhas lágrimas
Então não precisa sofrer, nem chorar, eu farei isso por você
Porque esse é o seu dia, o seu mundo
E eu pertenço a você, apenas a você

E quando você ver uma rosa vermelha
Lembre sempre que ela é um presente meu para você
E que eu sempre estarei ao seu lado
Mesmo você não sabendo quem sou
E nesses versos eu trago o seu presente
Dezoito rosas para você
Mesmo elas nunca sentindo o sabor de suas mãos
E a leitura de seus olhos.

O que eu fiz desde o início

| sábado, 16 de outubro de 2010 | 0 comentários |
       Não preciso de previsões, nem de esperanças, porque sei o que me falta e o que eu deveria ter feito desde o início. Não peço palavras que me animem, não peço sorrisos, muito menos verdades. Porque além delas estarem diante dos meus olhos, elas estão em um lugar onde o barulho mais alto não pode disfarçar e o silêncio mais profundo não pode calar. Estão dentro de mim.
       Manhãs, tardes e noites escondidas em um lugar que não consigo encontrar. Não tenho certeza, mas acho que naqueles dias eu fiz o meu melhor. Mas não foi o bastante para me deixar livre. E eu sei, tentar consertar pode me fazer continuar, mas nada do que perdi nesse tempo vai vim com o mesmo sabor. As brincadeiras poderiam ter sido feitas depois de uma dose de responsabilidade. Mas sempre achei que teria mais um minuto antes da meia noite. Então brinquei até me confundir as risadas, até não ter mais ar para dizer o meu nome. Esqueci de tudo, por isso, e mais algumas coisas, perdi a hora. Quando percebi já era um novo ano, uma nova estação. De nada mais adiantava fazer o pedido para que tudo desse certo, porque o minuto que separava o Novo do Velho não foi sentido. Assim permaneci o mesmo em uma nova cama de neves, flores, folhas e calores. Sempre caminhando um passo atrás daqueles que decidiram guardar o sorriso e comemorá-lo quando o ano já estivesse passado. Acho que todos somos assim um pouco.
       Agora posso ver isso, porque onde eu estou tudo é necessário. E o pouco que guardo em meus bolsos não é o bastante para preencher minha mente. Tentarei sobreviver a isso, quem sabe eu consiga preencher os cadernos em branco, terminar a borracha e resumir a vida em apenas algumas fórmulas.

Abraços, beijos, silêncio e tragédia

| quarta-feira, 13 de outubro de 2010 | 0 comentários |
        Era certo. Tudo estava diariamente no mesmo lugar; as coisas aconteciam da mesma maneira como todos os dias. Ele e seus sonhos rudes eram trazidos à vida com a ajuda de sua amada. Sempre assim: as mãos carinhosas dela acariciavam os seus pensamentos e depois que a vida abria os olhos dele, beijava em sua boca e dizia que o amava. E com uma rapidez preguiçosa,  ele colocava os pés no chão frio, sorria para ela e ia direto para o banho. Ela havia se acostumado com isso...
        Depois de toda a casa ser preparada para a saída dos dois, a separação era inevitável. Ela trancava a porta, olhava para ele acreditando que aquele dia seria diferente. Ele tomaria a atitude. Não, ele não tomaria a atitude. Então ela de um jeito tímido, mas confiante, o abraçava com muita força. Não ao ponto de deixá-lo sem ar, mas para sentir o coração dele bater perto do seu. De início ela sempre fechava os olhos, mas era forte de mais - e até prazeroso - a curiosidade de ver os braços dele pesando em sua frágil estrutura. Qualquer cansaço era plausível naquela situação. E para terminar, um beijo e um novo "te amo" eram entregues a ele. Ele retribuía com um silêncio.
        Passos separados e estavam todos ocupados. Ela sempre chegava no trabalho atrasada, os abraços e beijos distribuídos pela casa até a entrada lhe ocupava muito tempo. Mas era para o bem dele... Ela já não tinha certeza disso. Sentava às presas em sua solitária mesa e resolvia o que os papéis lhe pediam. E o relógio parecia querer que ela saísse logo dali, mas antes disso tinha que escrever o que suas lágrimas queriam; elas não podiam sorrir ali. Então quando seus amigos vieram chamá-la para mais um almoço de conversas engraçadas, ela disse que podiam ir. Ela precisava apenas de um tempo e depois os alcançaria.
        Pegou papel, caneta, alguns sentimentos e começou a escrever para o portador de seus abraços e declarações. Não sei ao certo o que ela escreveu, lembro apenas das seguintes palavras, que eram as finais de uma folha completa: "Não sei se o que faço para você é o bastante, mas faço o meu melhor. Eu queria apenas que você me beijasse como te beijo e dissesse que me ama como te digo. Mesmo sendo uma mentira, queria ouvir isso de você. Ao menos uma vez; uma vez antes de tudo isso ter um fim. Deixo aqui mais um Te amo não respondido. Te amo". Terminado de escrever, deixou a marca de sua boca no papel. O batom tinha cheiro de verdade.
        O engraçado era que ela nunca pegava a sua agenda, muito menos antes de ir almoçar. Mas assim ela fez, colocando dentro a carta dobrada. Ela segurava a agenda perto do seu coração.
        Tentou conter a sua leveza atual, estava andando um pouco apressada demais para ela. Deixou a sua atenção e um pouco de tristeza em sua mesa. Talvez por isso ela foi atropelada sem menor piedade por um carro mais leve que ela. Quem sabe ele não tenha deixado um pouco mais de atenção e tristeza em sua mesa... Com a mesma espontaneidade que o sangue surgia de seu descanso, uma multidão descontrolada se formava em volta da agenda lindamente colocada ao lado dela. E apesar da carta sentir vergonha de aparecer, metade de sua alma estava exposta. Um grande espetáculo onde só existia uma artista...
        Em meio a multidão, sem entender o que estava acontecendo, surge o segundo artista. O portador de todo o amor dela. Ele correu para tentar salvá-la daquele pesadelo; era visível lágrimas em seus olhos. E contra a vontade dele, mas a pedido dela, ele leu, clara e velozmente, a carta. Era lindo o sorriso no rosto dela. Uma mistura de amor e orgulho por conseguir aguentar o tempo que ele precisava.
        Quando a mente dele decifrou a última palavra daquela sincera carta, ela já estava adormecida. Com um sorriso no rosto. E tudo que ele conseguia fazer era abraçá-la e dizer "Eu te amo"...

Tardes e noites sem você

| | 0 comentários |
       Queria mais um dia daqueles, onde eu não precisava sentir sua falta. Eu encarava como uma provocação. Uma vontade, a minha, de te ver de novo lutando com mais uma tarde e uma noite sem o seu rosto. E quando o dia seguinte nascia de uma escuridão demorada, acordava sem entender como eu conseguia sobreviver a mais uma noite sem sonhos. Todos esses pertenciam a você. É, o mais difícil era que mesmo aguentando cada noite como uma nova vida, eu não podia mandar nada para você. Sonhos não podem ser escritos, mas sim sentidos. Eu não conseguiria fazer o papel te dizer tudo aquilo que a noite me contou, os lugares onde as nuvens me levaram. E na falta delas, as estrelas me faziam sorrir apenas para que eu não sorrisse sozinho.
       Eu não me lembro do dia. Você foi se tornando real na minha vida ao ponto de não me lembrar de quando não existia aqui, dentro de mim. Mas lembro os dias que eu chegava em uma manhã ainda calma, passava pela porta que te escondia - às vezes sim, às vezes não - para tentar te olhar. Ver o seu rosto silencioso, quieto. Eu poderia fingir que ele estava lá para mim, por mim. Simplesmente me esperando.
       Naqueles dias eu não tinha você para abraçar, para sorrir, contar histórias, nem para ouvir sua voz. Mas eu tinha você ao alcance dos meus olhos. Isso já me acalmava muito, saber que você estava a salvo, mesmo o mundo não sendo um ar tão bom de se respirar. Agora que eu não te tenho de frente aos meus olhos, faço do branco de sua ausência a cor da minha alma.

Quando crescemos

| terça-feira, 12 de outubro de 2010 | 0 comentários |
        Nosso céu não é mais azul. As nuvens não são mais de algodão-doce, nem um buraco no chão nos faz querer ir para o outro lado do mundo. A Lua não pode mais ser comida, porque descobrimos que ela não é de queijo. A segurança que a mão de uma mãe nos dava já não faz mais sentido. As vontades de sermos um cavaleiro que adormece monstros ou uma princesa que espera pelo seu amado com um vestido rosa se vai na água de algum banho sozinho. Os amigos se tornam diferenças, nossos iguais, e deixam de ser pessoas. Desconhecidos não são mais gigantes, e sim estranhos. O espelho deixa de ser mágico e se torna tudo o que nos preocupa.
        Não sabemos quando ou como isso acontece, porque não somos avisados, sequer preparados. É tudo muito rápido, tão de repente. Um piscar de olhos. Uma batida do coração. E já estamos em um mundo que tudo parece um tanto mais cansativo. Correr em um chão que suja os nossos pés descalços, manchar as roupas com risadas lamasentas.Tudo isso já não é mais diversão, mas inquietação. Porque temos que mostrar nossos tênis e nossas roupas mais caras que a nossa própria alma. Chorar deixa de ser uma coisa comum a todos para se  transformar em fraqueza, porque meninos não choram e meninas o fazem o tempo inteiro. Ignoramos o colo do outro, porque somos fracos demais para admitir que um dia já fizemos isso. Fazer de uma caixa de papelão uma nave espacial, um galho de árvore uma espada ou até mesmo falar o nome do seu personagem favorito como se fosse o seu é proibido. Imaginar, sonhar, são atitudes simplesmente escondidas dentro dos bolsos para que não nos envergonhe na frente da roda de pessoas.
        Deixamos a inocência infantil de fazer cócegas, de nos dar as mãos, de nos colocar no peito do outro apenas para ouvir um coração que não seja o nosso. Tudo isso se tornou incômodo, o abraço um ato assombroso. Talvez pensamos que por trás disso exista um desejo maior, onde nossas mãos não podem tocar, mas nossa mente se divertir. Porque nos importamos com o que vão falar se nos verem abraçados a outra pessoa, seja ela ou ele. Porque há um bom tempo perdemos a nossa linguagem infantil e incompreendida por aqueles que estão mais perto do céu para vivermos em um lugar onde nossas palavras podem levar para mais de um caminho.

Duas horas, uma vida e tudo perdido

| segunda-feira, 11 de outubro de 2010 | 0 comentários |
      Duas horas perdidas com conversas desnecessárias, brincadeiras infantis, ciúmes e provocações tão exageradas que chegavam a riducularidade. Foi assim que me senti o tempo inteiro, enquanto as horas do rélogio corriam contra algo que sempre me fugia aos olhos. Eu tinha planejado como colocaria cada coisa em cada lugar do tempo. Primeiro iria abrir os olhos como de costume, jogar palavras ao vento. E depois de quebrar a minha rotina caminhando sobre um chão solidamente quente, eu poderia voltar ao meu mundo que os outros diziam ser juvenil. Mas nada disso aconteceu. Perdi o controle daquilo que eu já sabia nunca ter tido nas mãos. Encantar-se com as vozes, as risadas, o divertimento que não pertence a você. Tudo nos encanta e talvez por isso, somente por isso, perdemos duas horas desse dia. E mesmo sabendo, mesmo repetindo muitas e muitas vezes, eu ainda me deixei calar, me fiz levar por um caminho que não tinha pedido. Um caminho que não era inteiramente meu. Sim, porque eu me guardei, me fiz mais criança do que meu rosto permite. Eu segui passos invisíveis e por isso me acharam menos perigoso. No começo achei que seria fácil, rápido. Mas o tempo foi me afogando em uma necessidade imensa de me controlar. De controlar tudo que pertencia a mim, ou, o que eu achava pertencer a mim. Porque para mim estava claro, nada daquilo deveria estar acontecendo. Eu deveria me manter comigo e não me perder nos outros. Eu não deveria ter perdido duas horas e uma vida. Não daquela maneira.

Finja estar aqui

| domingo, 10 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Você pode fazer o que está em minha mente real?
Não estou pedindo o seu amor
Eu quero apenas que você faça existir as nossas conversas
Que você me dê mais uma chance para te decepcionar mais uma vez

Não espere até depois da meia-noite para isso
Não espere um novo ano para me dar a mão
Você sabe a ajuda que eu preciso
Então feche os olhos e finja estar aqui

Você ouviu os gritos das minhas lágrimas?
Eu quero fingir acreditar em você mais uma vez
Talvez eu aprenda a acreditar nas minhas mentiras
Eu e você

Enquanto eu não adormecer ao seu lado
Eu sei que tudo estará respirando a salvo
E acordado, não consigo sonhar
Suas palavras me tiram o sono
E de tudo que eu nunca tive.

Estrelas azuis

| | 0 comentários |
Desde muito cedo eu tentei me igualar a eles
Nunca consegui, mas cheguei perto
As estrelas azuis eram sempre minhas
Mas eu nunca consegui realmente

No silêncio eu me machucava e eles me gritavam por outro nome
E quando eu chegava em casa, em um dia sem asas
Tudo o que eles queriam era o céu que não completei
E a única estrela em minhas mãos perdia o brilho que tanto me encantou

Quando se é muito diferente
Tudo pelo o qual você respira é a recompensa desse mal

E crescendo nada mudou
Apenas as noites ficaram mais longas
E a escuridão um pouco mais escura
E quando se passavam cinco minutos da meia-noite
Nenhuma luz podia resgatar o que me foi perdido

E por saber que eu nada poderia fazer para resgatar o amanhecer
Eles gritavam e me faziam sangrar
Com os olhos fechados, eu procurava a recompensa desse mal.

Poetas também morrem

| sábado, 9 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Silêncio, não perturbe o sono dos que aqui já sonharam
Eu não posso sonhar olhando para o lugar que seus olhos se fecharam
E não consigo agarrar suas mãos e te salvar desse pesadelo
Eu sinto o Sol derretendo as asas de seu amigo
Ele está vendo por você

O tempo passa e nos aproxima
Mesmo com os olhos fechados a verdade ainda brilha em um frio Sol
Você se sente lembrado quando a chuva te molha?
A pedra gelada se confundiu com o meu coração
Mas eu pude sentir uma lágrima viva

Anjos mortos pelos pecados perdidos
Encontrados com pouco tempo de vida
Quando você se sente sozinho eles te fazem companhia?
Às vezes a solidão parece mais viva que a própria morte

Flores caídas, erguidas por mãos pulsantes
Você pode sentir o calor da minha alma tentando te encontrar?
Eu sei que a terra onde você se deita é mais real que as minhas mentiras
E você pode ser uma delas

Cada passo que eu dei para me afastar de você
Eu me senti um pouco menos irreal
Onde você repousa é onde eu deixo de existir

E mesmo que agora você esteja intocável pelas mãos dos mortais
Você existe em um lugar do mundo em qualquer tempo.

Alguns, Outros e Poucos

| sexta-feira, 8 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Vamos falar do céu
Às vezes é impossível acreditar que ele seja o mesmo em todos os lugares
O palco para o brilhante Sol
O descanso para a linda Lua
Dolorosamente inocente em sua cama de estrelas
Mas se você abrir os olhos um pouco antes do entristecer
Você verá, a vida de todos é um desses sonhos

Vamos falar de vidas
Às vezes é impossível acreditar que ela seja a mesma em todas as pessoas
Mas se você fechar os olhos um pouco depois de respirar
Você verá que o céu e a vida não tem uma morte tão distinta
Porque a vida é um palco para Alguns
O descanso para Outros
E a dor inocente de Poucos.

Solitárias noites infantis

| quinta-feira, 7 de outubro de 2010 | 0 comentários |
       Todas as noites de minha infância solitária e assombrada pela escuridão eu estive esperando por ele. Eu gritei o seu nome e recebi lágrimas. Mais tarde eu soube que ele já esteve aqui...
       Depois de tudo, um sorriso novo, uma vida nova, nasceram dentro de nós. Então eu soube que ele ouviu, que o mundo ouviu, o meu grito mais silencioso. Eu respirei suficientemente o bastante para saber que ele me abraçaria, mas ele nunca me prometeu isso. Ele nunca me disse isso, mas aqui dentro tudo já esperava o nome dele.
       Três segundos se passaram e ele se foi para sempre, deixando as estrelas como nossa companhia. Sozinho e sem qualquer sorriso, ele está em algum lugar lá fora, ele está lá. Hoje são as noites que me chamam.

Através de você

| | 0 comentários |
Por toda parte eles me olham
Tirando minha vida pelos seus olhos
Em todos os lugares eles me encontram
E prendem minha alma pelos seus sorrisos
Outra vez você está aqui
Ecoando o som da sua voz na minha cabeça

Eu estou vivendo através de você
Você consegue me sentir?
Seu coração não bate como o meu
E meu coração me bate como antes
Você consegue sentir?

Enquanto eu me encontro quebrado
Eles me odeiam de todas as maneiras
Dentro de mim estão todos os meus pensamentos sobre mim
E eu não posso dizer se minhas verdades são verdadeiras
Você sempre faz me sentir acorrentado

Eu estou morrendo através de você
Você consegue me sentir?
Seu coração não bate como o meu
E meu coração me bate como antes
Você consegue sentir?

Seus gritos esquecidos sobre mim
Encontrando um lugar onde você possa se guardar
E você sabe que posso te ver
Mesmo quando você se esconde em seu silêncio
Você consegue me fazer fraquejar.

Uma nuvem em seu céu

| | 0 comentários |
       Nada mais importa do que saber que o Sol está sorrindo. Eu daria tudo que tenho, ou penso ter, para ser uma nuvem, por mais escura que ela fosse, por mais distante que o Sol estivesse... Bastava apenas saber se a chuva que guardo aqui dentro, junto com a sua luz, se tornaria um cristal com cores. Mesmo esse meu cristal sendo mostrado a você por outro sonhador... Por uma criança mais perto do céu... Seu céu. E por mais que meu mundo só tenha a noite, as estrelas mostram que o seu brilho permanece vivo, em mim, mesmo sendo a ilusão da solitária Lua. Mas por mais sozinha que a Lua seja, ela só brilha pelo Sol existir.

Talvez por isso as pessoas lutam

| | 0 comentários |
         Sempre é assim: as coisas começam a cair aos poucos. Uma brincadeira infantil, onde se valoriza mais a diversão em meio a uma guerra de responsabilidades. Discretamente as coisas vão escorregando pela mente, passa pelos olhos, pela boca - ao som de muitas risadas - até chegar aos pés. Aí as coisas nos deixam e permanecem solitárias em um caminho que, voltando ou não, sempre participaremos das consequências.
         Zombamos de tudo, seja das batidas do relógio ou dos barulhos do coração. Rimos, sonhamos e nos perdemos em nós mesmos. Já não temos tempo para nos preocupar, para crescermos, adoecermos. Procuramos primeiro o paraíso para depois tentar pisar no chão. E quando chegamos a pisar no chão queremos que ele seja limpo e perfeito, sem que nenhuma pedra nos dê o perigo de tropeçarmos. E já não sabemos mais como caminhar, como nos manter retos, intactos, inteiros em nossos próprios caminhos. Porque passamos tempo demais voando com as nuvens. Ao invés de dormirmos para sonharmos, fazemos da realidade um sonho para não precisar mais adormecer. Um intenso esforço nos fazendo esquecer que a realidade ainda está pulsando e que, em algum momento, irá cobrar todo o tempo em que nos divertimos tentando enganá-la.
         De repente, sem sussurrar para que você se segure, tira suas asas sem a menor piedade, mostrando a você e a todos os homens que não sabemos voar. Que apenas nos sonhos isso é possível. Esses que tentamos ao máximo ignorar. E como em um fim de festa, esse momento chega quando você está próximo de tocar a mais bela estrela do Universo. Garrafas de risos vazias, piadas rasgadas, restos de diversão no lixo. E você se vê caindo em um chão repleto de verdades. São escolhas a tomar, respirações para alinhar, respostas a serem dadas, vidas a serem justificadas.
         E perdido nessa confusão, você se pergunta como não percebeu tudo aquilo de onde estava. Como não tinha percebido que o que estava ali dava razão a tudo que estava sobre você. Porque o céu visto de baixo é muito mais bonito, mais chamativo. Talvez por isso as pessoas lutam. Para serem merecedoras de terem uma estrela segura descansando acima delas.

Sua própria garota

| quarta-feira, 6 de outubro de 2010 | 0 comentários |
Mais uma noite de gritos desacorrentados
Isso é muito doloroso para mim
Você me diz essas coisas como se elas fossem verdades
Mais uma noite de pensamentos indesejados
Eu não sei como você consegue mudar a minha realidade

Você realmente acredita nelas?
Porque elas estão dentro de mim agora

Eu sou a minha própria garota
Tudo o que restou de mim foi a sua distorção
Não jogue as palavras ao vento - eu as pegarei
Seguro na sua escuridão
Eu sou a sua própria garota

Você gritou e todos eles te seguiram
Eles dividem do mesmo coração que você?
Eu ainda estou aqui e vocês nunca caíram
Por mais que eu tenha sangrado
Esse fantasma nunca se tornou sagrado

Você realmente acredita nelas?
Porque elas são partes de mim agora

Conduzido a ver apenas o que você quer que eu veja
Sobre mim cai toda a vergonha
Eu posso te ouvir - onde quer que você esteja
Com os olhos escorrendo vida
Eu desconheço o caminho de volta
Nunca vou esquecer a alma que me foi corrompida

Você me costurou dentro de uma boneca
E por alguma razão eu ainda cuido de você
Eu preciso de tudo que você vê
Eu sou a sua própria garota.

Meu amigo

| | 0 comentários |
Eu sinto a sua falta, meu amigo
Das noites que nunca contamos estrelas
Dos segredos que nunca compartilhamos
Dos sorrisos que nunca sentimos
Das lágrimas que nunca guardamos
Dos abraços que nunca demos
Das disputas que nunca nos motivou
Da sua voz que nunca ouvi
Do seu rosto que nunca vi
Dos gritos que nunca nos entregamos
Das desculpas que nunca pedimos
Dos aniversários que nunca comemoramos
Dos presentes que nunca amamos
Dos defeitos que nunca reclamamos
Das noites que nunca dormimos abraçados na mesma cama
Das histórias que nunca contamos
Das músicas que nunca cantamos juntos
E que nunca nos lembrou um ao outro
Dos medos que nunca nos passamos
Das situações que você nunca me protegeu
E que eu sempre diria que te amava
Dos dias que eu nunca te tirei a paciência
Com perseguições e brincadeiras infantis
E das noites que eu nunca te vigiei dormindo
Das suas palmadas carinhosas
Dos nossos planos nunca pensados juntos
Dos seus murros dolorosamente amáveis
Dos seus empurrões e beliscões
Que nunca me alegraram a alma
Das vergonhas que nunca te fiz passar
Das lembranças que nunca nos trazem saudades
Dos apelidos que nunca odiamos
Do disfarce que nunca colocamos no amor
Para fingir que nunca fomos iguais
Das despedidas que nunca nos apertou o coração
Do começo que nunca veremos o final
E do final que nunca soubemos o começo.

As palavras dela

| | 1 comentários |
As palavras dela tiraram você de mim
De uma maneira tão violenta que eu não sinto nada agora
Mas mesmo assim eu espero que as estrelas te protejam
E sei que elas irão te proteger
Porque elas sabem que estou procurando o céu onde sua luz brilhava

Depois daquelas palavras, você me provou que não se lembra de mim
E eu não sei o que sinto
Eu sei apenas que voltei para dentro de mim
E já era sábado, um longo sábado
E eu não sei o que sinto

Eu acordei em um novo dia
Ainda cego por toda escuridão da noite passada
Em que horizonte você está descansando?
Eu sei que não te perdi, meus olhos apenas não te veem
E eu esqueci de avisar a minha alma

E as palavras dela trouxeram você de volta para mim
Talvez de uma maneira diferente
Ou ela apenas deixou alguma parte de você caída no chão
Esquecida no escuro
Eu vou saber disso quando acordar amanhã
Talvez, se eu acordar amanhã.

Para sempre

| | 0 comentários |


           Era um silêncio de ensurdecer os ouvidos. Ele esperava em uma rua escura, deserta; nem as estrelas ajudavam para a volta de sua esperança. Ela se fora... para sempre.
           Ele sabia disso, mas uma parte de sua alma ainda trazia a vivacidade que ela não tinha mais. Ele sentou na calçada esperando por ela. A neve caia de uma maneira tímida, tocando em seu rosto. Ele podia jurar que ela estava ali, em algum lugar. A inocência da neve o lembrava a pele dela. Até o frio o lembrava ela. Suas dores e seus sorrisos, tudo era dedicado a ela.
           Decidido, ele resolveu se enganar. Deitou na cama pálida que se formava e aumentava a cada minuto. Fechou os olhos, já não tremia. Ele sabia que seria rápido, a noite o dizia isso... Ele tinha que ter apenas paciência.
           Sua respiração foi sendo deixada, seu corpo já não era tão quente como quando ela estava ali. Seu coração já não tinha a força que precisava... Não tinha vida... Não tinha ela.
           Então o sono tomou por inteiro o corpo dele. Sim, era tudo dedicado a ela. A sua vida, o seu silêncio, o seu sono... o seu para sempre.

Lei dos homens

| | 0 comentários |
Você se colocar contra ou a favor de algo
Não faz de você mais limpo, nem o faz mais errado
Lei dos homens em uma terra de homens
É onde eu respiro e onde eles mandam
Por favor, me faça ser um sonho outra vez

Será que algum dia os anjos já foram homens?
Se eu for uma boa criança, poderei perguntar a Deus
 Eu vou prometer guardar a resposta em meu coração

Quando mais de um aponta para a escuridão
E grita que é perigosa, ela nunca mais será segura
Eu tenho tanto medo do que eles podem fazer com o arco-íris
Tirar suas cores e fazer cair sangue dele
Eu tenho medo deles transformarem sonhos em pesadelos
Porque sim, eles têm força para isso

Olhos são mais do que dois círculos do infinito
E duas mãos solitárias não derrubam um império
Mas nem toda coroa que cai merece adormecer no chão
Mas esse é o castigo dos mais fracos e eu estou abaixo deles
Porque sim, eles têm força para isso

Um estrela não caminha sozinha para a noite
Nem quando ela sente vontade de chorar
Porque ela sabe, precisa da Lua para aparecer
Uma nuvem não cresce com apenas uma lágrima
Mesmo quando ela quer voar sobre o mar
Porque ela sabe, para ter asas precisa adormecer e assim crescer
E algumas almas se juntam apenas para se sentirem um pouco mais quentes
Elas mal sabem o quanto o inverno é frágil
E o mundo se faz dessa forma.

Vinte e um gramas

| terça-feira, 5 de outubro de 2010 | 0 comentários |
A perfeição é dada para poucos.
Como os anjos desejam uma alma, você não vê?
Vinte e um gramas pesando em seus sonhos
Em seus corações...E eu estou cansado demais para me ver
Ruim o bastante para saber que o espelho está certo.
É engraçado, um arrepio me avisa que o meu inverno nunca vai acabar
Ele nunca vai... Nunca!
Dezesseis passos em direção a morte
E essa caminhada é longa
Ela não poderia me dar uma chance de dizê-la que a amo?
Talvez dessa maneira ela poderia me amar um pouco
Pelo menos um pouco... Um grão de areia na neve que a devora.
Por que a mesma neve não pode me enterrar tão lindamente?
Vinte e um gramas em troca de asas
Em troca de um lugar nos olhos de todos.

História sem razão e aprendizado

| | 0 comentários |
         Ele surgiu de um lugar onde essas palavras não conseguem ouvi-lo. Passos rápidos; uma conversa entre pés, chão e um amanhecer repleto de estrelas. É, todas elas adormecidas sob um disfarce transparente. Era melhor para elas deixarem a manhã renascer como de rotina.
         Tudo estava atrasado: o vento, o silêncio, o tempo. Tudo menos o menino. Seu andar apressado talvez fosse para tentar alcançar o atraso das coisas ou, até mesmo, para nunca encontrá-lo. Alguns diziam que seus olhos tinham cor de amor, outros viam tristeza, mas ele mesmo não sabia a cor dos seus olhos. Ele sabia de uma coisa: quando dizia que eles eram verdes, uns gargalhavam de descrença. Ele podia ouvir até o próprio Deus rindo dele. Mas nada disso atrapalhava a sua rápida caminhada.
         Atrás dele existia uma mochila. Todos que a pegavam perguntavam a razão dela ser tão pesada. Ele entregava um sorriso como resposta. E quando ele chegava, pedia licença e sentava em seu lugar, quando nada lhe impedia. Se não, ia logo buscar com as pessoas aquilo que pertencia a ele, o conforto, não completo, para o seu cansaço. Eles sempre diziam que sua alma cheirava a inteligência e que sua mente tinha um abraço bom. Alguns até ousavam em dizer que o seu vazio poderia ser a sua alma. Isso já o faz querer ir embora mais cedo.
         Mas antes de voltar, em meio a vozes - todas vivas - ele se perdeu. Mas isso não significa que ele um dia se encontrou. Na verdade ele sempre esteve perdido...
         E ao voltar, de novo, pegou sua mochila pesada. Nela colocou seus livros, seus poemas, seus cadernos... Suas dores, sorrisos, sua vida e seus segredos. Havia anos que seus dias eram assim, uma estrada longa, dolorosa e confusa de volta para casa.
         Para o fim dessa história sem razão e aprendizado, ele caminhou de volta e a cada pessoa por quem ele passava, a cada olhar que lhe despia, a cada garoto que lhe assombrava, garota que lhe desdenhava, tudo isso o seguia. Dentro de sua mochila.

Um simplório exemplo do que é a Vida

| | 0 comentários |
         Primeiramente pense que a vida é um caminho. E que os seus fenômenos se apresentam como um tênis. Dores, sorrisos, perdas, encontros, surpresas, acontecimentos, lembranças. Todos têm, todos usam... Algo importante para a nossa condição.
         Imagine agora que todos do mundo recebam um par de tênis. Iguais. Ordinários. Sem nenhum atrativo que os façam bonitos, chamativos e únicos. A maioria das pessoas pegam e os colocam sem ver o que podem fazer para deixá-los com um pouco de si. Essas não percebem a importância de estarem com os pés protegidos em um caminho que não sabem o que as reserva no próximo passo: Um buraco, uma pedra, o silêncio. Isso é mais comum do que eu consigo supor...
         Outros, popularmente conhecidos como minorias, preferem transformar seus tênis algo totalmente eles. Mudam o cadarço, pintam os espaços brancos com caneta, colocam coisas nunca imaginadas neles. Desenham, escrevem mensagens, frases, seus nomes. Fazem de tudo naquilo que parece nada. Mas para fazer isso é preciso ficar descalço e isso não é muito fácil. Sentir o chão, se machucar com as pedras, cansar mais rápido e por isso ter que parar mais vezes no decorrer do caminho que nos obriga a oferecer mais do que nós temos. No começo tudo é muito ruim, muito doloroso e não sei se isso os torna mais fortes, insensíveis a dores e incômodos. Eu só sei que isso os mudam de uma maneira que os deixam mais habituados com as feridas, com os imprevistos e tudo o que está escondido nas curvas dessa caminhada que todos fazemos. Cada ferida é sentida como se fosse a primeira de uma pele que ainda é virgem, inocente do sangue que o chão chama com tamanho encanto. Mas isso os deixam ver que as únicas coisas que podem mudar suas realidades são eles mesmos. Que por mais que se machuquem sempre vão sentir dor, haver feridas, mas que isso não é o mais importante, e sim, mudarem o seu tênis da melhor e mais divertida maneira que conseguirem. Para que dessa maneira possam caminhar deixando cair passos que tem um pouco de si mesmos, nisso que chamamos de Vida!

Eu sou Deus?

| | 0 comentários |
           
           Eu não sei se tudo aquilo foi um sonho ou realidade, mas quando acordei tudo já havia sido criado. Era como se alguma coisa em mim houvesse mudado, mas eu não sabia o que era. Meus olhos infantis, minhas pequenas mãos e meus pequenos pés, minha maneira desastrada de se alimentar... Tudo permanecia da mesma forma, mas era como se fosse a primeira vez das coisas.
           A escuridão me parecia nova, como a luz que a diferenciava. Havia ali, por toda parte, diferentes bolinhas que se equilibravam sobre o nada. Já outras voavam como se estivessem brincando de esconde-esconde com suas iluminadas cabeleiras feitas de alguma coisa que me incomodava os olhos, me fazendo coçá-los sem parar. Algumas outras já eram mais variadas; tinham pequenas e grandes, de deferentes cores, das mais distantes as mais próximas. E eram quentes e me encantavam. Em meio a tantas coisas novas - ou pelo menos me pareciam assim - resolvi correr e pular por ai, talvez para conhecer aquilo que já me era conhecido. Era engraçado, todas essas coisas me faziam gargalhar de alegria. Foi então que ouvi barulhos, e esses barulhos viam de uma das bolinhas um pouco distantes de onde eu tinha acordado. Era tão sublime o que eu via ali que chegava a ser assombroso.
           Eu ouvi chamarem alguma coisa que não conhecia ao certo. Pediam para que essa alguma coisa aparecesse para guiá-los naquela esfera que era tão desconhecida deles. Perdi-me em meio ao meu próprio desespero: Como encontrar esse tal "Deus" que eles pediam socorro, se eu conhecia apenas a mim naquele vasto lugar? E se caso não encontrasse ele, como ajudá-los se nem eu mesmo conhecia aquele lugar de onde chamavam? Resolvi então ir até eles.
           Estava nervoso, era tudo tão conhecido que se tornava desconhecido para mim. Caminhei até o primeiro homem e a primeira mulher que vi, eram solitários. E ao me verem logo se colocaram de joelhos, agradecerendo por eu ter atendido aos chamados deles, porque eu era um deus bom e misericordioso. Tudo aquilo me deixou muito confuso. Como se ajoelhavam diante de uma criança? Como diziam saber quem eu era, sem eu mesmo saber quem sou? Pedi aos dois que se desfizessem daquela posição. Nenhum de nós que estava ali era superior a ninguém.
           Ajudando-os da maneira que eu podia, o tempo foi passando. Tudo parecia muito bem, até que o que eu sabia não era o bastante para eles. E o que eu sabia? Não muita coisa. Acho que eles pensavam que eu sabia de tudo. E quando isso se tornou claro, eles me expulsaram daquilo que eles mesmos diziam serem criações minhas. Não me sinto dono de nada, mas era isso que eles gritavam aos ventos. Nunca prometi a eles saber tudo, mas eles acharam que sim. Como queriam que uma criança soubesse de tudo? Agora eles me chamavam de um deus mau e injusto.
           Voltei para onde eu tinha sonhado, ou talvez criado tudo, não sei. Mas de lá eu vi o tempo passar. Vi essa história sendo contada e recontada muitas e muitas vezes. Vi a minha imagem infantil, leve, incerta com suas próprias criações sendo trocada por uma imagem idosa, pesada e certa de tudo e por isso acima de tudo. Ouvi tantas coisas, tantas blasfêmias. Que salvarei pessoas e deixarei outras, que renego pessoas pelo que elas são, que desprezo coisas. Se vocês mesmos dizem que criei tudo, porque dizem que desprezo minhas próprias criações? Nunca disse que criei as coisas, mas saiba que se eu realmente tiver criado, não as quero que vivam para mim. Não quero que para lembrar de mim precise esquecer de si mesmo, porque se criei é porque senti necessidade de te fazer um deus. Porque nada mais egoísta do que querer que todo o Universo, toda a Criação seja meu espelho. Você acha isso mesmo de mim? Eu não salvarei, nem condenarei ninguém, porque você é o seu próprio Deus. Agora cabe a você escolher qual deus quer ser...!