Quando se é guardado

| sexta-feira, 5 de novembro de 2010 | |
       Era como uma caixa. Ele ouvia olhares, via pensamentos e sentia risadas. O pouco que mudava em seu rosto era o sorriso que aparecia quando ele percebia tudo aquilo. Uma gargalhada disfarçada de sorriso, tudo para não chamar atenção. Ela estava tão firme em seu rosto que parecia não se importar com aquilo. Mais uma nova piada para ser usada quando não tivesse mais assunto para discutir. Não era necessário, mas ele escondia os mais pesados no fundo e cobria com os sons risonhos. Quando abria se via palavras, ideias, histórias e alegrias. O cheiro de medo e dor acompanhava e deixada marca nos objetos que ali descansavam. Ele enfeitava tudo com nobres mentiras. Todas brilhantes, diferentes das lembranças que viviam na escuridão. O passado brincava com aqueles que não moravam na caixa, os sussurros os divertiam. Mas dentro, eles assombravam. As coisas ficavam quietas, deixavam de existir na mente dele, do seu próprio dono por pouco tempo. Ele permanecia fechado e nas vezes que tentava pegar sua solidão, ele perdia o controle. Nunca o pertenceu e mesmo sabendo que não ficaria muito tempo aberto, ele poderia tentar. Porque tudo aquilo estava guardado dentro de si.

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