Gostar-te como te gosto

| domingo, 17 de maio de 2015 | 0 comentários |
Vi-te, tão depressa,
Como quando quase se esquece de que gosta
De quem se gosta
(E eu te gosto como te gosto)

Não é preciso aqui dizer
Que desejaria ser o chão pisado,
Por mais que este te acompanhe,
Nem as nuvens que seguem acima,
Mesmo estas capazes de te observarem

O que quero é algo mais real,
Longe das esferas dos versos,
Mais próximo de você –– um de seus lados.

Já me ouvi chamarem de poeta,
Mas discordo –– os poetas criam
E eu... E eu apenas vivo.

Vi-te, tão depressa,
Como quando estala os lábios nas bochechas
De quem se gosta
(E eu te quero selar com estalidos
Mais íntimos do que aquele caminho
Cheio de pessoas desconhecidas,
Mas que as pedras lhe eram conhecidas.
E iguais a elas, foi lá que você
Viu-me, tão descansado,
Como quando se tem a certeza da vinda
De quem se gosta, como eu te gosto).

Pintura

| sábado, 9 de maio de 2015 | 0 comentários |


























Quisera eu, pintar o céu que vejo
Em seus movimentos mais gélidos,
Em seus dormentes mais agitados,
Quase como fosse um pequenino
–– Junção de brincadeira e fuga.
Eu queria marcá-lo, imprimi-lo ali,
Seja na tela de meus olhos,
No fenômeno que se diz a todos,
Mas eu já o deixo abandonado,
Ainda que visto e morada das íris,
Como se já não o visse –– morresse!