Vidas íntimas

| domingo, 5 de dezembro de 2010 | |
       Eu nunca me importei muito. A vontade de algo mais divertido, a procura de algo mais arriscado, não faz as minhas veias pedirem por mais sangue. Não quando envolve duas pessoas. Talvez eu tenha passado muito tempo me preocupando com as palavras e esquecido de brincar com os corpos.
       Eu me sinto sozinho entre tudo isso. Enquanto todos procuravam silenciar as suas bocas, colecionar línguas, eu tentava aprender a não ultrapassar a margem das páginas. A cada linha os dias se perdiam atrás das folhas já escritas e as noites me distraiam em um profundo sonho de olhos fechados e perfeição. E ao caminhar para um lugar que me levaria a outro lugar, eu via conversas baixas e prazeres silenciosos. Era um ótimo começo juvenil e eu me perguntava a razão de não fazer o mesmo. Talvez as minhas letras eram redondas demais em uma vida que o mais importante é a ação.
       Depois de as todas luzes e sombras que respiraram sobre nós, todas essas vidas se tornaram mais íntimas. Eu posso sentir o cheiro dessa proximidade nas risadas dos garotos e nos sussurros das garotas. Solidão crescendo comigo em uma frágil tentativa de eu me tornar aceitável.
       A incerteza sobre mim mesmo escorrendo pelas minhas mãos. A minha imagem que vejo refletida nas minhas próprias palavras. O medo de falar mais alto que o céu e parecer um pouco mais inocente que as nuvens. E todas essas primaveras que não me importei com as flores, mas com o desenho que a lua fazia nas poças de chuva. Talvez seja nisso que se construa o meu nome e todas as coisas que nele se agarram.

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