Azul Celeste

| segunda-feira, 12 de novembro de 2012 | 0 comentários |



















Há muito tempo - eu tenho vivido sob um terrível Sol há muito tempo
E os seus raios secaram todas as pétalas de vida que eu plantei
Admito, eu lutei e lutei para que tudo permanecesse vivo - até mais do que a mim mesmo
Mas durante todas essas batalhas, eu fui o único e último a tomar o veneno
Agora, doente e quase morto, percebo que o que me servia era a minha própria mão
Então não se preocupe, não culpo aqueles longos verões pela minha solidão;
Ela sempre me acompanhou, mas desde ontem eu não preciso fingir amá-los
Eu estive tão preso a essa minha lasca que a chamei de seu horizonte
Está na hora de simplesmente sorrir para o amanhecer e dizer adeus: - Adeus!

Enquanto eu me virava para encarar a outra extremidade do mundo
Minhas mãos procuravam por pedras tão machucadas quanto a que guardo no peito
Por mais que eu as tenha encontrado, nenhuma delas me ensinou a não olhar para trás
E eu tentei acinzentar a Estrela, derrubá-la, até que apenas a minha sombra restasse no chão
Tranquei os meus olhos por dentro e esperei por algo que eu não sabia se existia

Quando eu já não mais vigiava os cantos, as profundezas, nem as distâncias
De algum lugar, talvez trazido pelos lábios de uma amiga ou sobre as mãos da Vida,
Você surgiu, um Azul Celeste com gosto de inocência, brincando de me tirar sorrisos bobos
Desenterrei as minhas verdes janelas para observar de que mês vinha essa áurea
E ao ter diante de mim o rosto de todos os dias que estive afundado naquele meu pesadelo
Eu pude perceber que não sentia mais nada por ele - o Passado tomou seu devido lugar em minhas
                                                                                                                                  [vértebras
Na mesma antiga dança, os mesmos corpos celestes enfeitavam o céu como nunca deixaram de fazer
De jeito contínuo lá em cima, desde então, os vejo apenas pelo motivo de você passar entre eles,
                                                                                                                     [aproximando-se
E por esse roubo de minha solitude, aprendi: eu posso tranquilamente dizer que te amo.

Antes mesmo que você vá

| sexta-feira, 12 de outubro de 2012 | 1 comentários |
Perdoe-me, mas meus olhos querem se tornar claros até desaparecerem
Existem tantas coisas aqui dentro morrendo e nascendo diante da minha alma
De tão rarefeita e perdida, eu não as acho para dizê-las, mostrá-las, todas a você
Mas tudo em mim está silencioso, silenciosamente triste

É cedo demais para sentir a dor, para encarar como já sendo o momento da partida, eu sei
Mas também sei que as pessoas sorridentes ao meu redor não entenderiam, nem poderiam me ajudar
Como uma criança que não consegue alcançar o brilho, sinto-me pequeno
Muito fraco e inútil, eu quero apenas que você não se desgarre dessa minha constelação de única estrela
Ou poder escorregar pelas alturas de qualquer lugar contigo, minha estrelinha cadente!

Perdoe-me por eu te deixar ir tão fácil, por eu ver certa beleza na tristeza
Por eu ter um sorriso no rosto mesmo o meu coração chorando mais do que as geleiras infinitas
Mas eu não posso me colocar em seu caminho te obrigando a voltar
Nem gritar para que ele siga em direção ao que nós sonhamos
Porque ao mesmo tempo em que quero te ver feliz, quero também te entregar minha vida pessoalmente

Se eu tivesse o ouro suficiente para construir uma ponte entre terras, oceano e céu, eu construiria
Assim nós poderíamos nos encontrar na linha onde o dia e a noite se misturam para a troca das horas
Mas os meus bolsos são vazios, cheios de muitos desejos quebrados por não serem realizados
Eu te esperarei; esperarei páginas, estações e recomeços, o quanto for necessário pelo seu regresso
E ainda que a quietude do meu pulsar não seja o bastante, acreditarei na continuidade do existir além do fim
Mas antes que eu atravesse para o outro lado, tentarei voar e sentir o cheiro salgado das ondas
Descobrir quais foram as direções que te fizeram chamar outro futuro, e não o do meu lado, de casa
E rasgá-las para que fiquem atrás de mim, enquanto piso no desconhecido chão ao encontro das suas esmeraldas

Eu nunca tive tanto medo de fracassar quanto agora, porque qualquer erro, qualquer falta de força nestas mãos
É o mesmo que te perder por completo, a queda das alianças que nunca colocamos nos nossos dedos
Por favor, perdoe-me, caso eu chegue atrasado para o toque da realidade em nossa história
Mas lembre-se, eu te amo muito e aceito o seu pedido, viveremos juntos para sempre
Apenas não se esqueça de dizer ao amanhã que me sussurre onde você está e que ele nos pertence.

Sol Negro

| terça-feira, 10 de julho de 2012 | 0 comentários |
       Mais uma vez, os seus cabelos nascem por trás do horizonte, anunciando que as pequenas estrelas deixaram o céu para descansar. É o momento em que se acordaram os amores do peito, desprendem os pensamentos dos leves tecidos de sonhos, de abrirem os olhos com o toque da realidade. Assim levantei-me, como de costume, ao som da luz matituna que brinca de desenhar girassóis em forma de mulher; o meu relógio diz que eu estou bem, apesar de estar a meio caminho atrasado para um sorriso que já deveria enganar. Ainda cego e sozinho, sendo lavado por lágrimas que nunca foram minhas, vesti-me de minha mais comum fantasia e caminhei em busca de uma vida que estava perdida antes mesmo de eu tocar as nuvens. Por vezes, seus fios tornam-se anoitecidos, como se sentissem saudade de algo que brilhe mais, mas nós sabemos que nada é mais grandioso e encantador quanto você... Ao menos não em meu mundo. Agora correndo, meus passos te chamam, e você está lá, sobre mim, por mais que minhas feridas permaneçam em silêncio.
       Algumas gotas invisíveis de sangue me mostraram que eu me esforcei para te esquecer, mas há coisas que nem mesmo o esforço de uma alma pode apagar. E eu me escondi em um lugar onde existia muito mais do que paredes e pessoas, enquanto você as iluminava e fazia dentro de mim ficar mais frio. Com toda a poeira sujando a chegada as cores em minha visão, um anjo respondeu a orações que meus lábios nunca fizeram: hoje sua coroa ganha mais uma pedra preciosa; hoje seu reino alcança  todos os olhos fechados e meu coração guarda mais uma lembrança de você.
       Tão distantes, como o para sempre e o fim, você e eu sentimos que o Outono se aproxima de suas raízes. Nas sombras em que suas folhas caem, no chão em que elas repousam, estão minhas dores e sorrisos a você. Mesmo se eu tentasse me aproximar mais do que necessário para dar vida às minhas flores, para tornar a escura cegueira em intocável inocência, nossas mãos nunca se amariam, porque a sua presença foi um desenho ensolarado sob as minhas pálpebras, amantes das noites mais tristes. Você respira a um altura que meus pedaços não conseguem alcançar, mas eu ainda te adoro por repousar em meus pesadelos.

Poema de uma garota de cabelos curtos, que usa perfume forte e ama apenas um garoto

| terça-feira, 17 de abril de 2012 | 2 comentários |

















Como os algodões-doces que fingem ser nuvens no céu
Assim é o garoto que amo
E ele gosta de garotas que tenham os cabelos longos
Que usem perfumes doces, que gostem de garotos iguais a ele
E ele não gosta de mim, mas eu gosto dele como ele é

Se eu te disser que ele sabe voar, você acreditaria?
Por favor, acredite em mim, como hoje ele me agradeceu
Eu me senti tão liberta e ao mesmo tempo tão sozinha
Eu pude sentir o sabor da altura, apesar de não ter asas

Ele tem desenhos pelo corpo, como uma perfeita obra de arte
Deslizando sobre o chão, ele derrama neve brilhante
Seus olhos tão escuros não desaparecem quando anoitece
E seu sorriso me tira sorrisos que nunca foram meus
Se já sonho ao ver uma foto sua, imagine se eu tivesse sua presença todos os dias
Eu nunca fui abraçada por ele, mas acho que ele é forte
Ele é ariano, apesar de ter nascido em Maio
E nenhuma estrela é tão linda quanto ele

Se eu te disser que ele não tem defeitos, você acreditaria?
Por favor, acredite em mim, como a certeza de quando ele disse que não me via de maneira má
Eu me senti tão sozinha e ao mesmo tempo tão liberta
Eu pude sentir o sabor do chão, apesar de nunca tê-lo beijado

As ideias dele não sabem dançar como as minhas
Mas ele é um garoto normal, para quê dançar se ele pode brincar de amar uma garota?
Eu tento esticar os pensamentos dele, mas são como pedras preciosas não lapidadas
Não quero mudá-lo, apenas mostrar que amor que sinto por ele é maior que o ódio
Mostrar para ele que em vez de tornar os outros pequenos
O melhor a se fazer é tentar capturar estrelas, para que no fim nos tornemos grandes

Se eu te disser que ele é um menino bom, você acreditaria?
Por favor, acredite em mim, como aquele dia em que ele me disse de suas nostalgias
Eu me senti tão distante e ao mesmo tempo tão próxima
Eu pude sentir, naquele momento, o perfume que estava na mão dele

Há os dias que não sei o meu próprio nome, mas ainda sei o dele
São loucos aqueles que dizem amar pessoas apenas por vê-las de relance, não acha?
E eu sou uma eterna louca, amando fantasmas tão reais quanto esses versos

Se eu te disser que um dia tudo isso foi real, você acreditaria?
Por favor, acredite em mim, como aquele dia em que eu acreditei nesse amor
Como aquele dia em que ele falou de amor, em uma frase qualquer
Eu me senti tão próxima e ao mesmo tempo tão distante
Nada pude sentir de cheiro, nem aquele que a noite guardou para os meus sonhos.

Você, o amanhã, o passado

| quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 | 1 comentários |
       Como é adormecer sem sono? Como é morrer sem ter vivido, sem ter respirado a vida em si? Foi assim que começou a minha noite, quando os sonhos de todos estavam acordados. Não consigo apagar a realidade, distrair-me com os mais frios delírios que me são companheiros. Então eu penso em muitas coisas: em você, no amanhã, no passado. Quanto mais eu olho o mundo lá fora, o de dentro se torna mais profundo e, de certa maneira, claramente escuro; é como se os dias e minha alma formassem um ciclo completo. Meu coração é vermelho como a rosa e essa tem espinhos tão desenhados quanto as cicatrizes em minha memória. Eu queria perguntá-la: "Foi você que me feriu tanto assim? Minhas mãos ao abraçá-la apertaram demais a sua história?". Mas ela não responderia, como meu pulsar que perguntado qual caminho seguir, continua em silêncio.
       Eu acho doloroso demais esquecer todas as nuvens que interpretei até chegar aqui; às vezes acho impossível esquecer o que sinto por você. Aliás, muitas das vezes eu percebo isso, no entanto é sempre que tenho certeza. Eu não aprendo muitas coisas, é verdade; não consigo olhar as próximas estações com recentes olhos, eles ainda têm o verde do nascimento. Diante da mudança, dois passos para trás não é o mesmo que um à frente; há quanto tempo eu venho tropeçando dentro e fora de mim? A soma de todas as horas em que estive sozinho: sempre. Eu cresci e são as lágrimas de criança que me acalmam; são as lembranças de um chão sobre os pés, e não de um céu sob a cabeça, que me confortam.
       Eu quero sentir coisas novas, mas esses antigos sentimentos nunca morrem dentro de mim. Por mais angustiante e assombroso me pareça esse pensamento, eu quero te esquecer. Mas minha vontade ainda insiste em ver suas fotos, uma a uma, até que por todo o meu vazio corpo ecoe o som do seu nome. Eu sei que esse amor nunca foi real, uma mentira criada tão doce e distante quanto sorrir, mas também sei o quão encantadora é a crença em algo puro, como conheço o gosto de uma cura inalcançável; durante esses anos, sua presença em meus dias foi pura e inexistente.
       Como tornar mais claras as manhãs que são as mesmas? Como contar estrelas diferentes se o brilho delas aqui é igual? Como cometer novos erros, se as lições são as mesmas? Eu não sei, como não sei se quebrarei mais todos os pequenos pedaços que caíram na última sala, do último ano, ou se os salvarei de mim mesmo como nunca fiz.

Nossas despedidas

| quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 | 0 comentários |
Eu tento te mostrar meu coração
E tudo o que eu consigo agarrar são esses medos
O que você vai pensar quando descobrir
Que por baixo desses versos existe o seu nome?
Como você vai me ver quando sentir
Que por baixo de seu nome estão os meus segredos?

Flores amarelas se tornam laranjas
Elas me encantaram como você
Se elas pudessem falar, acho que falariam o seu nome
Se elas pudessem gritar, acho que gritariam por você
Como agora, você não consegue ouvir
Mas tudo em mim grita por você

O que eu quero é apenas ser o seu amigo
Segurar sua mão quando a noite invadir os seus sonhos
Olhar em seus olhos sem ter nenhuma vergonha
Não consigo me imaginar respirando ao seu lado
Porque se isso acontecer, você verá que sou apenas mais um
Você verá que não sou o único

Quando você sorri e eu estou adormecido
Eu sangro pensando se você está sorrindo de verdade
Meus dias seriam perfeitos se eu descobrisse que por trás dessa ilusão
Você está gostando da minha distante companhia
Não se preocupe, eu estarei aqui quando as estrelas se apagarem

Quando estou sozinho, eu penso em dizer tantas coisas a você
Mas quando eu vejo sua imagem congelada diante de mim
Eu penso melhor e sei que tudo isso é muito pequeno para você
Você não está preparado para suportar minhas dores
Mas por favor, me traga suas lágrimas
Eu as farei vivas dentro de mim

Muitas vezes eu acho que me importo demais com você
E talvez eles nunca entendam
Admitir isso é admitir meu erro
E eu sei que nunca estarei em seu coração

Eu fecho meus olhos e o silêncio está aqui
Ele me diz o seu nome e tudo que eu peço é que te faça real
Depois que eu te vi, nunca fui o mesmo
Poucos segundos parecem a eternidade ouvindo você
Não quero te machucar
E eu desejo ter os seus segredos perto de mim
Nunca vou te magoar
Porque eu sei que você não quer os meus segredos
Apenas me diga e me faça rir
E eu quero fazer o mesmo por você
Mesmo que minha vida seja nada para você
Eu darei a vida por você
Minha vida pertence a você

Em todas as nossas despedidas, eu guardo o dia de amanhã
Uma nova razão para viver.

Mortas linhas de uma voz silenciosa

| sábado, 7 de janeiro de 2012 | 1 comentários |
       Eu deveria estar tentando me salvar enquanto tudo cai, no entanto as coisas são mais acostumadas a se deitarem do que a se reconstruírem. Há tantas palavras a serem escritas, desabafos famintos por uma voz, mas as linhas permanecem brancas e o som submerso nos sentimentos que escorrem desse meu coração. Misturam-se os pensamentos com o respirar das histórias que eu poderia contar: o amor sonhado por um solitário, a fraqueza da criança que tem o mesmo rosto que eu, a descrição de como é querer se desfazer, não mais existir... E muitas outras gotas de uma tempestade que se esconde por trás de uma inlegível atmosfera. Todas elas são vontades do sangue que ainda se mantém quente dentro de mim, à procura de gritos, lágrimas ou alguma cor que torne leve esse silêncio interno. É difícil, traçar qualquer afirmação sobre superfícies que não mostram verdades, nem mentiras, apenas cinzas que nublam até as mais claras incertezas que carrego. Nas pontas dos pés, a desordem toma a forma de fracasso e além da confusão, a sensação de que nada se prende aos dedos me deixa mais perdido em minha própria perdição. Se eu não precisasse, ao menos, dizer sobre os pedaços que se encontram no caminho, mas apesar das minhas mãos alcançarem, elas estão agitadas demais para soltá-los como segredos vãos. Tão semelhante a uma fera que se alimenta de uma ferida que nunca se cura, o tempo me consome; deslizando pelas minhas veias, ele não me pergunta se dormirei bem mais um anoitecer sem ideias confortáveis para a mente. Por mais que minha alma seja imortal nesse ciclo que me destrói e, ao mesmo sabor, me faz sentir vivo, inevitavelmente eu pensei em calar o orador desse mar que pulsa inconstante através do meu corpo. Mas não consigo, porque ainda que calado, existem as chamas que me atingem e crescem, afogando-me por inteiro.
       Depois de todos esses dias distantes, eu acho que desaprendi a lapidar as preciosas dores; drená-las para um veneno que acalme a estreita prisão do peito. Às vezes, cego pelo brilho de muitas, desejo abri-lo em dois para libertar o último fôlego, como o perfume da rosa que é, quando fechada, guardado em seu íntimo. Atrás dos olhos, esforço-me para transformar cada lembrança, cada desconhecido sussurro, em uma redenção que me esvazie dessa angústia; aos poucos, surgem ecos incertos de emoções manchando a inocência que me era oportuna. Foram por eles que segui tão longe nesses rabiscos e ouvindo as gargalhadas das imperfeições, demorei para costurar um sentido na falta de fé em minhas recentes orações. Aqui distraído, não sei se estou desperto o bastante do sono de tudo que me tem sido trazido, porque até agora tenho me percebido muito pequeno entre essas minhas soletradas letras. Então, junto com o meu julgamento de que esse discurso não está completo, existe as estrelas que ainda não foram enumeradas e que enchem o meu céu. Mesmo assim eu não posso continuar.