Nossa tarde

| sábado, 30 de outubro de 2010 | |

Algumas coisas são filhas do acaso
Constroem-se sobre um tempo que parece lindamente bobo
Mas nada permanece o mesmo como no início
Nem aquilo que nos uniu, as estrelas e a Lua

Nossa única testemunha eram as palavras
Elas vagavam no silêncio em um caminho de dez nuvens
Cada uma iluminando aquilo que as mãos não podem ver
Tudo aquilo que o coração podia sentir
Mas que à distância o tornava cego

Linhas e linhas consumiam meu relógio
Indo e vindo como um sonho em um balaço infantil
Lendo emoções, escrevendo pensamentos
O que não se abraça com os olhos, talvez seja real à alma

Quando eu despertei desse sono que é não te ver
Eu percebi que lá fora brilha um Sol
Ele cobrava duas horas e uma espera para viver
Eu ainda posso respirar essa tarde como se fosse minha vida

Até nos perdemos em lutas desarmadas
E no fim não há vitória, nem derrota
Certo, nem errado
Apenas você e eu
Separados pelo orgulho de nos darem as mãos
Mas nos tornando Um pela vontade de estarmos juntos

Mas nada que tenha início permanece o mesmo
Depois que todo brilho adormeceu sob uma noite branca
Eu posso sentir a falta daquilo que o dia me tomou dos olhos
Tudo o que eu peço essa noite é que me traga você
E se não puder, que me traga a sua voz.

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