Meditações

| domingo, 25 de junho de 2017 | 0 comentários |
Assim como um adulto quando estapeia uma criança,
Parecendo o ensolarado sol ao inflamar a delicadíssima pele,
A minha alma nos enredos e nas tramas das variadas vivências
Sofre com murros o que na verdade são simples toques.

Tão movediço é o meu interior e pequenos são os silêncios
Que caem das suas passarelas, sujam o chão e voam com o vento:
Mãos pegas pela distância e puxadas para perto de sua senhora.
De onde estou, a translação da vida não se esforça para disfarçar
Os muitos ruídos de suas engrenagens. Minha viciosa rotação,
Apesar dos belos efeitos (o rodopiar do vestido, o colorir das rimas,
Como uma bailarina ou felicidade), No fim, me tonteia e me acaba
Trocando as colunas das pernas pelos horizontes dos braços.

Queria eu ser mais adulto que o Tempo para colocá-lo de castigo,
Impedindo de passar, no mesmo instante que taparia os ouvidos
Do Mundo com algodões, com nuvens que estivessem sobrando por aí,
Para que a minha bagunça me organizasse e o meu barulho criasse canções.
Porque grandes foram as vezes que achei desejar a quietude ao redor,
Sem saber que em mim girava um pião querendo mais e mais cordas...

Mas também sou um gauche na vida, desses que são incapazes
De fazer ilusionismos baratos que acalmam o sufoco do peito.
E ele aperta; aperta como o primeiro laço feito no cadarço
Quando aprendido e que incomoda até o final do caminho.
A melancolia tem um pouco disso: estrondos íntimos que falam
Num linguajar mudo e a comoção que era uma lagoa, transborda
Em um oitavo mar. Há tantos barquinhos de papel escorregando
Por ele, que eu não sei quantas águas mais vão me dobrar.