Vinhos e vinagre

| quarta-feira, 20 de outubro de 2010 | |
        Eu vejo o mundo se movimentando a minha volta e não tenho nada a fazer. Nenhuma palavra a dizer, só sentimentos a sentir. Eu vejo sonhos sendo construídos, histórias sendo escritas, mas não tenho tijolo algum desse livro, não tenho sono desse enredo. Uma mochila de risadas e conversas caminhando por um estrada triste. Eu não sou o dono de nada disso; não posso vender nada além de incertezas. Não posso comprar nada. O dinheiro aqui é a ousadia e eu não consigo dar o primeiro passo. A mente se torna o vinho, que a cada segundo se torna mais saboroso. E eu sou o vinagre; conhecimentos estragados pelo erro de conservação. Minha direção presa por muitos passos não escritos, por papéis não caminhados, que me fazem ver coisas muito além das nuvens. Porque as escolhas colocadas cronologicamente abaixo dos pés permite isso. Mas o ver não é o mesmo que tocar e minhas mãos presas por um veneno cômodo me obrigam a adormecer assombrado comigo mesmo. A diversão está em desenhar coragem no medo de errar, mas não tenho estrela para traçar um destino, muito menos lápis para criar um sorte. Algumas solidões fazem tropeçar e eu não posso negar que algumas pedras são minhas únicas companhias aqui. Uma chuva de mãos dadas, bocas que se interrompem, vidas que se entregam, seja para outras ou para si mesmas. Tudo isso é o que tenho visto durante um tempo que eu não sei quando nasceu. Sequer sei quando isso vai morrer.

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