Perdendo o controle

| terça-feira, 12 de julho de 2011 | |
       De novo, me senti morrendo através das minhas mãos quentes como a inocência de um longo inverno. Elas me levaram para brincar e com alguma força construíram asas para que eu pudesse nunca cair. Eu estava sozinho, mesmo não enxergando com a luz que a escuridão me entregava, alguns pensamentos me guiavam no mundo das fantasias. Ali, as rosas eram mais vermelhas e nenhuma gota de dor repousava no chão ao machucar os dedos. Por mais claros que estivessem os dias, esses se escondiam atrás das cortinas, procurando algo mais do que segredos. Já sem fé em minhas tristezas, as noites se distanciavam de mim. A guerra era minha contra mim mesmo; das feridas exalavam um silêncio de divertimento e diante dos meus olhos, a destruição dançava como o mar, cada vez mais cheio de fúria. E eu voei mais alto do que qualquer anjo não visto, descobrindo como os homens chegam tão pobres à vida. Assim a bandeira da vitória foi cravada em mim e eu sabia, entre vencedores e vencidos, todos colheriam sorrisos. Então, meu corpo foi arrebatado e minha alma permaneceu onde sempre esteve. A decâdencia sorria para mim e, logo eu soube, do alto até a ruína parece o próprio paraíso.
       Além de mim, ninguém podia ver os gritos que meu corpo tornava tão sólidos em minhas mãos. Sujas, eu tentava limpá-las em uma pele que desaparecia embaixo da fraqueza e poeira. Alguma parte da minha sombra prometeu que nunca mais faria isso, mas perder o controle é como o vício das veias que pede sempre por mais sangue; dos sonos que reza por ouvirem as melhores canções de ninar e das vidas que persegue, sem cansaço, o seus fins. E o que resta das promessas quebradas magoam a cor dos meus sonhos, me fazendo diferente daquilo que nunca mais serei.
       Nada que eu fizesse poderia me curar de mim mesmo, ainda que presenteasse as crianças com as mais brilhantes brincadeiras, porque elas também chegarão mais perto do céu e as jogarão todas fora, dentro dos seus próprios arrependimentos. Como as rosas que outrora eram vermelhas, segundos depois não mais existem; o mundo das fantasias despertou. E eu sou o perdedor, que nada tem, a não ser a própria perdição.

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