Alma e Corpo

| terça-feira, 16 de agosto de 2011 | |













Da minha boca, o berço do vômito íntimo,
Revelou-se minha alma fraca e ferida
Caída sobre as poeiras de um chão ínfimo
Eu a vi respirando, ainda com vida

Estava nua, agarrada aos pulmões sensíveis
Com a pele inundada de escuridão e agonia
Tão dançantes eram os passos da não eufonia
Que pisavam nas miseráveis vísceras invencíveis

Na ânsia, contorciam-se os membros a procura
Da cura incurável para os sorrisos tristonhos
E os vermes alimentavam-se da carne dos sonhos
Deixando para os ossos que restaram, a loucura

Silenciosas formiguinhas carregaram meu coração
Conduzindo-o em uma procissão sem destino
A esquecida e vermelha mancha marcando o chão
Fazia da minha aparição, um novo peregrino

Saliva em cascata descia dos lábios sem medo
Orvalhando as mortas rosas que floresciam logo cedo
E os dedos da podridão mostravam o tempo rasteiro
Que me dizia: "Tudo está deixando de ser inteiro"

Aos poucos, os pequenos e secos pedaços arruinados
Flutuavam até estarem preparados para serem devorados
E eu soube, esse corpo estava tentando viver
Aquilo que a pobre alma sempre lembrava de esquecer

Em meus braços, deitou-se como a febril criança
As sólidas veias dela costurando-se em mim
Quebradas lágrimas que suavam a eterna lembrança
E fomos juntos ao encontro do já ultrapassado fim.

0 comentários:

Postar um comentário