Vento

| quarta-feira, 15 de junho de 2011 | |
       Lá do alto, as nuvens desenham sombras em meus olhos. Esse não é o primeiro dos dias meus que nasceram anoitecidos, mas é como se as luzes estivessem cansadas de brilhar. Fios de cabelo colocados em filas, fazem sentido apenas quando o vento brinca com eles; os pensamentos encarando tudo como uma contínua sexta-feira. E eu me quebro quando descubro mais um longo dia na próxima curva ao voltar para casa. Mesmo não vendo meu coração, sei que ele não está sorrindo. Sob lágrimas roxas, ele nunca soube o valor real das coisas. Mas nesses últimos tempos, as batidas se mostraram mais confusas. Por mais que eu esteja cego, minhas pernas já sentem a solidez do mesmo chão de todos os dias. Há no ar uma brincadeira desconhecida das minhas lembranças que torna as horas não tão circulares quanto deveriam ser. Quando eu era duas semanas mais jovem tudo também estava perdido, mas é como se as ruas fossem mais longas e as feridas, mais profundas.

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