Campos de esperanças

| quinta-feira, 14 de abril de 2011 | |
       Meus olhos estão abertos, mas estou sonhando. E acompanhado de flores que nunca visitaram os meus jardins. Do fundo deste meu coração sempre existiu tais imagens. Elas eram tão pequenas, brincavam de torná-lo vermelho e assim o mantinham batendo. Durante todos os dias, eu as deixei nas sombras dos meus pesadelos para que nenhuma conhecesse como é existir. Mas sempre existiram dentro de mim, isso já era o bastante para me assombrar. Mesmo assim, eu decidi por assistir todas elas de uma distância que me parecia segura.
       Nas últimas noites vieram as cartas que não foram endereçadas a mim. Abertas, as palavras foram lidas com cuidado, como uma chuva que cai sem apagar o sol. De repente, vi traços se tornando desenhos e esses ganharem vida. E eles sorriram para todos os cantos da minha alma; correram por todas as paredes do meu ser e me fizeram criança outra vez, acreditando que eu poderia voar. Mesmo eu não tendo asas. E por mais vazias que minhas costas estejam, as imagens que tempos atrás eram pequenas, cresceram. A distância que me parecia segura nada mais era o silêncio que sempre me enganou. Hoje os gritos surgem em mim tão próximos que posso sentir do que é feito os sonhos.
       Eu apaguei as luzes, mas as estrelas continuaram a brilhar. Por entre os campos frios de perigos risonhos, eu caminho sem destino. Porque as folhas esverdeadas nas árvores distraem quem um dia as viu espalhadas pelo vento. E sei que da mesma maneira que foram colocadas ali, serão retiradas rápido, como acordar de um sono que você não estava cansado. Mas agora é o momento de olhar a altura das cores e o ar da queda. Não os pedaços que eu me tornarei.

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