Tardes e noites sem você

| quarta-feira, 13 de outubro de 2010 | |
       Queria mais um dia daqueles, onde eu não precisava sentir sua falta. Eu encarava como uma provocação. Uma vontade, a minha, de te ver de novo lutando com mais uma tarde e uma noite sem o seu rosto. E quando o dia seguinte nascia de uma escuridão demorada, acordava sem entender como eu conseguia sobreviver a mais uma noite sem sonhos. Todos esses pertenciam a você. É, o mais difícil era que mesmo aguentando cada noite como uma nova vida, eu não podia mandar nada para você. Sonhos não podem ser escritos, mas sim sentidos. Eu não conseguiria fazer o papel te dizer tudo aquilo que a noite me contou, os lugares onde as nuvens me levaram. E na falta delas, as estrelas me faziam sorrir apenas para que eu não sorrisse sozinho.
       Eu não me lembro do dia. Você foi se tornando real na minha vida ao ponto de não me lembrar de quando não existia aqui, dentro de mim. Mas lembro os dias que eu chegava em uma manhã ainda calma, passava pela porta que te escondia - às vezes sim, às vezes não - para tentar te olhar. Ver o seu rosto silencioso, quieto. Eu poderia fingir que ele estava lá para mim, por mim. Simplesmente me esperando.
       Naqueles dias eu não tinha você para abraçar, para sorrir, contar histórias, nem para ouvir sua voz. Mas eu tinha você ao alcance dos meus olhos. Isso já me acalmava muito, saber que você estava a salvo, mesmo o mundo não sendo um ar tão bom de se respirar. Agora que eu não te tenho de frente aos meus olhos, faço do branco de sua ausência a cor da minha alma.

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