Para sempre

| quarta-feira, 6 de outubro de 2010 | |


           Era um silêncio de ensurdecer os ouvidos. Ele esperava em uma rua escura, deserta; nem as estrelas ajudavam para a volta de sua esperança. Ela se fora... para sempre.
           Ele sabia disso, mas uma parte de sua alma ainda trazia a vivacidade que ela não tinha mais. Ele sentou na calçada esperando por ela. A neve caia de uma maneira tímida, tocando em seu rosto. Ele podia jurar que ela estava ali, em algum lugar. A inocência da neve o lembrava a pele dela. Até o frio o lembrava ela. Suas dores e seus sorrisos, tudo era dedicado a ela.
           Decidido, ele resolveu se enganar. Deitou na cama pálida que se formava e aumentava a cada minuto. Fechou os olhos, já não tremia. Ele sabia que seria rápido, a noite o dizia isso... Ele tinha que ter apenas paciência.
           Sua respiração foi sendo deixada, seu corpo já não era tão quente como quando ela estava ali. Seu coração já não tinha a força que precisava... Não tinha vida... Não tinha ela.
           Então o sono tomou por inteiro o corpo dele. Sim, era tudo dedicado a ela. A sua vida, o seu silêncio, o seu sono... o seu para sempre.

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