Duas horas, uma vida e tudo perdido

| segunda-feira, 11 de outubro de 2010 | |
      Duas horas perdidas com conversas desnecessárias, brincadeiras infantis, ciúmes e provocações tão exageradas que chegavam a riducularidade. Foi assim que me senti o tempo inteiro, enquanto as horas do rélogio corriam contra algo que sempre me fugia aos olhos. Eu tinha planejado como colocaria cada coisa em cada lugar do tempo. Primeiro iria abrir os olhos como de costume, jogar palavras ao vento. E depois de quebrar a minha rotina caminhando sobre um chão solidamente quente, eu poderia voltar ao meu mundo que os outros diziam ser juvenil. Mas nada disso aconteceu. Perdi o controle daquilo que eu já sabia nunca ter tido nas mãos. Encantar-se com as vozes, as risadas, o divertimento que não pertence a você. Tudo nos encanta e talvez por isso, somente por isso, perdemos duas horas desse dia. E mesmo sabendo, mesmo repetindo muitas e muitas vezes, eu ainda me deixei calar, me fiz levar por um caminho que não tinha pedido. Um caminho que não era inteiramente meu. Sim, porque eu me guardei, me fiz mais criança do que meu rosto permite. Eu segui passos invisíveis e por isso me acharam menos perigoso. No começo achei que seria fácil, rápido. Mas o tempo foi me afogando em uma necessidade imensa de me controlar. De controlar tudo que pertencia a mim, ou, o que eu achava pertencer a mim. Porque para mim estava claro, nada daquilo deveria estar acontecendo. Eu deveria me manter comigo e não me perder nos outros. Eu não deveria ter perdido duas horas e uma vida. Não daquela maneira.

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