Noites Claras

| segunda-feira, 7 de março de 2011 | |
       Eu esqueci das horas. E minha vida se encontrava nelas. Eu esqueci de você para brincar com as estrelas; de mim para não me machucar ao cair a tantas escuridões de altura. Não me lembrei de esquecer disso e foi por isso, somente por isso, que permaneço como todas as noites em que há luz depois da meia-noite. Perdido. Eu esqueci dos sonos e os sonhos ficaram sem alguém que os amassem. Agora o que resta deles está sujo em minhas mãos. Mas elas são tão fortes que apagaram todos os brilhos que eu podia ver. São como notas de canções de ninar que depois das crianças adormecerem não fazem mais sentido. E mortas, as crianças não sonham, mesmo estando com os olhos fechados. Nada faz sentido para mim.
       Enfeitiçado pelas minhas próprias mentiras, eu me levo a um lugar que não existe. Não precisando me alimentar, muito menos descansar um sorriso que não é meu, fica mais fácil enganar o reflexo que aparece quando olho no espelho. Sobre os meus erros, eu construo ilusões que fazem qualquer anjo desejar ter uma alma. E os corações vazios se abraçam em ecos de suas próprias vozes. Rosas vermelhas acreditam no amor e uma mentira bem contada pode se tornar verdade.
       Depois dos silêncios quebrados pelos meus dedos; da fuga por esconderijos conhecidos pelas sombras, eu cai em um chão de verdades. Há muito tempo as doze horas que iniciaram as alegrias me abandonaram e as luzes que me encantaram deixaram as nuvens inocentes. Aos poucos, as lembranças se quebraram pesando em meus olhos. Fazendo meu corpo se levantar ao perceber que todos aqueles instintos foram em vão. Acabou o meu sangue, mas as manchas ainda respiram. Agora é minha vez de contar histórias a mim mesmo. E até o momento não sei como serão os meus descansos. Nem o despertar de todos eles.

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