Sonhando de olhos abertos

| domingo, 23 de janeiro de 2011 | |
       Sem saber como poderia ter chegado ali, nem quantos passos usei para isso, eu respirava perto de você. Não sei como eu estava, mas o dia estava sorrindo. Existia uma brisa que levava não apenas os meus pensamentos, mas qualquer certeza de que aquilo era falso, ou simplesmente passageiro. Eu tinha medo de me mexer, de quebrar aquela imagem petrificada que guardava dois corações que pulsavam em corpos diferentes, mas um diante do outro. Era como se a luz desse vida a escuridão dos seus olhos e eu poderia fingir que ela era minha; a mais profunda escuridão da minha alma. Cada fio de pensamento seu desenhava uma realidade única, nunca vivida por mim. Traços profundos e sem movimento descansavam em seu rosto, como naqueles dias que eu te olhava em uma distância transparente; nela seu sorriso é eterno e eu posso buscá-lo quando meu céu estiver sem estrelas. Aos poucos esse sorriso começou a nascer; soube então que você conhecia o bater do meu coração. E apesar de não estar tão leve como deveria, senti que eu poderia voar. Minhas asas surgiram de sua voz e eu conheci os caminhos das suas brincadeiras. As cores que brilhavam além das suas não me interessavam. Elas nos levaram para um lugar onde minha mente não consegue alcançar.
       Não precisei abrir os olhos. Eles já estavam abertos quando tudo isso aconteceu, apenas um pouco distantes da solidão que me amava tão fortemente. Ela é real.

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