Guarda-chuva

| domingo, 27 de fevereiro de 2011 | |
       Quando eu os vi, o cinza de mais um dia triste caia sobre todos. Mas minha pele estava um pouco mais fria naquele instante. Talvez fosse por tudo que me fez chegar até ali, ou por aquilo que teria que viver depois que o sol parasse de se esconder. De pouco em pouco, a luz sorria para que ninguém se perdesse no seu próprio caminho. Meus pés molhados pelas lágrimas que se espalhavam pelo chão não acalmavam meus passos, mas os deixavam mais leves. Para que minha alma não perdesse o controle, mais do que já estava perdido.
       Meus olhos tropeçaram naquela imagem diante de mim. Eles caminhavam sem nenhum som, um ao lado do outro. Não se importavam com mais nada além de pularem as poças do que foi um lindo céu. O mais velho ensinava ao menor como não afogar sua história em pequenas tristezas e ele parecia aprender de uma maneira inocente. O guarda-chuva que o mais velho segurava, abraçava os dois, os protegendo amorosamente. Apesar de sermos sozinhos, eles tinham um ao outro.
       Com a distância, eles ficavam mais unidos e eu me tornava parte do silêncio. Meus pensamentos estavam pesados e eu não conseguia abandoná-los. Procurando a mim mesmo, eu tinha que ir em em frente. Eu esperava que aquela imagem permanecesse a mesma. Ainda que ela não existisse para mim durante as noites.

1 comentários:

Anjo Negro Says:
28 de fevereiro de 2011 11:42

olá
Sabe naqueles dias em que está um frio de morte e se começar a chover talvez fique ainda mas frio, só que a vontade é que comece a pingar para que possa caminha pela chuva e ver a roupa que num momento estava seca passar a encharcada, tocar-no na pele que antes era morna para passar a um frio gelado que nos corta a alma. Parece doloroso eu sei, mas é necessário, eu precisava disso. De largar tudo e sentir a chuva, sentir o frio, sentir-me viva! Estarei a pedir de mais? Estarei a cair por terra novamente? Não gosto deste sentimentos, não gosto de me sentir tão sem vida, tão quieta, tão sozinha como o meu.
Acho que no meio do vendaval perdi o guarda chuva que ainda me dava alguma segurança, alguma proximidade. Vim para um canto onde estou rodeada de livros e algumas pessoas e, por incrível que pareça, eu não vejo nem noto que assim é, não preciso das pessoas nem me importo que me olhem para ver a minha ausência de expressões. Estou de olhos postos nas letras que essas sim revelam ter alguma importância, são amigas de tantas horas e nunca me negaram um abraço imaginário!
Oh desculpe o desabafo.... eu precisava de escrever, mas no papel não estava a sair nada por isso optei pelas palavras de alguém, e envolvias na minha mente para que assim se tornassem mais próximas, mais felizes!

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