Na doença

| domingo, 13 de abril de 2014 | |

Quando nós ficamos doentes, não nos lembramos dos tempos limpos
Assim acontece também com a Vida: ao estarmos vivos, não lembramos
Dos bilhões e bilhões de anos na escuridão, quando não existia o lá fora, nem o aqui dentro
Seria a Vida uma doença? –– Nossa maior e única e verdadeira doença?

Então nós criamos tantas histórias, tantos caminhos e tantas certezas
Apenas para nos distrairmos com nós mesmos, enquanto vamos para lugar nenhum
Como acontece também com a Dor: não A sentindo, não lembramos
De toda a Sua profundidade e substância –– E outra vez:
Um corte na mão esquerda, os pés sangrando e o coração em partes

Tão frágeis, nós somos, sobre estas linhas entre dois nadas
Alguém já conseguiu contar quantas dessas nossas certezas são mentiras?
Ensinaram, ensinam e nos ensinarão somente aquilo que as línguas se acostumaram a dizer
É o que acontece também com o Amor: ao procurá-lo, não lembramos
De todo o resto que sentimos, mas do que nos cochicharam sobre Ele
E se algum dia, quando eu estiver garoto, o meu beijo encontrar um outro beijo igual a mim?

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