Daquela semana

| segunda-feira, 17 de novembro de 2014 | |
“Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas
boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração.” – Mateus 12:34

Tenho sede! Uma sede aquosa que molha toda a história
Enquanto a minha vida me pede por mais alma,
A alma fica seca pela falta de mais um pouco de vida
Igual naqueles sete dias em que éramos quase um...
Minha boca pedia por, talvez, mais uma semana

Dois foram os tempos que conheci a felicidade contigo
Os outros cinco seguiram com grande indecisão e tortura
As promessas que você fez não foram cumpridas
As voltas que você dizia foram apenas idas
De todo eu que poderia mudar, foi você que voou
Das maneiras que poderiam acabar, foi você que fechou
Estranhamente, nada mais eu entendia por completo

Tua voz dizia, como quem conta um sagrado segredo,
Que a solidão te pertencia e que nada daquilo te servia
Era, eu, um diamante puro demais para um alumínio
Mas que garimpeiro não busca a maior das preciosidades?
Esqueci-me que as palavras mentem e envernizam os olhos
Aliás, nenhuma delas mente quando o coração é sincero

Tenho sede! Não mais dos teus beijos e companhias,
Nem das tuas máscaras e mentiras –– você as reconhecia!
A nascente de teu sabor já desagua n’outras terras –– como não?
Apesar do meu universo ainda sustentar a Estrela de Baltazar
Ela é somente resquícios de um passado que foi terno

Hoje tenho sede! Uma sede particular que me preenche o corpo
Quero me beber até não mais sobrar nada de mim a mim mesmo
–– Sim, tenho sede... Sede de mim!

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