Mortas linhas de uma voz silenciosa

| sábado, 7 de janeiro de 2012 | |
       Eu deveria estar tentando me salvar enquanto tudo cai, no entanto as coisas são mais acostumadas a se deitarem do que a se reconstruírem. Há tantas palavras a serem escritas, desabafos famintos por uma voz, mas as linhas permanecem brancas e o som submerso nos sentimentos que escorrem desse meu coração. Misturam-se os pensamentos com o respirar das histórias que eu poderia contar: o amor sonhado por um solitário, a fraqueza da criança que tem o mesmo rosto que eu, a descrição de como é querer se desfazer, não mais existir... E muitas outras gotas de uma tempestade que se esconde por trás de uma inlegível atmosfera. Todas elas são vontades do sangue que ainda se mantém quente dentro de mim, à procura de gritos, lágrimas ou alguma cor que torne leve esse silêncio interno. É difícil, traçar qualquer afirmação sobre superfícies que não mostram verdades, nem mentiras, apenas cinzas que nublam até as mais claras incertezas que carrego. Nas pontas dos pés, a desordem toma a forma de fracasso e além da confusão, a sensação de que nada se prende aos dedos me deixa mais perdido em minha própria perdição. Se eu não precisasse, ao menos, dizer sobre os pedaços que se encontram no caminho, mas apesar das minhas mãos alcançarem, elas estão agitadas demais para soltá-los como segredos vãos. Tão semelhante a uma fera que se alimenta de uma ferida que nunca se cura, o tempo me consome; deslizando pelas minhas veias, ele não me pergunta se dormirei bem mais um anoitecer sem ideias confortáveis para a mente. Por mais que minha alma seja imortal nesse ciclo que me destrói e, ao mesmo sabor, me faz sentir vivo, inevitavelmente eu pensei em calar o orador desse mar que pulsa inconstante através do meu corpo. Mas não consigo, porque ainda que calado, existem as chamas que me atingem e crescem, afogando-me por inteiro.
       Depois de todos esses dias distantes, eu acho que desaprendi a lapidar as preciosas dores; drená-las para um veneno que acalme a estreita prisão do peito. Às vezes, cego pelo brilho de muitas, desejo abri-lo em dois para libertar o último fôlego, como o perfume da rosa que é, quando fechada, guardado em seu íntimo. Atrás dos olhos, esforço-me para transformar cada lembrança, cada desconhecido sussurro, em uma redenção que me esvazie dessa angústia; aos poucos, surgem ecos incertos de emoções manchando a inocência que me era oportuna. Foram por eles que segui tão longe nesses rabiscos e ouvindo as gargalhadas das imperfeições, demorei para costurar um sentido na falta de fé em minhas recentes orações. Aqui distraído, não sei se estou desperto o bastante do sono de tudo que me tem sido trazido, porque até agora tenho me percebido muito pequeno entre essas minhas soletradas letras. Então, junto com o meu julgamento de que esse discurso não está completo, existe as estrelas que ainda não foram enumeradas e que enchem o meu céu. Mesmo assim eu não posso continuar.

1 comentários:

Anônimo Says:
7 de janeiro de 2012 23:32

Que vc seja a própria estrela q vc procura, não desperdice seu talento e sensibilidade divina com pensamentos ruins. abraços

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